Ah! meu Deus, não quero mais que o demônio reine na minha alma; quero que sejais Vós o seu único senhor e proprietário. Quero renunciar tudo para ganhar a Vossa graça: a mil coroas e a outros tantos reinos a prefiro. Ai! a quem devera amar senão a Vós, amabilidade infinita, bem infinito, beleza, bondade, amor infinito! No passado, Vos deixei pelas criaturas; a lembrança de ter ofendido a Vós, que tanto me haveis amado, será uma espada que me há de traspassar sempre o coração. Desde que me prendestes por tantos benefícios, ó meu Deus, não posso mais ver-me privado do Vosso amor. Amado meu, tornai toda a minha vontade, tudo o que me pertence, e de mim fazei o que fordes servido. Se outrora me entreguei a sentimentos opostos, disto Vos peço perdão. Dulcíssimo Senhor meu, não quero mais me queixar das disposições da Vossa providência; sei que todas são santas e vantajosas para mim. Fazei, ó meu Deus, o que quiserdes; prometo-Vos declarar-me sempre contente, e Vo-las agradecer sem cessar. Fazei que Vos ame, e completos serão os meus desejos. Não mais riquezas! não mais honras! não mais mundo! Deus, Deus, não quero senão a Deus. Quão ditosa sois, ó Maria, por não terdes amado senão a Deus sobre a terra! obtende-me a graça de amá-lo convosco no restante dos meus dias.
As Mais Belas Orações de Santo Afonso, Coordenadas pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista e vertidas para o vernáculo por D. Joaquim Silvério de Sousa, Editora Vozes, 1961.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico