Os Quarenta Mártires de Sebaste

Os quarenta mártires de Sebaste*

Era imperador Constantino o Grande, quando a cidade de Sebaste na Armênia, viu o grandioso espetáculo da morte de quarenta soldados, mártires de sua convicção religiosa. Licínio, governador daquela região, inimigo do cristianismo, a exemplo dos antigos perseguidores da Igreja de Cristo, abriu forte campanha contra o nome cristão, exigindo de todos os seus súbditos sujeição incondicional às divindades pagãs, sob pena de morte. Também em Sebaste foi publicada a ordem do governador. Os primeiros cristãos que se apresentaram à autoridade local, eram quarenta soldados da legião ali estacionada. Agricola, o prefeito da cidade, vendo-se diante dos militares, disse-lhes: “Legionários guerreiros invencíveis, que tantas vitórias colhestes no campo da honra, mostrai agora vosso zelo no serviço de Deus e oferecei incenso aos deuses.” Eles, porém, responderam: “Até agora combatemos e vencemos em serviço dum senhor mortal; agora queremos lutar e vencer sob a bandeira de Jesus Cristo, que é Deus verdadeiro e a quem devemos adoração”. Agricola disse: “Se não quiserdes dar ouvido aos meus benévolos conselhos, temos meios para vos fazer lembrar a obediência que deveis às ordens superiores”. Os soldados responderam: “Não há necessidade nenhuma de nos ameaçares; só tens poder sobre o nosso corpo. Se recebemos ferida na defesa do imperador, nada tememos quando é para defender a causa de Deus, Nosso Senhor”. Agricola, vendo que tinha diante de si homens resolutos, outra coisa não soube fazer, que os mandar encarcerar e maltratar com ganchos de ferro e correntes. Quando chegou Lysias, o comandante da legião, empregou também todos os meios, para conseguir dos seus súbditos que homenageassem os deuses. Tudo foi em vão, os soldados ficaram firmes. Lysias inventou então uma tortura crudelíssima. Reinava um frio muito intenso, ordenou ele então que os soldados fossem despidos e expostos num lugar onde soprava um vento rijo. Três dias permaneceram os heróis de Cristo neste martírio. Lysias tinha dado providências para que ficasse de prontidão um abrigo onde os condenados pudessem achar alivio e banhos quentes. Os mártires, porém, se animaram à perseverança até o fim: “Somos quarenta, Senhor, que entramos na luta. Concedei-nos que quarenta recebamos a coroa da glória! Que não falte nenhum de nós. Venerável é o número, santificado pelo vosso jejum de quarenta dias, precursores da vossa santa lei. Elias, procurando o Senhor, preparou-se por um jejum de quarenta dias”.

Na terceira noite deu-se um espetáculo maravilhoso. A sentinela, que por ordem superior vigiava os sentenciados, viu uma grande multidão de anjos descer sobre os pobres soldados, oferecer-lhes alívio e coroas preciosíssimas. Só um ficara excluído deste favor. De fato, um dos quarenta, vencido pela dor, tinha-se separado dos companheiros, procurando o banho quente. Mal entrara na água quando uma morte repentina pôs termo à sua existência. Morreu apóstata, quem estava no ponto de receber a palma do martírio. O guarda, iluminado e fortificado pela graça divina, despe-se, confessa solenemente, que é cristão e como cristão quer morrer em lugar do desertor.

Na manhã do quarto dia soube Agricola o que tinha acontecido. Dos quarenta Mártires sobrevivera só um, de todos o mais moço. Agricola deu ordem para que os cadáveres fossem queimados, e para este efeito fez-se uma enorme fogueira.

A mãe do jovem soldado, vendo-o ainda com vida disse-lhe: “Meu filho tem paciência ainda um pouco! Cristo está na porta a bater. Tem confiança no seu auxílio!” Quando soube que o iam reter na esperança dele abandonar sua religião, tomou-o sobre seus ombros e levou-o atrás da carroça que carregava os cadáveres dos Mártires, animando-o sempre a perseverar. O moço morreu nos braços da mãe a qual, tendo chegado ao lugar da cremação, atirou com o cadáver ao fogo, para que na morte, não fosse separado daqueles, com que estava unido na fé e no martírio.

Em panegíricos grandiosos e eloquentíssimos S. Basílio, S. Gregório de Nissa tecem grandes elogios a estes santos mártires e à mãe do último. Santo Efrem, tratando da perseverança dos quarenta Mártires de Sebaste diz o seguinte: “O grandioso espetáculo que estes Mártires apresentam, envergonha a sabedoria dos filósofos e a eloquência dos oradores. Tirano e juiz observam pasmos e estupefatos a fé, a coragem e prontidão destes valentes soldados. Que desculpa poderemos nós apresentar ao tribunal de Jesus Cristo, nós que livres de perseguição e tortura, deixamos de amar a Deus e trabalhar na salvação de nossa alma?”

REFLEXÕES

1- Soldados mártires! Mártires soldados” A classe militar tem seus Santos também. Ser soldado vai muito bem com o caráter de católico e virtuoso. A S. João Batista apresentava-se soldados e ele lhes admoestava que se contentassem com seu soldo, que não espancassem e caluniassem a ninguém. O soldado deve como todo cristão, observar os mandamentos da lei de Deus; deve, para se conservar no caminho do bem, evitar os pecados tão frequentemente domiciliados na caserna, como sejam: a blasfêmia, a maledicência, o jogo, a intemperança, a desobediência e desrespeito à autoridade, a impureza em pensamentos, palavras e obras. O soldado deve fugir da ociosidade e da má companhia, receber frequentemente os santos sacramentos, fazer suas orações cotidianas. O estado militar exige muitos sacrifícios, sacrifícios maiores às vezes que a vida no convento da Ordem mais rigorosa. Quanta ocasião não se oferece ao bom soldado, de praticar a virtude da obediência e paciência por amor de Deus! Quantos merecimentos não terá um bom soldado que toma sobre si as onerosíssimas obrigações que seu estado lhe impõe! Lembre-se ele do juramento que fez de ser cumpridor de seu dever na paz e na guerra em defesa do direito e de sua pátria. Não murmureis, pois, contra a vossa sorte, se a pátria e as leis em vigor vos chamarem ao serviço militar; sujeitai-vos como cristãos, porque é o Evangelho que manda obedecer à autoridade, que não leva em vão a espada. (Rom. 13.1).

Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume I, 1928.

* Imagem dos santos não disponível.

Este texto foi útil para você? Compartilhe!

Deixe um comentário