Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Maerten de Vos, O Juízo Final [croped], 1570, Museo de Bellas Artes de Sevilla, Domínio Público, Wikimedia Commons

Juízo particular e universal

Diz a Sagrada Escritura sobre o juízo : ” …Está decretado que os homens morram uma só vez e que depois disto se siga o juízo” (Heb 9, 27). Em outro lugar ensina São Paulo: “É necessário que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que é devido ao corpo segundo fez o bem ou o mal” ( Cor 5, 10).

Nosso Senhor Jesus Cristo, quando ainda viviam seus irmãos (Lc 16, 19-31). E Cristo do alto da Cruz, voltando sua divina face e fazendo uso de seu poder de juiz universal, disse ao ladrão que ia morrer: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23, 43).

Por essas palavras da Bíblia se vê que a doutrina da reencarnação, que os espíritas admitem, é errada.

Depois da morte não existe a reencarnação, isto é, a alma nossa não vai se unir com outro corpo para viver novamente e assim pagar os nossos pecados.

Depois da morte, e só morreremos uma vez, nós seremos julgados.

Há, portanto, uma única oportunidade para conquistarmos o céu e é aproveitar bem desta vida, que estamos vivendo agora, para fazer o bem e seguir a vontade de Cristo.

A reencarnação é, portanto, um erro e um engano e, por isso mesmo, não pode ser doutrina de Deus e sim do demônio, que nos quer enganar, para que deixemos para mais tarde o cuidado da nossa salvação.

De acordo com a Sagrada Escritura, a Igreja Católica ensina como dogma de fé o imediato julgamento depois da morte. A alma, ao morrermos, conhecerá sua situação favorável ou desfavorável, do prêmio eterno no céu ou no castigo para sempre no inferno.

Quando as pessoas que circundam o agonizante disserem: “Está morto”, naquele mesmo momento a alma está julgada.

Os homens preparam as honras para o corpo, mortalha, flores, caixão, sepultura. Deus se encarrega da alma.

A alma comparece diante do juiz divino que conhece toda a sua vida. Viu todos os seus passos errados, anotou suas virtudes e o reto procedimento e lhe dará o que merece.

Uma luz poderosa iluminará a alma e a obrigará a verse como é. Rapidamente se passará o filme de toda uma vida; pecados da infância e da juventude, vitórias na pureza e as grandes e vergonhosas quedas, o bem que se fez a custo de esforços e de oração e os pecados em que se enveredou a alma afastando-se de Deus.

A própria consciência conhecerá a sentença do prêmio e do castigo que lhe dará o divino Juiz e ela reconhecerá o que exatamente merece.

Tudo acontecerá num instante, com a rapidez, claridade e força de um raio.

A sentença será definitiva e irrevogável.

Enquanto vivemos na penitência, com boa confissão, podemos regularizar nossas contas mal feitas e apagar os pecados. Depois da morte, nada mais é possível, só nos restam as consequências da boa ou má conduta na vida.

Teremos a sentença escolhida por nós. A sorte está na nossa mão. Podemos ser justos ou condenados. Ainda temos tempo para escolher.

Exemplo: No dia 27 de abril de 1956, falecia, aos 68 anos de idade, um pai de nove filhos, dos quais um foi sacerdote secular, três sacerdotes jesuítas e três religiosas. Sempre foi, na sua vida, fervoroso católico, exemplar pai de família e digno cidadão e homem público. Ao chegar o momento supremo de partir deste mundo, acrescentou essas linhas, no seu testamento : “Quero que todos saibam: Neste transe percebemos que a única coisa a nos acompanhar são as nossas obras, e portanto é de sumo interesse ter acumulado as boas durante a vida”.

Juízo Universal. – Chegará o último dia do mundo. Terrível cataclismo cairá sobre a terra. Os homens ficarão tomados de pavor e correrão alucinados. A terra será um grande cemitério.

Soará então a trombeta e se ouvirá o chamado : “Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo”. A alma de cada homem se unirá ao próprio corpo.

Será o dia mais solene e grandioso da história da humanidade, todos os homens, desde o começo do mundo, estarão reunidos para o juízo.

Em dado momento, aparecerá no céu a Cruz, sinal de nossa redenção. Regozijar-se-ão e aplaudirão os justos. Tremerão os maus.

Aparecerá a Santíssima Virgem que é a Rainha dos Céus e da Terra e a Mãe do Juiz. Por último aparecerá Jesus Cristo, “o Filho do Homem, na sua Majestade e todos os anjos com Ele, e se sentará sobre o trono” (Mt 25, 31) .

Ocupará o posto que lhe corresponde como Rei dos reis e Chefe de todos os chefes de Estado e presidentes que houve na história do mundo.

Vem para que se descubra o que fez cada um. Vem para elevar publicamente os bons, premiando a virtude, para confundir em público os maus, castigando seus vícios, suas injustiças, seus pecados.

Em cada alma humana se verá publicamente neste dia o filme da vida que levou. Ali tudo estará a descoberto: o bem e o mal, o oculto e o público. Momentos de vergonha para uns e de alegria para outros.

Os filhos verão as vidas de seus pais, a esposa a do esposo, todos a de todos.

Enviará então Jesus os seus anjos para que separem os bons dos maus, como o pastor separa os cordeiros dos cabritos.

O esposo infiel será afastado da esposa fiel, ou vice-versa.

Dirá Jesus aos bons: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado” (Mt 25, 34) . Voltando-se aos que tremem, à sua esquerda, lhes dirá: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e para seus anjos” (Mt 25, 41).

Gritarão os condenados: “Insensatos que fomos, julgamos uma loucura e estupidez a vida honrada dos bons… Enganamo-nos no nosso caminho, vivendo na mentira e na ilusão…”

Dissolve-se a concentração. “Estes irão para o suplício eterno e os justos para a vida eterna” ( Mt 25, 16).

Vivamos de tal modo que no fim da vida possamos ouvir a sentença dos bons: “Vinde, benditos de meu Pai, para o Reino que vos· está preparado”.

Exemplo: Numa fábrica de Nova York certo operário pediu folga por uma semana. A desculpa foi que sua mãe estava muito doente. Foi-lhe concedida a licença.

Na semana seguinte regressou e entrou decidido no trabalho. Foi imediatamente chamado pelo gerente a uma sala. Apagou-se a luz e numa tela viu como iam projetando a sua vida desregrada e de jogador que tinha levado durante a semana.

A polícia da fábrica tinha seguido seus passos e filmado seus desmandos.

Não pôde enganar os homens, muito menos podemos enganar a Deus. Ele segue os nossos passos, sabe tudo, vê tudo e, no juízo universal, projetará nossa vida e pronunciará a irrevogável sentença de prêmio ou castigo eterno.

Oração. – Meu Deus e Meu Senhor, que sois meu Pai, depois de minha morte e no fim do mundo, haveis de me pedir contas de toda a minha vida. Dai-me, pois, força para endireitar e regularizar sempre minha vida na confissão sincera e sentida, no tribunal da misericórdia, para não vir a ser condenado, no dia do juízo.

Que eu sempre caminhe sob o vosso olhar e esteja sempre preparado, porque não sei a hora em que me haveis de chamar. Ajudai-me a fazer muitas boas obras e a cumprir sempre com perfeição a vossa santíssima vontade. Amém.

Cheios de respeito para com Jesus, nosso Juiz Supremo, digamos: “Creio em Deus Pai…”

Resolução: Aprendamos a fazer o nosso JUÍZO, isto é, a examinar todas as noites a nossa consciência para nos arrepender e pedir perdão dos nossos pecados a fim de não sermos condenados no tremendo juízo final.

Leituras de Doutrina Cristã, Parte I – Dogma, Padres Jesuítas de Três Poços, Pinheiral, Estado do Rio, 1958

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico