Falta-me quase a coragem para tratar o assunto.
Ele é tão triste… quão horripilante. Devia ser intitulado: As mães que matam os seus filhos!
Lemos na história da Destruição de Jerusalém que a fome chegou a um ponto que não havia mais nada a comer na cidade, e desde que uma pessoa preparava qualquer coisa para o seu sustento, a soldadesca, desenfreada e atraída pelo cheiro da comida, invadia a casa e se apoderava do comestível que encontrava.
Uma infeliz mãe tinha visto desaparecer, uma após outra, toda a reserva de alimentação… só lhe restava o filhinho ainda no colo.
Desesperada pela fome e a insolência dos soldados, ela resolveu vingar-se.
No dia seguinte, um cheiro de assado envolvia a triste morada. Os esbirros acorreram e invadiram a casa, exigindo a sua parte.
A mãe recebeu-os sorrindo: Sim, guardai a vossa parte, exclamou ela, eu já comi o assado, mas a metade ficou guardada; e, abrindo-lhes o armário, ela tirou uma toalha branca que encobria o assado.
Os esbirros horrorizados ficaram como petrificados, viraram as costas e fugiram porta afora.
O que estava deitado no prato era a metade do filho que a desditosa mãe tinha imolado e assado, tendo comido já uma parte dele.
A pobre tresloucada gritou para os esbirros: Porque fugis? Não sêde mais delicados que uma mãe… se eu dele comi, porque tende vós receio de o comer?…
É horrível… Parece uma cena de barbaridade.
Mas ai de nós! É uma cena que diariamente se renova hoje em todos os países em milhares de casas por milhares de mães desgraçadas, e isto sem outra razão e não ser a vaidade e o amor do prazer.
Todos os dias a triste heroína de Jerusalém tem suas imitadoras.
Ela matou e assou seu filhinho, para não o ver morrer de fome, e não morrer de fome ela mesma.
As mães sem fé matam seus filhinhos, para evitar um perigo imaginário, para afastarem um pouco de trabalho, para mais facilmente poderem ir ao cinema, passearem e conservar a sua vaidade de borboletas que voltejam sem rumo e sem ideal.
Matam seu filhinho e assam-no na fogueira de sua crueldade sem entranhas.
Pobre mãe de Jerusalém, não ficastes uma simples lenda histórica, mas és uma precursora, um exemplo para as mães desnaturadas do século XX, o século do progresso científico e do regresso moral, o século do gozo material e da extinção do gozo maternal.
Oh! Mães desgraçadas, que matais, que assassinais e estrangulais os vossos filhos!
Dirão talvez que são casos excepcionais.
Não, não! São casos correntes, diários, de uma sociedade apodrecida, que só conserva do catolicismo o nome, e rejeita os encargos.
É o crime de milhares de mães… e milhares de vezes por dia, neste mundo afora.
Dize-me, ó mãe desnaturada: que diferença há entre matar uma criança depois de ela nascer, ou matá-la antes de nascer, ou impedir o seu nascimento?
É o mesmo crime horrível!
Ninguém é obrigado a casar-se; mas casando-se, tem a obrigação de cumprir os deveres do casamento.
O casamento tem por fim a criação e educação dos filhos.
Querer o prazer sem encargos: é um sacrilégio e abuso do sacramento do matrimônio.
Impedir, por uma infernal invenção de corrupção, que os filhos nasçam, é assassiná-los, pois deviam existir e não existirão.
Mães assassinas!
É o crime horripilante que excita a cólera de Deus.
É o cancro da sociedade atual.
É mais que paganismo, é mais que animalidade no matrimônio… é um crime contra a natureza, contra a vida, contra a moral, contra a honestidade, contra a sociedade, contra o matrimônio, contra a lei de Deus!
Oh! Mães desgraçadas, quando compreendereis a atrocidade de vosso crime!…
Antigamente, na lei do paganismo, e mais ainda na lei cristã, era uma honra o possuir uma numerosa família.
Corona senun filli fillorum… A coroa da velhice, disse o Espírito Santo, são os netinhos. (Prov. 17,6).
A vergonha da velhice dos casados é a falta de filhos, é a limitação da natalidade!
UMA VISÃO DE LÁGRIMAS DE SANGUE
Mães que matam seus próprios filhos.
Será possível?
É um fato; e este crime comete-se diariamente.
Há três modos de assassinar uma criancinha:
Matá-la depois de vir ao mundo.
Matá-la antes de nascer.
Matá-la antes de existir, não lhe permitindo vir à existência.
Este último crime é tão horrível quanto os dois primeiros.
Uma criança devia existir, conforme os desígnios de Deus; não existe, porque a mãe a repele.
Não existe quem deve existir. Não é isso um verdadeiro assassinato?
Quando morre uma destas mães desnaturadas, que durante a vida limitou, ela mesma, o número de filhos que queria ter, e revoltando-se contra a lei de Deus, que marcou este número, no livro da vida, parece-me ouvir um como longínquo gemido, choroso, soluçante: Mamãe! Mamãe!
São os filhos não existentes, que deviam ter existido, no plano divino, que eram destinados a esta mãe, desde toda a eternidade, mas que seu brutal egoísmo, sem discussão, havia varrido do caminho da existência.
Parece-me vê-los – anjinhos inocentes que nunca existiram, mas que deviam existir, chamando loucamente pela vida, como o olho anela a luz, como a sêde chama a água, como a fome reclama o pão, como os lábios dos afogados chamam por ar, como a matéria chama pela forma.
Pobres anjinhos do futuro; pareciam levantarem-se sem forma precisa, no sepulcro do “quase nada”, em que aguardavam aceitação da vontade do pai e da mãe, para virem à existência, para desdobrarem as suas azas e radiantes e belos, de feições rosadas, como a aurora, voarem felizes para a vida, para a existência.
Sentiam que o “Ser” lhes havia roçado… que a vida… a sua vida, havia passado muito perto, disposta a informá-los para a eternidade.
Deus lhes dissera, com a grande voz de seu amor: Eu vos escolhi… vos dei… uma mãe…esta mãe é…
A pesada pedra do porvir se levantara… os futuros anjinhos tinham intrevisto…
E depois?!
Sua mãe!…
Esta mulher casada, que devia estender-lhes os braços, ambos os braços, para apertá-los contra o seu peito; que devia dar-lhes um beijo com lágrimas de alegria, esta mulher lhes respondeu: Não, não!! Não há lugar!… não há dinheiro! e sobretudo me incomodaríeis!…
[…] a pedra gigante do porvir voltou a cair com todo o seu enorme peso, afogando o grito de “Mamãe! Mamãe! tende compaixão de nós!” grito suplicante, lançado pelos pequeninos que deviam existir, que deviam viver, que tinham, por ordem divina, direito de sentir o abraço e os beijos de uma mãe!
E ouvi de longe, num gemido abafado, a voz terna e suplicante, destas criancinhas futuras, sem mãe:
Mamãe! Mamãe! tende compaixão de nós!
Mamãe! Mamãe! Que mal fizemos para nos desprezardes deste modo?!
Mamãe, Mamãe, dai-nos a vida… deixai-nos viver.
…………..
E a mãe desnaturada, só preocupada com o prazer da natureza, com o gozo, num egoísmo brutal, não queria abrir o seu coração e os seus braços de mãe, para receber estes belos e luminosos anjos… ela preferia o seu comodismo, o prazer, a lama!
Vi tudo isso, e unindo a minha voz à dos pobres anjinhos repelidos da terra, solucei com eles… pedindo a Deus perdão, misericórdia, mas também justiça, para estes infelizes casais que não querem aceitar os filhos que Deus lhes destina.
Chorei, soluçando por longo tempo.
Ao levantar a cabeça dolorida, continuei a ver a visão, no meio das lágrimas que embaciavam o meu olhar…
Parecia-me ver as criancinhas enterradas vivas… e ouvi através da terra que as encobria os soluços de seu peito oprimido.
O ar livre e o sol as chamavam; os anjinhos do céu lhes cantavam um cântico amoroso, mas a pobre criancinha estava ali oprimida com a angústia de tormentoso “chegar a ser”, reclamando a vida… conjurando com suas mãozinhas a quem devia tirá-la da possibilidade, para pô-lo em ato… a quem devia sempre ser a sua mamãezinha…
E olhando além desta cena angustiosa, contemplei estas milhares de esposas espalhadas no mundo civilizado, até nas famílias católicas… supliquei junto com os inocentes, futuros anjinhos, e em toda parte, destes lábios carminados, ouvi ressoar este grito de revolta; Não quero mais filhos!…Basta! não há lugar!… não há dinheiro!… me incomodariam…abalariam a minha saúde!… Não, não! Queremos o prazer, o gozo do matrimônio não queremos o encargo… nada mais de filhos!…
Sentia indignação apoderar-se de mim.
As bestas selvagens são menos ferozes que estas esposas que não querem ser mães!
As feras selváticas desejam amar… esquecem-se e se fazem matar pelos seus filhotes… e estas mulheres, estas esposas desnaturadas nada desejam senão o gozo, a saúde, a beleza!
Nada sabem amar.
Só pensam em si mesmas, matam e assassinam os meigos pequeninos, os inocentes anjinhos, para conservar a sua tranquilidade, o seu comodismo.
E porque o coração das mães é a obra mais excelente do coração de Deus, o pecado das mães é o pecado entre todos mais castigado por Ele.
Então, Senhor, exclamei em minha indignação, quanto tempo durará ainda esta perversidade das mães?
Inclinei de novo a cabeça e chorei, sobre tantos túmulos fechados de crianças que deviam existir e que nunca existirão, condenadas como o são, pela corrupção, pela barbaridade destas mães sem entranhas, que não as querem aceitar.
***
Quando levantei a cabeça, uma última visão apresentou-se diante de mim.
Era um imenso cemitério, uma necrópole que parecia um mundo.
A pedra de cada túmulo estava levemente levantada. E por baixo desta pedra vi aparecerem mãozinhas inocentes e bracinhos de crianças que se elevavam suplicantes para o céu.
Olhei… examinei mais de perto: eram bracinhos e mãozinhas ensanguentadas, que docemente se agitavam, sacudindo as gotas de sangue que pareciam destilar de seus dedos e tingiam a terra…
Eram milhares… e milhares… e mais milhares!
Senti um arrepio percorrer os membros.
E, de repente, num coro unísono, e com uma voz suave, suplicante, lancinante, este coro cantava:
Senhor Deus, queremos viver, para vos glorificar; dai-nos uma mãe… uma mamãezinha, que nos acolha e que nos ame!
Senhor Deus, nós vos suplicamos!
E um longo soluço estendia esta súplica e parecia carregá-la até ao trono do Eterno.
De repente, vi uma luz resplandecente… baixar sobre estes túmulos entreabertos, e como que enxugar as mãozinhas sangrentas… e desta luz saiu uma voz como o trovão das grandes tempestades, que dizia a todos estes não nascidos: Eu vos escolhi uma mãe, mas esta mãe quer matar-vos… ela é uma assassina… uma infanticida; ela prefere a sua comodidade e o seu prazer a vossos beijos e carinhos!
E Deus, pois era Ele, olhou para o mundo adormecido, onde milhares de mães continuavam a repetir o infame brado das feras selvagens:
Não quero mais filhos!
Vi o olhar do Onipotente, flamejante, indignado, e com uma voz como a das grandes águas Ele bradou:
Porque então o casamento?
Porque a maternidade?
Eu quero povoar o céu!
Eu quero a vida, porque eu sou a vida!
Eu quero a fecundidade, porque a glória do matrimônio é a fecundidade.
E a voz do Onipotente perdeu-se no meio do imenso necrotério… sem eco e sem resposta.
As mães continuam com seu brado de revolta: Não queremos mais filhos.
E voltando para o seu reino glorioso, enquanto milhares de pedras fechavam os túmulos entreabertos, ouvi ressoar ao longe esta terrível ameaça:
As mães que não querem povoar o céu… então, porque povoar a terra? Acabemos com elas…
Não querem a vida… recebam, pois, a morte!
Só o fim do mundo acabará com esta revolta contra a vida… acabemos com este mundo rebelde e corrupto… e vós, ó mães, lembrai-vos que Deus é justo, e vos pedirá conta rigorosa destes filhos que devíeis ter e não tivestes!…
Sou eu e não vós, que marco o número deles!
Oh! mães! Não é horrível?
Oh! mães, não sejais as assassinas dos vossos filhos, destes anjos que devem povoar o céu.
Meu Deus fazei compreender isto a todas as esposas, a todas as mães.
Só há duas saídas: ou a castidade ou a maternidade.
…………..
Do livro “O Fim do Mundo está próximo?” Profecias Antigas e Recentes Recolhidas e Comentadas pelo Padre Júlio Maria – Missionário de N. Sra. do SSmo. Sacramento – 1940
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico