Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Jean-Jacques Henner, Jovem orando [croped], entre 1849 e 1905, Museu Metropolitano de Arte, Domínio Público, Wikimedia Commons

A mulher solteira

A mulher solteira e virgem cuida das coisas que são do Senhor para ser santa no corpo e no espírito (I Cor. VII, 34).

A renúncia ao matrimônio é uma obra grande segundo a lei cristã, se faz por motivos sobrenaturais.

Quando Jesus cristo inculca o estado de virgindade, fala dos que querem permanecer célibes por causa do reino do céu, e ajunta: Quem puder compreender isto, compreenda (1). Também São Paulo fala dum continência que eleva o espírito para Deus e para as coisas do céu: A mulher solteira e virgem, pensa nas coisas de Deus, para ser santa no corpo e no espírito (2). Na parábola das virgens prudentes e das virgens loucas, o Salvador divino repreende indistintamente todas as donzelas que careciam do óleo do amor de Deus e do próximo (3).

O desprezo que o mundo vota às mulheres solteiras deve-se entender das que carecem desta elevação do espírito, das que se ataviam para atraírem os olhares do mundo, das que se apegam com todo o coração aos bens da terra, e das que com a sua falsa piedade são pedra de escândalo.

Que bênçãos encerra para uma família, para um povo, e até para toda a terra uma mulher, cujo coração está possuído do verdadeiro amor de Deus e do próximo! Que consolação oferece a seus pais nos dias da velhice, que auxílio aos seus parentes, e que bênçãos para todos!

São muitas as filhas que amontoaram riquezas: mas tu avantajaste-te a todas (4).

Das suas fileiras saíram as fundadoras de tantas congregações, todas consagradas às obras de caridade.

De quanto é capaz uma só mulher animada do verdadeiro espírito de caridade, mostra-o o exemplo duma senhora muito rica, de Hamburgo. Reparando com dor na triste situação de tantos marinheiros que se perdem no meio dos grandes perigos de toda a espécie a que estão expostos nas cidades marítimas, resolveu fundar uma silo onde lhes fosse fornecido tudo o de que carecessem: por fim teve a consolação dos seus deveres religiosos, vivendo vida virtuosa. Deram-lhe o doce nome de mãe, e os seus louvores foram levados e cantados pela boca dos seus filhos em todos os mares.

A este exemplo poderia juntar-se outro mais notável ainda: a fundação da Sociedade de São Pedro Claver, em Salzburgo, pela condessa Maria Teresa Ledóchowski, (5) a qual aflita à vista da crueldade dos mercadores de escravos em África resolveu chamar a atenção do mundo para tão triste escravidão, escrevendo para isso uma drama “Zaida, a donzela negra” que foi representado em Salzburgo, Bruxelas, Viena e Munique, e fundando em várias cidades da Áustria a liga contra a escravatura. Como as esmolas acudiam cada vez mais abundantes, resolveu fundar a Sociedade de São Pedro Claver para as missões de África, as quais está auxiliando com muita eficácia, já com recursos pecuniários, já promovendo as vocações de missionários, já com impressos, alfaias de culto, etc.

É e será sempre de grande glória para o cristianismo ter libertado a mulher da escravidão pagã, colocando-a em lugar honroso, e apreciando as suas obras e trabalhos exatamente como os dos homens, pela proclamação da castidade. A palavra e exemplo de Cristo, e sobretudo o modelo de Maria Santíssima levaram desde o princípio milhares de donzelas a consagrar-se ao esposo celeste. Foram elas que com o seu exemplo contribuíram mais do que as leis para exaltar a posição da mulher e para lhe assegurar os direitos que lhe correspondem na ordem religiosa e moral.

Reconquistar estes direitos que lhe nega uma filosofia falsa e incrédula, é o nobre fim do atual movimento feminino.

Que vergonhosas e infames são as leis a que estão sujeitas entre nós as religiosas!

Para as mulheres e jovens católicas é ponto de honra cooperarem e tomarem parte ativa neste movimento social.

jovem cristã, se tens qualidades de escritora, tens diante de ti um vasto campo, em que podes exercer uma grande influência.

Em todo o caso deves conhecer e ajudar os esforços alheios, tanto nos estreitos limites da pátria, como no amplíssimo espaço do apostolado mundial da Igreja.

A Virgem Prudente, Pensamentos e Conselhos acomodados às Jovens Cristãs, por A. De Doss, S.J. versão de A. Cardoso, 1933.

(1) Mat. XIX, 12.
(2) I Cor. VII, 34.
(3) Mat. XXV, 1-13.
(4) Prov. XXXI, 29.
(5) Era irmã do Rev. Padre Wlodimiro LEdóchowski, Geral da Copanhia de Jesus. Faleceu em odor de santidade, esperando-se que seja introduzida a causa da sua beatificação. – N. dos editores.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico