Deus -nos revelou, na Bíblia, numerosos ensinamentos a respeito dos anjos, que aparecem freqüentemente nas páginas sagradas das Escrituras.
Jesus Cristo, no Horto das Oliveiras, falou a Pedro que poderia ter à sua disposição legiões de anjos e o profeta Daniel escreve que mil milhões, isto é, inumeráveis anjos assistem ao trono do Senhor.
Os Anjos estão divididos em três hierarquias e cada uma delas em três coros. A primeira hierarquia é a dos que contemplam a Deus: Serafins, Querubins e Tronos. A segunda se ocupa do governo do mundo, naturalmente seguindo a vontade de Deus, e são : Dominações, Virtudes e Potestades. E a terceira é a encarregada de executar as ordens divinas : Principados, Arcanjos e Anjos.
Foi o Arcanjo São Gabriel que veio anunciar à Virgem Santíssima que seria Mãe de Deus e também apareceu a Zacarias, para trazer a notícia do nascimento de São João Batista. Os anjos anunciam aos pastores de Belém o nascimento de Cristo.
Um anjo aparece a São José para esclarecê-lo a respeito do mistério da Encarnação e, mais tarde, avisa-o que fuja para o Egito, para defender o Menino Jesus contra Herodes que mandou matar as criancinhas em Belém.
São os anjos que certificam a ressurreição de Cristo e, na Ascensão, dizem que um dia Jesus voltará para julgar os homens.
Também o Antigo Testamento está cheio de exemplos da intervenção dos anjos. Um anjo é colocado à porta do Paraíso Terrestre, depois da expulsão de Adão e Eva, como conseqüência do primeiro pecado.
Os anjos salvam Lot e suas filhas das cidades de Sodoma e Gomorra, que por causa de suas imoralidades foram destruídas pelo fogo.
Quando o povo de Israel saiu do Egito e caminhava para a Terra da Promissão, um anjo de Deus o precedia.
Rafael Arcanjo acompanhou e protegeu o filho de Tobias.
Os anjos protegem os Israelitas nos seus combates, arrasam com seus inimigos, e protegem os três jovens, que não quiseram adorar ídolos e foram colocados na fornalha ardente, que não lhes fez nenhum dano.
E poderíamos multiplicar ainda mais os exemplos.
Depois que Cristo subiu aos céus, continuam os anjos a favorecer os Apóstolos. Assim foi um anjo que libertou São Pedro da prisão.
Certa vez um anjo apareceu a São João Apóstolo, mas Deus permitiu que esse glorioso Apóstolo pudesse contemplar melhor a formosura e a beleza do anjo, e São João, que tinha tido a felicidade de contemplar Jesus Cristo na sua Transfiguração, ficou tão encantado e extasiado com aquela beleza, que pensou fosse o mesmo Deus que lhe aparecia e se prostrou aos seus pés, mas o anjo o advertiu de que era apenas uma criatura de Deus.
Por que criou Deus os anjos ?
Deus não precisa de ninguém, pois tem em si mesmo toda sua glória e felicidade. Mas porque Deus é Amor infinito, quis comunicar felicidade a seres criados por Ele mesmo, com inteligência e vontade. Esses seres são os homens e os anjos.
Os anjos, não tendo corpo como os homens, possuem inteligências lúcidas e vontades completamente livres. São mais inteligentes do que os homens, mais geniais e têm maior capacidade de amor. Mas Deus concedeu-lhes também sua amizade e a esses dotes de natureza angélica acrescentou, por sua infinita misericórdia, a graça santificante, o mais belo ornamento que uma criatura pode ter, pois a torna mais e mais semelhante a Deus.
Entretanto, antes de Deus lhes conceder a recompensa final, que é a visão beatífica, isto é, a contemplação de Deus no céu que causa uma felicidade completa, o Senhor provou a fidelidade dos seus anjos. Eles eram livres e Deus permitiu que eles se decidissem se queriam ou não obedecer a Deus.
Ensoberbecido de sua beleza, poder e majestade, um querubim portador de luz, e por isso chamado Lúcifer, quis se substituir a Deus. Era um pecado de orgulho e de tremenda ingratidão. Desgraçadamente esse mau exemplo contagiou uma legião de outros anjos, igualmente soberbos.
Imediatamente os bons anjos, guiados por São Miguel Arcanjo, fiéis totalmente a Deus, precipitaram Lúcifer e os anjos maus no inferno, que Deus precisou criar para receber eternamente esses demônios e seus seguidores. Os anjos bons foram confirmados no bem, não podem mais pecar e gozam da felicidade eterna.
Os anjos fiéis podem ser chamados simplesmente de anjos porque os anjos maus são os demônios.
Os anjos são amigos do homem, querem que ele se salve e por isso o protegem no corpo e na alma, rezam por ele e sugerem bons pensamentos e desejos para praticar o bem.
Para nos amparar, proteger e acompanhar Deus nos concedeu, a cada um de nós, um anjo da guarda.
Mas os demônios têm inveja e ódio dos homens, porque eles podem ainda se salvar e ocupar os postos deixados por eles no céu. Por isso, o que mais o demônio quer do homem é que ele peque mortalmente e para isso procura influir nos nossos sentidos e na imaginação. Maus pensamentos e tentações, são armas do demônio para nos fazer pecar, mas se não consentirmos não pecamos, pois, felizmente, o demônio não tem poder sobre nossa inteligência e nossa vontade.
Se não dermos confiança ao demônio, se não o invocarmos, se procurarmos não pecar ou, ao menos, não ficar no pecado, o demônio nada nos consegue fazer. Por isso não devemos ter medo de feitiço, mau olhado, quebranto, despacho da macumba ou feitiçaria.
Quem atende ao demônio, e vai ao espiritismo, à umbanda ou macumba, e procura relações com os maus espíritos, esse sim pode ser influenciado pelo demônio. Há muitos terreiros de macumba, aqui no Brasil, que prestam culto aberto ao demônio. O fundador da Legião da Boa Vontade dedicou uma poesia ao seu. “irmão Satanás”.
O demônio procura afastar seus servidores da Igreja e do padre. E os frequentadores das sessões espíritas e dos terreiros de macumba podem chegar até mesmo à loucura. É sabido que, no Brasil, os maiores fornecedores de loucos para nossos hospícios são o álcool, a sífilis e o espiritismo.
Fujamos, portanto, das sessões espíritas, dos terreiros de macumba, não queiramos saber de livros espíritas, de orações supersticiosas, como as da “Cruz de Caravaca”, nem mesmo das publicações do “Centro Esotérico da Comunhão do Pensamento”, e o demônio não nos poderá fazer nenhum mal.
Se os feitiços e despachos pegassem os mais atingidos seriam os sacerdotes.
As nossas principais armas contra o demônio são: o trabalho honesto, a confissão e a comunhão, a penitência, a oração, o sinal da cruz, a água benta, a devoção ao nosso anjo da guarda e à Virgem Santíssima, aquela que esmagou a cabeça da serpente infernal.
Depois de Maria Santíssima, a nenhum ser puramente criado devemos mais devoção, mais amor e fidelidade do que ao nosso anjo da guarda. Como nos atrevemos a fazer na presença do nosso anjo o que nem sequer ousaríamos pensar na presença dum homem, que pudesse ver os nossos pensamentos? Se a vista do anjo da guarda, uma só vez, com os olhos carnais, causou tanto respeito em São João Evangelista, quanta reverência não deve produzir em nós o fato de que o podemos contemplar continuamente ao nosso lado, com os olhos da fé!
Correspondamos aos desejos de nosso anjo da guarda. Se estamos em pecado mortal, procuremos logo sair deste estado lastimoso por meio duma boa confissão. Não permita Deus que, em nossa relutância à graça, nos aconteça, por infelicidade, sermos colhidos de improviso pela morte, obrigando assim ao nosso anjo da guarda, que nos acompanhará para o Juiz eterno, de já nada mais poder fazer em nosso favor.
Para a alma abismada na culpa e por isso imensamente infeliz, naquele momento terrível, o seu anjo se verá forçado a abandoná-lo para sempre. Triste e afligido dará então o seu lugar ao demônio, que a atormentará por toda a eternidade. Troca horrível que a fará estremecer. Mas será inevitável, se não tratou antes de sair do pecado.
Exemplo e Leitura: Na cidade de Nínive havia um homem muito bom, chamado Tobias. Amava os pobres e dava-lhes ricas esmolas. À noite enterrava respeitosamente os cadáveres de seus conterrâneos, vítimas de cruéis perseguições.
Mas a Tobias sobreveio uma grande tristeza. Ficou cego. Aceitou, porém, resignado este sofrimento em reparação de seus pecados. Não se queixava. Só pedia muito a Deus que lhe restituísse de novo a luz dos olhos.
Um dia disse ao filho, que também se chamava Tobias: “Meu filho, emprestei uma grande soma de dinheiro a Gabelo. Vai, pois, a Ragés onde ele mora e pede-lhe esta soma”.
O jovem Tobias não sabia o caminho e por isso foi à praça para ver se encontrava uma pessoa amiga, que por acaso viajasse pelo mesmo caminho.
Deus enviou-lhe então o seu anjo São Rafael. Tobias não o conheceu. Só estranhou a beleza celeste que brilhava através de seu corpo. O anjo muito atencioso ofereceu-se para o acompanhar. Foram falar com o velho pai e seguiram viagem.
Chegaram à margem do rio Tigre, onde Tobias quis lavar os seus pés. De repente veio um grande peixe, que o quis devorar. Mas o anjo disse: “Pega-o pelas guelras e puxa-o para fora”. Tobias de fato o conseguiu. Então Rafael mandou que guardasse o fel do peixe para mais tarde ungir os olhos do pai.
Chegaram à grande cidade de Ecbátana. Morava ali um parente de Tobias, chamado Raguel, e cuja filha tinha o nome de Sara. O anjo disse a Tobias: “Pede a Raguel que te dê sua filha em casamento”. O jovem Tobias pediu. Mas Raguel assustou-se muito. Pois já diversas vezes Sara se tinha casado, e cada vez, logo depois do casamento, um demônio lhe tinha matado o marido. São Rafael, porém, disse-lhe que não tivesse medo. E enquanto contratavam o casamento, o anjo foi em nome de Tobias cobrar o dinheiro, na cidade de Ragés.
Enfim voltaram os dois à casa do pai. Logo que chegaram o anjo mandou que Tobias ungisse os olhos do pai com o fel do peixe, e ele imediatamente ficou curado. Então o velho Tobias, em sinal de gratidão, ofereceu a São Rafael a metade de seus bens, e disse que nem isto chegava para recompensar tudo o que lhes tinha feito.
Mas Rafael respondeu: “Quando rezavas com lágrimas e sepultavas os mortos, eu oferecia tuas orações a Deus.
Parecia comer e beber convosco, mas eu me sustentava com um alimento invisível, porque eu sou Rafael, um dos sete anjos, que estão diante de Deus. Agora, porém, já é tempo de voltar para Aquele que me enviou”. Assim dizendo, o anjo desapareceu, e não mais o viram.
Quanto bem fez Deus a esta família por intermédio de um anjo!
Oração. – 0′ anjos de nossa guarda, guardai-nos com tanto empenho, que consigais triunfantes levar-nos para o reino dos céus ! Não permita Deus que jamais nos apartemos de vossa benfazeja companhia. Prometemos corresponder sempre aos vossos diligentes cuidados pela nossa salvação. Continuai a defender-nos dos inimigos de nossa alma. Afastai de nós todas as ocasiões de pecado. Alcançai-nos, enfim, todas as graças necessárias para uma vida virtuosa e uma morte santa. E assim conduzidos pela vossa mão angelical, entraremos um dia na glória celeste, onde em vossa companhia, veremos e gozaremos a Deus por todos os séculos dos séculos. Amém.
Em união com nosso anjo da guarda, rezemos o “Creio em Deus Pai . . . “
Resolução: Decorar esta bela oração ao anjo da guarda para rezá-la cedo, à noite, ao meio dia e nas horas de perigo:
Santo anjo do Senhor,
Meu zeloso guardador,
Se a ti me confiou a piedade divina,
Sempre me rege, guarda, governa. e ilumina. Amen.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico