As más leituras corrompem os bons costumes

A leitura de livros e de escritos contrários á fé

1) “Seria supérfluo demonstrar que, mesmo em virtude do direito natural, é proibido ao católico ler livros que possam causar-lhe tentações contra a fé. A fuga da ocasião do pecado é uma obrigação da moral natural.Pela mesma razão as autoridades eclesiásticas, encarregadas de conservar intacto o sagrado depósito da fé, e responsáveis pela salvação dos fiéis, têm o direito e o dever de proibir a leitura de semelhantes livros.” (Prunner, Theol. Moral.)

Fiel à sua divina missão, e usando deste seu direito, a Igreja católica tem sempre proibido a leitura de livros perigosos para a fé. As últimas decisões relativas a este ponto estão contidas na constituição de Leão XIII do dia 25 de Janeiro de 1897.

Explicando este decreto pontifício na sua instrução pastoral de 1899, Mons. Senestrey, bispo de Ratisbona, diz muito bem, falando da leitura dos livros e escritos contrários à fé e aos bons costumes:

“Que entendemos nós por maus livros e escritos, ou com se diz geralmente, por má imprensa?” Só esses livros e jornais que abertamente fazem guerra a Deus e à Igreja? Que manifestam seus desígnios perversos sem rebuços e sem ambages? Oh, não. Não somente são maus aqueles livros que francamente ostentam seu ódio ímpio contra a religião, não menos perigosos, senão mais ainda, são os que ocultam, sob belas aparências, o veneno de suas doutrinas falsas e impuras, habilmente dosado. Deste gênero são todos os escritos que, sob a capa da ciência, atacam e conspurcam os ensinamentos da Igreja Católica.

Deste gênero são também todos os romances e produções chamadas literárias que desculpam a imoralidade e o vício ou a pintam com as cores mais vivas e atraentes. Deste gênero são finalmente e sobretudo os jornais que sob o pretexto da política atacam e caluniam as autoridades eclesiásticas e civis. Repetimos! É preciso proscrever não só aqueles livros que em cada página pregam a incredulidade e o vício, mas ainda os jornais e folhas que em cada número transbordam de injúrias contra o clero e a Igreja. Quando um livro ataca a religião e os bons costumes, e fosse só de passagem; quando um jornal publica ao lado de artigos bons e edificantes, pelo menos em aparência, toda a sorte de mentiras e calúnias contra os padres e insere nas suas colunas notícias e anúncios que ofendem a honestidade e a virtude, este livro ou este jornal devem ser julgados maus. O veneno fica sendo veneno, mesmo dissimulado e servido em pequenas doses; e ele produz seu efeito, tanto mais infalivelmente, quanto menor é a desconfiança com se o toma.

Mas, direis, é esta leitura realmente tão perigosa, tão perniciosa? São Paulo dá aos primeiros cristãos este aviso: “Não vos deixeis seduzir; as más conversações corrompem os bons costumes.” (I. Cor. XI. 23.) Se o mundo de então houvesse sido inundado de maus livros e jornais como o de hoje, o Apóstolo teria prevenido os cristãos contra a má imprensa com a mesma energia. Segundo testemunho de São Paulo, as más companhias e conversações são perniciosas. Cumpre dizer o mesmo das más leituras. Não se estabelece um íntimo comércio entre o leitor e o livro? Na leitura bem como na conversação dá-se uma troca de ideias e de sentimentos, ou antes o leitor se compenetra imperceptivelmente dos princípios expostos no livro; e se estes princípios são errôneos, seu espírito também se vai pervertendo; todas as paixões que se agitam no livro, passam, por assim dizer, para o seu coração. Dizemos, pois, com toda a razão: as más leituras corrompem os bons costumes.

Donde vem que muitos cristãos, precisamente nas classes ilustradas, chegam a duvidar das verdades fundamentais da nossa santa religião? Donde vem que tão grande número delas se precipita no abismo dos prazeres carnais, arruinando assim ao mesmo tempo sua alma e seu corpo? Donde vem finalmente, que em muitas regiões a vida religiosa se atrasa a olhos vistos, e que mesmo entre as populações rurais, diminuem o amor à Igreja e a confiança no clero? Não cremos enganar-nos atribuindo a causa de todos esses males em grande parte à má imprensa.

“Não vos deixeis seduzir, porque as más leituras corrompem os bons costumes. Este aviso não é endereçado somente aos pobres e simples, é dirigido a todos vós, qualquer que seja vosso estado ou condição. E notem bem, que isto não é um simples conselho, é antes um verdadeiro preceito que obriga em consciência. Por conseguinte não são somente culpáveis nesta matéria os que compõem, imprimem, e espalham os maus escritos, porém ainda todos aqueles que, sem desculpa legítima, retêm e leem estes livros e folhas.” Eis as palavras do Mons. Senestrey, bispo de Ratisbona.

Até que ponto a má imprensa contribui para arruinar a vida cristã e religiosa, mostra-nos claramente o exemplo da França. A decadência religiosa que verificamos nesse país, é em grande parte a obra da má imprensa. A separação da Igreja do Estado, a escola sem Deus, o esbulho das igrejas, tudo isso não foi possível senão porque a imprensa havia conseguido inocular à maioria do povo francês a indiferença religiosa e o ódio à Igreja, porque a má imprensa tinha roubado ao povo a fé de seus pais.

Como apoio desta afirmação temos o testemunho do próprio Combes, um dos mais infernais perseguidores da Igreja na França. No seu número 29 de março de 1908 a “Neue Freie Presse” de Viena publicou as seguintes palavras dele: “A fé católica, a qual a filosofia do século 18 não combatera senão nos salões, por obras de grande fôlego e custo está agora expsota aos ataques quotidianos da parte do livre pensamento nas folhas populares e brochuras baratas. Este trabalho de crítica, que é tão frutuoso, pois que, penetrando nas massas do povo, excita o interesse geral, foi…naturalmente feito com tanto maior ardor quanto o sucesso coroava os esforços. Posso afirmar sem temeridade que a imprensa radical (ímpia) e socialista roubou à Igreja dois terços, talvez até três quartos de seus fiéis.” – Estas palavras de um dos inimigos mais violentos da Igreja no princípio do século 20, contêm uma grave acusação contra todos aqueles, que sem exame e sem reflexão, não só leem todos os dias a imprensa envenenada, inimiga de Cristo e de sua Igreja, mas também permitem que esta mesma imprensa tenha livre entrada em seus lares.

2) Com relação à leitura de revistas e jornais hostis à Igreja e relativamente a artigos e noticias que alguém deseje publicar neles, diz Leão XIII nos números 21 e 22 de sua constituição “Officiorum”, do ano de 1897: “Os jornais e revistas que atacam a religião e os bons costumes, são proibidos pela lei natural e eclesiástica. Os católicos não podem nada publicar neles, sem uma causa justa e razoável”.

Interpretando esta mensagem, o Dr. Triller, vigário geral de Eichstatt, se exprime nestes termos: “Por estas palavras da constituição é proibido, sob pena de pecado, favorecer com assinaturas, inserção de anúncios ou comunicações as folhas que trabalham para destruir a religião e os costumes. Não pode haver exceção senão por motivos graves. Se, por causa de seus hóspedes e fregueses, os hoteleiros são obrigados a por uma folha acatólica à disposição dos viajantes, devem ter ao lado deste um jornal católico. Todos os católicos que por sérios motivos não podem deixar de assinar um jornal acatólico, assinarão também uma folha católica afim de se premunirem contra a influência nefasta do primeiro. Indesculpáveis, enfim, são os cristãos que pelas razões mais fúteis recebem ou leem folhas perigosas para a fé e os bons costumes.” (1)

3) Por motivos especiais, muitos livros perigosos para a fé e os costumes tem sido condenados pela Igreja, não só geralmente, mas nominalmente e em particular. A lista destes livros assim proscritos, com especificação dos autores e títulos chama-se “Index dos livros proibidos”.

Quem julgar não poder contentar-se com estas indicações, pode dirigir-se a um confessor experimentado. Há muitas questões nesta matéria que mais facilmente se resolvem em cada caso particular do que por regras gerais e destinadas para todo o mundo.

(1) Discurso pronunciado em Munich em 2 de Junho de 1902.

Do livro: O Cristão Prático de R. P. Fructuoso Hockenmaier O. F. M.

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