Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Em oração diante de Cristo Crucificdo
Mulher orando em São Marcos - Veneza por Ernest Meissonier 1815 - 1891 França

A Lei

Os trilhos

O trem corre veloz e seguro em direção à meta; duas fortes e reluzentes fitas de aço reduzem ao mínimo a resistência do atrito, disciplinam a poderosa energia que se desprende do seio do tremendo monstro, marcando o caminho seguro do ponto de partida ao de chegada.

O homem é uma criatura de Deus em viagem, rumo ao Céu. Possui inteligência para ver o seu caminho e a sua meta; tem vontade para decidir-se a seguir o caminho até o fim. Dotado assim de inteligência e vontade, acha-se apoiado em dois trilhos, seguros e resistentes,

A Igreja, assistida pelo Espírito de Verdade infalível, oferece ao homem um complexo de certezas que satisfazem a inteligência e a vontade. Para a inteligência há o “Credo”, que é o conjunto das verdades que devemos crer; para a vontade a “Lei”, isto é, o conjunto das normas que devemos praticar, a fim de chegarmos ao Paraíso.

Neste volume vamos estudar precisamente a segunda parte do Catecismo, que é a “Lei”.

Deus o quer

A pedra cai pela lei da gravidade. A semente lançada ao solo, aprofunda suas raízes e atira para o ar a hastezinha em obediência à lei do crescimento; o canário faz sempre do mesmo modo o seu ninho seguindo a lei do instinto. Os minerais, os vegetais, os animais obedecem à lei natural dada por Deus a todos os seres, a fim de que possam atingir os fins para os quais foram criados.

O homem deve atingir um fim muito superior. Deus, que é o Senhor absoluto, quer que ele o atinja infalivelmente. Deus, que á pai providente, não deixa faltar ao homem uma regra segura que lhe aponte o caminho da conquista de sua meta. Estas são as leis morais, diretivas das ações humanas, isto é, dos costumes (mores, em latim, quer dizer costumes, modo de proceder).

Deus nos manifesta estas leis principalmente de dois modos: por meio da consciência, e por meio do Decálogo. Vamos agora tratar da consciência.

A voz de Deus

Depois de haverem comido o fruto proibido, Adão e Eva sentem necessidade de se esconder. Caim, após haver assassinado Abel, caminha errante pelo mundo, oprimido pelo desespero.

Na primeira grande guerra (1914-18) um soldado havia assassinado um seu companheiro de campana. ninguém descobrira o crime. Depois de vários anos o assassino espontaneamente se apresentou ao tribunal suplicando que o fuzilem porque não mais podia suportar o tormento atroz que lhe roia o coração.

O tigre estraçalha a presa e dorme tranquilamente; o homem mata um seu semelhante, mas já não tem paz; sente em si alguma coisa que o remorde (remorso). Por que?

Eis o motivo: O homem é criado à imagem de Deus; conhece, portanto, o que é bom e o que é mau, isto é: o que agrada e o que desagrada a Deus. Por isso, antes de uma ação sente uma íntima advertência que lhe diz: “Está bem, podes fazer”, ou então: “Isso é mau, não faças!”

Assim é que se faz ouvir em nós a lei natural, que nos foi dada juntamente com a nossa natureza: uma regra que nos manda fazer o bem e fugir do mal; uma luz que nos aclara e indica o caminho a seguir. Todos a sentem, mesmo os selvagens, porque está gravada, por assim dizer, no coração do homem. A lei natural se manifesta por meio da consciência: voz da razão que nos faz distinguir o bem do mal.

A consciência é um dom de Deus; como todos os dons de Deus, é boa, mas nós a podemos estragar. Com efeito podemos ter uma consciência.

Verdadeira, quando ela afirma que é bom aquilo que realmente é bom, ou que é mau aquilo que é mau.

Falsa, quando ela afirma que mau o que realmente é bom, e que é bom aquilo que realmente é mau.

À porta de um cinema onde habitualmente se projetam filmes pouco recomendáveis estão dois meninos: Diz um deles: “Eu não entro porque sei que há perigo”. Este menino está atendendo à voz da sua consciência verdadeira. O outro ao contrário: “Pois eu vou; nunca vi nada de perigoso!…” Este deu ouvidos à sua consciência falsa.

Devemos trabalhar para formar uma consciência verdadeira, que nos aponte verdadeiramente a lei divina, que seja na realidade o eco da voz de Deus, porque a consciência falsa pode conduzir à ruína. Daí a necessidade de rezar, de pedir conselhos, de instruir-nos, especialmente com o estudo do Catecismo, a fim de termos uma consciência verdadeira, que à semelhança de sólida couraça, nos defenda a alma contra os assaltos do mal.

Do Livro: Luz do Céu, Curso de Religião, 3º tomo, Mandamentos e Virtudes, 11ª Edição, 1964.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico