O Poder de Jesus – Terceiro Domingo da Quaresma

Ó Jesus, Fortaleza divina, venho a Vós para procurar apoio para a minha fraqueza, para a minha enfermidade.

1 – Desde o primeiro Domingo da Quaresma, a Igreja tem-nos apresentado Jesus em luta contra o demônio. Enquanto então no-lO apresentava em humilde atitude de defesa perante as tentações do maligno, hoje mostra-no-lO em atitude de ataque e de vitória estrondosa.

Eis um pobre possesso, diz o Evangelho (Lc. 11, 14-28), “que era mudo”; Jesus com um só ato do Seu poder divino, expulsou o demônio e, logo depois de ter saído o demônio, “o mudo falou e as multidões ficaram maravilhadas”. Mas o inimigo, querendo vingar-se da derrota, insinua aos fariseus uma abominável calúnia: “Ele expele os demônios em virtude de Beelzebub, príncipe dos demônios”. Jesus é acusado de esta endemoniado, de ter recebido do demônio o poder de libertar o possesso. O Senhor quer então desmascarar completamente o inimigo e com lógica cerrada responde que Satanás não poderia ter-lhe dado semelhante poder porque nesse caso estaria a cooperar na destruição do seu próprio reino. Não, não podia ser assim: Jesus expulsa os demônios “em nome de Deus”, isto é, pela virtude divina. Se Satanás é forte e os seus satélites lutam com ele para reinar sobre o homem, Jesus é-o ainda mais e há de vencê-lo, arrebatando-lhe a presa. Ele veio para destruir o reino de Satanás e para instaurar o reino de Deus.

Deus permite ainda hoje que o demônio trabalhe e procure arrastar os indivíduos e a sociedade para o mal, mas sabemos que Jesus, morrendo sobre a cruz, derramou já o Seu Sangue, preço da nossa vitória. Este preço está à nossa disposição: com a virtude de Cristo, com a graça de Cristo, todo o cristão será capaz de vencer qualquer ataque do inimigo. Não nos deixemos atemorizar pelos triunfos do mal; não são mais que triunfos aparentes, pois Jesus é o mais forte, o único e supremo vencedor.

2 – Para fazer nossa a vitória de Cristo sobre o mal, é evidentemente necessária a nossa colaboração. E o próprio Jesus, no Evangelho de hoje, apresenta-nos dela variados aspectos.

“Todo o reino dividido contra si mesmo será derrubado”; o Senhor afirma assim que a união é o segredo da vitória. Acima de tudo, união com Ele, porque sem Ele nada podemos fazer; e depois, união com o próximo. Se queremos trabalhar para o triunfo do bem, colaboremos – com um só coração e uma só alma – com os nossos superiores e com os nossos irmãos. Na luta pelo bem podíamos, muitas vezes, fazer muito mais se, renunciando aos pontos de vista pessoais, soubéssemos trabalhar de perfeito acordo. Poderá talvez ser necessário renunciar a ideias, a planos, a meios em si mesmos melhores, mas não nos deixemos enganar, o melhor é sempre a união. A divisão nunca levará à vitória.

“Quem não é por mim, é contra mim”, acrescenta Jesus. O cristianismo não admite indiferentes; quem não alinha decididamente nas fileiras de Cristo, quem não trabalha com Ele na difusão do Seu reino, só por esse fato se opõe a Ele, se opõe ao bem, é inimigo de Cristo e agente do mal. Omitir o bem que se podia e devia fazer é já fazer o mal e consentir no seu progresso.

A primeira condição para alcançar vitória sobre o mal é a colaboração ativa na obra de Cristo em união com os irmãos. A segunda é a vigilância. Jesus adverte-nos de que o inimigo do bem está à espreita e que, mesmo depois de ter abandonado uma alma, está pronto a voltar, mais forte do que antes, “com outros sete espíritos piores do que ele”, se a encontrar vazia e disposta para as suas emboscadas. O grande meio para impedir o progresso do mal é vigiar em oração, encher o coração de Deus para que nele já não haja lugar para o inimigo. E já não há lugar quando a alma está totalmente unida a Deus mediante a aceitação e o cumprimento da Sua palavra, da Sua vontade. Jesus responde à mulher que louva a Sua Mãe: “Bem-aventurados antes os que ouvem a palavra de Deus e a guardam”. Sim, Maria Santíssima é bem-aventurada por ter dado a vida ao Redentor, mas é-o muito mais por Lhe estar perfeitamente unida no cumprimento da Sua palavra. Esta bem-aventurança não é exclusivamente de Maria, mas é oferecida a todas as almas de boa vontade e é a maior garantia da vitória sobre o mal. Quem está unido a Deus torna-se forte da Sua própria fortaleza.

Colóquio – “Os meus olhos estão sempre voltados para Vós, ó Deus, pois podeis tirar do laço os meus pés. Olhai para mim e tende piedade de mim, porque eu vejo-me só e aflito. Guardai a minha alma e livrai-me; não seja eu confundido por ter recorrido a Vós” (Sal. 24, 15-20).

Ó Trindade eterna, ó alta e eterna Trindade, Vós nos destes o Vosso doce e amoroso Verbo. Ó doce e amoroso Verbo, Filho de Deus, assim como a nossa natureza é fraca e inclinada para todo o mal, assim a Vossa é forte e inclinada para todo o bem, pois Vós a recebestes do Vosso Pai eterno e onipotente. Vós, doce Verbo, fortalecestes a nossa natureza fraca, unindo-Vos a ela. A nossa natureza é fortificada por essa união, pois a nossa fraqueza desaparece em virtude do Vosso Sangue. Somos também fortificados pela Vossa doutrina porque o homem que a segue na verdade e se reveste perfeitamente dela, torna-se tão forte e apto para o bem, que quase nem sente a rebelião da carne contra o espírito e pode vencer todo o mal. Vós, ó Verbo eterno, tirastes a fraqueza da nossa natureza com a fortaleza da natureza divina que recebestes do Pai e nos destes por meio do Sangue e da doutrina.

“Ó Sangue dulcíssimo, Vós fortificais a alma, Vós a iluminais, a tornais angélica, a cobris de tal modo com o fogo da Vossa caridade que, esquecendo-se em tudo de si mesma, nada pode ver fora de Vós.

Ó doutrina de verdade, tanta força infundis à alma revestida de Vós que nem as adversidades nem as penas ou tentações a farão jamais desfalecer, mas em cada batalha obtém esmagadora vitória. Que miserável sou, porque não Vos segui, ó verdadeira doutrina, por isso sou tão fraca que a menor tribulação me abate!” (Sta Catarina de Sena).

Intimidade Divina, Meditações Sobre a Vida Interior Para Todos os Dias do Ano, P. Gabriel de Sta M. Madalena O.C.D. 1952.

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