Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
oração de agradecimento na hora das refeições, por Eric Enstrom, 1918, retratando o caixeiro viajante Charles Wilden em Bovey, public domain - Wikimedia Commons

Grande utilidade das orações jaculatórias

Quando as pavoas chocam em lugares bem brancos, os filhotes também saem branquinhos; e, quando as nossas intenções estão no amor de Deus ao projetar-mos alguma obra boa, ou ao nos lançar-mos em alguma vocação, todas as ações que se seguem tomam o seu valor e tiram a sua nobreza do amor onde têm a sua origem; porquanto, quem não vê que as ações que são próprias para a minha vocação, ou requeridas para o meu desígnio, dependem dessa primeira eleição e resolução que fiz?

Mas não se deve para aí; porém, para fazer excelente progresso na devoção, é mister não só, no começo da nossa conversão e depois todos os anos, destinar a nossa vida e todas as nossas ações a Deus, mas também oferecê-las a Deus todos os dias, pois nesta renovação diária da nossa oblação difundimos nas nossas ações o vigor e a virtude da dileção, por uma nova aplicação do nosso coração à glória divina, sendo Ele, por esse meio, cada vez mais santificado.

Além disso, apliquemos cem e cem vezes ao dia a nossa vida ao divino amor pela prática das orações jaculatórias, elevações de coração e retiros espirituais; pois estes santos exercícios, lançando e atirando continuamente nossas mentes em Deus, a Ele levam em seguida todas as nossas ações. E, dizei-me, como poderia ser que uma alma que a todo momento se lança na divina Bondade e suspira incessantemente palavras de amor, para manter sempre o coração no seio do Pai Celeste, não fosse julgada como fazendo todas as suas boas ações em Deus e por Deus? Aquela que diz: Oh, Senhor, sou vossa, meu Bem-amado é todo meu e eu sou toda sua; meu Deus, sois o meu tudo; ó Jesus, sois a minha vida; ah! quem me fará a graça de morrer a mim mesma a fim de só viver para vós!” Ó amar! Ó encaminhar-se! Ó morrer a si mesmo! Ó viver para Deus!” Ó estar em Deus! Ó Deus! aquilo que não é vós mesmo não é nada para mim! – essa alma, digo, não dedica continuamente suas ações ao celeste Esposo? Oh! que bem-aventurada é a alma que fez uma vez bem a destituição e a perfeita resignação de si mesma nas mãos de Deus, como falamos acima! Porque, ao depois, ela só tem que fazer um pequeno suspiro e olhar para Deus para renovar e confirmar a sua destituição, resignação e oblação, com o protesto de nada querer senão a Deus e por Deus, e de não amar a si nem coisa alguma no mundo, senão em Deus e pelo amor de Deus.

Este exercício das continuas aspirações é, pois, mui próprio para aplicar todas as nossas obras ao amor, mas principalmente basta muito abundantemente para as ações diminutas e comuns da nossa vida.

Ora, neste exercício do retiro espiritual e das orações jaculatórias está a grande obra da devoção: ele pode suprir a falta de todas as demais orações, mas a ausência dele quase não pode ser reparada por nenhum outro meio. Sem ele não se pode fazer bem a vida contemplativa, e só mal se poderia fazer a vida ativa; sem ele, o repouso não passa do ócio, e o trabalho de embaraço; eis por que vos suplico abraçá-lo de todo o vosso coração, sem jamais vos apartardes dele.

O Segredo da Salvação, A Lembrança da presença de Deus e as Orações jaculatórias, extraído das Obras de S. Francisco de Sales, por Fernando Millon, Missionário de S. Francisco de Sales, 1952.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico