(De Santa Margarida Maria)
Ó amabilíssimo Coração de Jesus, como Vos fez o amor tão sensível às nossas misérias! Ó meu Deus e Salvador, que bondade, que prodígio, que excesso de amor nos mostrais fazendo-Vos vítima por nós na adorável Eucaristia e oferecendo-Vos, cada dia, milhões de vezes em sacrifício, por nosso amor! Quais deveriam ser nossos sentimentos de gratidão!
Entretanto o que é que achais no coração da maior parte dos homens, senão frieza, revolta contra Vossos convites, ingratidão aos Vossos benefícios!
Ah! meu bom Jesus, não era pois bastante que Vos tivésseis entregado uma vez à uma agonia cruel, oprimindo sob o peso de nossos pecados no jardim das Oliveiras? Não era pois bastante haver resgatado nossas almas com o preço de Vosso Sangue, de Vossa Paixão e Morte?!
Portanto quisestes, expor-Vos neste inefável Sacramento de amor a novas injúrias?!… E porque sofreis que Vosso filhos ingratos e infiéis ousem cada dia renovar os tormentos que padecestes na Vossa Paixão, e dilacerar com chagas novas Vosso divino Coração?! Ah! Deus meu! Quanto sente Vosso amante Coração todas estas ingratidões!… E como é que há corações tão duros que não se comovam com as ofensas que sofreis em Vosso amor!
Permiti, ó meu Redentor, que prostrada e aniquilada diante de Vós eu Vos desagrave hoje de todas as injúrias com que os homens não cessam de Vos ultrajar, e de todas as amarguras com que oprimem Vosso Coração. Eu desejaria regar e purificar com as minhas lágrimas todos os lugares em que indignamente Vos ofendem, e reparar com os afetos do meu mais ardente amor o abuso e o desprezo que se faz das Vossas graças; os escândalos, as profanações e os sacrilégios que se cometem entre Vossos filhos; quereria principalmente dispor de todos os corações para Vo-Los oferecer em sacrifício, e consolar-Vos com esta homenagem da culpável insensibilidade dos que não quiseram conhecer-Vos, ou que tendo-Vos conhecido, não Vos amaram. Oferecer-me-ei, pois, a mim mesma: imolai-me Senhor, consumi-me como Vossa vítima; fazei que comece a não amar senão a Vós, que não Vos arrebate nunca mais meu coração depois de Vo-Lo ter oferecido e consagrado! Fazei que em Vosso Coração, a todo o tempo, ache meu abrigo, minha paz na hora da morte, e minha bem-aventurança na eternidade!… Assim seja!
Viva Jesus! Manual ou Tesouro da Arquiconfraria da Guarda de Honra do Sagrado Coração de Jesus e da Arquiconfraria das Almas do Purgatório, 5ª Edição, 1896.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico