1. Por indulgência entende-se a remissão de penas merecidas pelos pecados já perdoados. O pecado causa múltiplos males à alma. Rouba-lhe a amizade de Deus e o direito ao céu, fá-la digna do inferno e de castigos temporais. Pela boa confissão fica restabelecida a amizade com Deus, e perdoada a pena eterna; não sempre, porém, o castigo temporal. Este pode ser perdoado pela Santa Igreja, que dispõe de riquíssimo tesouro espiritual e recebeu de Jesus o poder de desligar tudo o que impede de entrar no céu. Assim os méritos superabundantes de Jesus, de Maria e dos Santos redundam em proveito dos pecadores.
2. Não estás obrigado a ganhar indulgências. Preferindo satisfazer a justiça divina nas chamas do purgatório até ao último ceitil*, tens plena liberdade. Mas ai de ti, se adiares para a eternidade o que agora podes pagar com tão pouco! Se te amares a ti mesmo, serás solícito em ganhar muitas e muitas indulgências, para escapar assim às horríveis penas do purgatório. Lá, por mais que sofras, nada ajuntarás à tua glória no céu, enquanto aqui todas as obras satisfatórias são também meritórias e aumentarão tua glória.
Breves Meditações Para Todos os Dias do Ano, Frei Pedro Sinzig, OFM, Quarta Edição, 1921.
* Ceitil: moeda portuguesa do tempo de D. João I 1385-1433. Quantia insignificante.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico