Santo Antônio de Pádua

Santo Antônio de Pádua † 1231

Poucos são os Santos que com San­to Antônio poderão rivalizar em popularidade no povo católico. Sua festa é celebrada com grande pompa e alegria e todos com confiança a este Santo se dirigem nas suas necessidades materiais e espirituais.

Santo Antônio pertence ao século treze. Seu nome antes de sua entrada na Ordem franciscana era Fernando. Acredita-se que era descendente de família nobre, oriunda da França, que na grande empresa das cruzadas prestou grandes serviços ou a Affonso VI de Castilha contra os Mouros ou tomou parte ativa na reconquista de Lisboa dos Mahometanos. Nascido em Lisboa em 1195 recebeu sua primeira instrução na escola da Catedral. Na idade de apenas 15 anos entrou no convento dos cônegos de Santo Agostinho. Como, porém, o fácil acesso dos parentes ao convento se lhe tornasse prejudicial, pediu e alcançou sua transferência para o mosteiro mais austero de Coimbra. Lá ficou dez anos, dedicando este tempo todo à oração, às funções sacerdotais e ao estudo da teologia.

Um fato extraordinário causou uma transformação na vida de Santo Antônio. Os Franciscanos possuíam em Coimbra um pequeno convento, não muito distante do mosteiro dos cônegos regulares. Em certa ocasião passaram por Coimbra cinco missionários Franciscanos com destino à Marroques, onde pretendiam pregar a fé cristã aos Mahometanos.

Estes missionários acharam em Marroques a morte do martírio e em 1220 voltaram seus cadáveres e foram com grande solenidade expostos na igreja do Convento, onde se achava Antônio. Com a licença de seu Priór pediu o hábito de S. Francisco, mudou-se para o Convento dos Franciscanos e tomou o nome de Antônio. No mesmo ano vemo-lo em companhia dum Irmão na viagem para África. O homem põe, Deus dispõe. Acometido duma febre violenta viu-se obrigado a voltar para Portugal; uma grande tempestade no alto mar, porém, desorientou o rumo do navio, que aportou na Sicília, Era no ano em que uma circular de S. Francisco convidava seus religiosos para se reunir num capítulo geral em Assis.

Compareceram 3.000 frades e entre tantos religiosos Antônio desaparecia. Ninguém o conhecia e parece que mesmo São Francisco não lhe dava atenção. Quando pelo fim do capítulo os frades receberam cada um seu destino, somente Antônio ficou como estranho à disposição do vigário geral da Ordem. Afinal achou um Superior na pessoa do Frei Graciano, Provincial da Romana, e com ele seguiu. Seu único ofício era celebrar Missa num pequeno convento da proximidade de Forli, onde diversos confrades, cujo estado de saúde reclamava descanso, viviam em comunidade. Os nove meses que Antônio lá ficou, passou-os na mais completa solidão em uma pequena ermida, entregue a práticas de piedade e de penitência. Aconteceu que em Forli assistisse à ordenação de diversos religiosos. Na falta de um pregador, o Provincial ordenou a Antônio que dirigisse umas palavras de edificação aos neo-presbíteros. Obediente à ordem recebida, Antônio fez uma alocução que a todos deixou cheios de admiração. Foi esta a hora da revelação de um grande talento que até então por todos era ignorado. Uma vez conhecido, os Superiores o puseram à luz, e começou a obra grandiosa e benéfica de Santo Antônio como missionário.

S. Francisco, vendo a necessidade de proporcionar aos futuros missionários uma instrução que os pudesse à altura do seu ministério, viu em Antônio o personagem idôneo para desempenhar vantajosamente o papel de mestre e nomeou-o “Lector” de Teologia. Grande era ao mesmo tempo sua atividade como pregador na Romana onde a seita dos cátaros se estendia com rapidez assustadora. Mandado por São Francisco ao Sul da França, com S. Domingos abriu campanha contra os Albigenses. Já naquele tempo Deus distinguiu seu servo com o dom dos milagres. Sua palavra eloquente e arrebatadora, a santidade de sua vida e número cada vez mais crescente dos milagres fizeram com que a heresia sofresse sérios revezes. Após a morte de São Francisco, Antônio continuou suas pregações na Itália e desde Florença até Udine, de Milão até Veneza não havia cidade que não tivesse admirado a eloquência e os milagres estupendos do Santo Missionário.

No ano de 1230 assistiu como Provincial de Milão ao capítulo geral da Ordem em Assis onde fez enérgica repulsão às idéias inconstitucionais de frei Elias. Mandado a Roma para apresentar ao Papa Gregório IX uma nova redação da regra sobre o voto ela pobreza, nesta mesma ocasião pregou diante do colégio cardinalício. Tanto era o conhecimento da Escritura Sagrada de que naquele discurso deu prova, que o Papa o distinguiu com o título honroso de “Arca dos dois Testamentos”. Desde o ano de 1230 o campo exclusivo de sua ação era a cidade de Pádua, importante por sua riqueza, seu poder e sua universidade. Antônio lhe tinha amor por causa do espírito religioso do seu povo e pelo infortúnio que a entregara ao despotismo de Ezzelino III. Sua palavra se dirigiu contra a heresia, a corrupção dos costumes e a usura. Muitas inimizades foram por ele exterminadas e muitos encarcerados alcançaram a liberdade por seu intermédio. Apesar de sua saúde bastante debilitada, era incansável no púlpito e no confessionário. As igrejas eram pequenas para comportar o povo que afluía às suas predicas.

O resultado grandioso dos seus trabalhos é motivado por três causas. A primeira era sua grande santidade. Antônio era homem de Deus e o povo chamava-o simplesmente “O Santo”. A segunda era o seu zelo e o modo particular de pregar. Como S. Francisco também Antônio se servia da linguagem popular, tomando a sagrada Escritura, os Santos Padres por base de sua argumentação.

Os hereges refutava-os não tanto por argumentação filosófica e teológica, mas desmascarando suas intenções e práticas. S. Antônio talvez não fosse orador tão brilhante, mas o que dava força às suas predicas era a simplicidade, clareza e naturalidade com que falava. Finalmente os milagres que fazia eram o terceiro fator que poderosamente concorreu para seus trabalhos na vinha do Senhor terem tanto sucesso. É esta a nota característica na viela de S. Antônio. “Se procurais milagres – diz S. Boaventura no hino que compôs em honra do Santo – “ide a Antônio”.

Santo Antonio é o taumaturgo do seu século. Quem é que não tem lido ou ouvido falar da mula que por ordem do Santo se prostrou de joelhos na presença do Santíssimo Sacramento; dos peixes que vieram à tona d’agua para ouvir as palavras de Antônio; das profecias e revelações de segredos íntimos, das curas maravilhosas e ressurreição de mortos? Certo é que poucos Santos como Santo Antônio têm possuído o dom de fazer milagres, dom ele que com tanta amabilidade se serviu para atrair os corações e dirigi-los a Deus.

Antônio morreu no ano de 1231. Seu corpo foi sepultado em Pádua na igreja de Nossa Senhora. Os milagres que lá se deram, puseram em movimento a Itália toda. Centenas de procissões se dirigiram ao túmulo do pobre Franciscano e milhares de devotos chegaram descalços para render homenagem ao grande amigo de Deus. Sua canonização teve lugar em 1256. Quando em 1263 foi exumado e transferido seu corpo, descobriu-se que a língua estava intacta enquanto tudo o mais tinha pago o tributo à decomposição. Neste estado de conservação perfeita ela é exposta até hoje à devoção dos fieis.

Duas virtudes encontram-se na vida de Santo Antônio: a simplicidade e humildade. Amigo de Jesus humilde, este se digna comunicar-se a seu Amigo e em figura de menino descer aos seus braços e permitir que o cobrisse de suas carícias. Santo Antônio procurou o martírio: Belo seria ele com a palma da vitória. Mais belo é tendo em seus braços o menino Jesus, a coroa dos Mártires.

O amável e glorioso Santo Antônio é invocado por seus devotos para fazê-los achar objetos perdidos. Prouvera a Deus que em nós encontre um coração cheio de amor e abnegação.

REFLEXÕES

Santamente embora como viveu Santo Antônio, sua vida foi uma constante preparação para a morte. Muitos cristãos não se preocupam com a morte e vivem como nunca lhes havia de soar a hora da partida para à eternidade. No entanto é a meditação sobre a morte uma das mais úteis, conseguindo ela, se aliás for bem feita, o completo desapego das coisas deste mundo que tão facilmente nos fazem desviar do caminho da salvação.

“A sabedoria – diz o Espírito Santo é encontrada nos túmulos.” Uma visita corporal ou em espírito ao cemitério é sempre de grande utilidade. A retórica dos túmulos e dos ossos neles encerrados, sei bem que muda é eloquentíssima. Se, como por ordem do profeta pudesses chamar à vida todos que ali estão sepultados, o que te diriam eles? “Insensatos, que fomos! Porque não quisemos compreender antes o que nós éramos e o que um dia seríamos! Só no mundo pensamos, só para ele vivemos, e o mundo de nós não mais se lembra. Os bens que deixamos, ficaram nas mãos de outros e para a eternidade nenhuma providência tomamos. Insensatos que fomos! – Mais ou menos falariam desta maneira. Tira, pois, as conclusões em teu proveito.

Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume I, 1928.

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