Termo: Amor

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Amor é a complacência do amante no amado, é um movimento unitivo da alma, que se compraz no bem, um atrativo poderoso que nos impele para um objeto, ou por causa da sua bondade (amor de benevolência), ou pelas vantagens que a sua posse nos oferece (amor de concupiscência). A origem do amor encontra-se na simpatia natural que existe entre a vontade e o bem; simpatia tal que não é possível a vontade aperceber-se do bem sem que se mova a amá-lo. É tão estreita a relação que existe entre a vontade e o bem, que sendo-lhe proposto o mal sob aparências de bem, também o ama, mas detestá-lo-ia se o apreendesse como mal.

O amor de Deus causa bondade nas coisas; em nós causa amor. Deus deve ser amado sobre todas as coisas, e devemos amar a Deus mais do que a nós mesmos. Disse Jesus: «Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças» (Ev. S. Mar. XII, 30). Para cumprir este preceito, devemos: procurar conhecer Deus e a sua Lei, ter as nossas afeições unidas a Deus, preferir Deus a tudo, dedicar as nossas forças ao serviço de Deus, tomar Deus como objeto principal dos nossos pensamentos. O amor a Deus manifesta-se não tanto por palavras como por obras; assim o disse Jesus: «Se me amas, guarda os meus mandamentos. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama» (Ev. S. Jo. X V , 15 e 20).

O nosso amor próprio, ou o amor que temos a nós mesmos, posto que seja natural e bom, dentro dos justos limites, por causa dos excessos a que arrasta, torna-se um agente muito perigoso. O amor desordenado de nós mesmos é o princípio de toda a culpa, e é origem de todas as paixões más, e de todas as desordens da vida. Por isso é preciso combater eficazmente o amor próprio, até que se sujeite e se submeta ao que o amor de Deus exige, e não subtraia o que ao amor do próximo é devido.

Devemos amar o próximo como a nós mesmos. Assim foi preceituado por Jesus Cristo, dizendo: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Ev. S. Mat. X X I I , 39). E acrescentou: «Assim como quereis que vos façam os homens, da mesma sorte fazei vós a eles também» (Ev. S. Luc. VI, 31). O amor ao próximo tem olhos que vêem as necessidades de seja quem for, tem ouvidos que ouvem as súplicas dos necessitados, tem coração que se compadece das misérias alheias, tem mãos que praticam o bem, tem pés que caminham em procura das misérias escondidas. E, se tem dinheiro, tem também uma bolsa sempre aberta para socorrer os pobres que necessitam de dinheiro.

De entre o nosso próximo, os nossos consangüíneos devem ser mais amados que os outros, e os filhos mais do que os irmãos.

Devemos amar os nossos inimigos, não como inimigos, mas por serem nosso próximo. Também é preceito de Jesus Crislo: «Amai os vossos inimigos; fazei bem aos que vos têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam» (Ev. S. Mat. V, 44). «O nosso amor para os nossos inimigos, é verdadeiro quando nos não afligimos da sua prosperidade ou quando nos não alegramos de suas perdas e angústias», diz São Gregório Magno.

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