Reflexão e Conversão

A inexcedível grandeza de São José, depois de Maria Santíssima, entre todos os Santos

Santo, é o primeiro título com que invocamos o glorioso patriarca. A santidade é comum a todos os bem-aventurados que reinam com jesus Cristo no céu, coroados de glória; mas São José tem a preeminência a que lhe dão direito os seus méritos singulares e extraordinários: ele é o primeiro e maior dos Santos, como esposo da Santíssima Virgem e pai adotivo do Filho de Deus. Recomendando aos fiéis o culto de São José, diz o Papa Leão XIII, na sua terceira encíclica sobre a devoção do rosário:

“É tão sublime a dignidade de Mãe de Deus, que nenhuma outra coisa maior pode haver.

Mas, porque entre São José e a Santíssima Virgem subsistiu o vínculo do matrimônio, não há dúvida que ele mais do que ninguém se aproximou da excelsa dignidade pela qual a Mãe de Deus sobressai imensamente a todas as naturezas criadas.

Se Deus deu São José por esposo à Virgem, certamente lh’o deu para que fosse não somente companheiro da vida, testemunha da virgindade, protetor da honestidade, mas também participante da sua excelsa dignidade, mediante o vínculo conjugal.

Igualmente é ele o único que se avantaja a todos os homens em sua dignidade augustíssima, porque foi por disposição divina, guarda do Filho de Deus, e, na opinião dos homens, tido por seu pai [1]”.

Ora, se foi São José quem mais se aproximou da dignidade de maria como Mãe de Deus, se até participou dessa dignidade, e mereceu exercer sobre seu divino Filho, como guarda e protetor, uma autoridade quase paternal, que virtudes, que mérito, que grandeza, que santidade pode haver igual à sua entre os bem-aventurados do céu?

Ainda mais: “Dessa autoridade de pai adotivo, continua Leão XIII, resultou que o Verbo de Deus estivesse modestamente sujeito à José, lhe obedecesse e prestasse toda a honra que necessariamente devem os filhos a seu pai [2]”.

Ele, Jesus Cristo, Deus e Homem, e como Deus, eterno, imenso, onipotente, criador do céu e da terra, soberano Senhor do universo, Ele, a Majestade infinita, esteve sujeito a um homem a quem obedeceu e honrou como a seu pai!

Ora esse homem para ter a suprema dignidade de merecer a sujeição e a obediência do Filho de Deus, devia ser, depois de maria Santíssima, incomparavelmente Santo.

Se Maria como filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho e Esposa do Espírito Santo, é o templo da Santíssima trindade, São José que foi o guarda desse templo, deve ter a preeminência sobre todos os Santos.

Meditando sobre os outros títulos que lhe confere a Igreja, e sobre as eminentes virtudes que o exaltam, mais arraigado ficará em nossos corações este sentimento que nutrimos sobre a inexcedível grandeza de São José, depois de Maria Santíssima, entre todos os Santos.

Do Livro Florilégio de São José – Breves meditações para o mês de março – Escolas Profissionais Salesianas – Edição de 1911

(1) Encic. 15 de Agosto de 1889,
(2) Cit. Encic. de 15 de Agosto.

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