Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

Não deixeis que o meu coração deslise em palavras de malícia, para invocar desculpas para os meus pecados. (Salm. CXL., 4.)

O amor próprio todo se engenha em procurar maneira de desculpar os seus pecados.

Mas, de que servirão todas as desculpas, se Deus não lhes dá valor nem importância?

Parece-te acaso demasiado dura a lei, que desrespeitasse como pecado? mas ela é a expressão da natureza nobre que Deus nos deu.

A norma das nossa obras é a lei: e toda a lei é medida, e medida proporcional ao que se há de medir. Como seria temerário afirmar que o Senhor nos deu uma lei, que não está em proporção com as nossas forças!

Ouve o que diz o próprio legislador: O preceito que hoje te imponho não está acima ou longe de ti; não está no céu, nem da banda de além do mar, mas muito perto de ti; esta palavra está na tua boca e no teu coração, para a cumprires[1].

Ouve o Salvador do mundo pronunciando aquelas palavras: O meu jugo é suave, e o meu peso leve[2]. Ouve o apóstolo afirmando que os mandamentos de Deus não são difíceis de cumprir[3].

Considera os exemplos de Cristo e dos seus santos. E o que alguns destes, tão jovens ainda, puderam, ser-te-á impossível a ti?

É certo que nada se alcança sem trabalho e vencimento próprio; mas esforçar-nos-êmos nós menos para alcançar a coroa da vida eterna, do que os mundanos para conquistar os bens terrenos!?

Poderás dizer que as criaturas te tentam e seduzem. No entanto, bem sabes que elas são vãs, frágeis e caducas: e enquanto o prazer que te proporcionam, é breve e fugaz, a dor e tristeza que se lhes segue, é amarga e prolongada.

Dizes que és fraca e débil. Confia em Deus, pede-lhe fervorosamente o seu auxílio, e sobretudo acode à fonte da graça, que são os sacramentos. neles acharás luz e força, remédio para as tuas feridas, bálsamo e consolação para as tuas penas, e aquele aumento de vigor de que tanto necessitas.

Achas que és leviana. E como deixarás de o ser, se não acabas de entrar em ti e de te fazer violência?

Seduz-te acaso o mau exemplo? Porque olhas de contínuo para a sombra, em vez de fixares os olhos na luz? Ó apóstolos, mártires, confessores, delicadas donzelas e tenros meninos, nuvem brilhante, resplandecente, deslumbrante de inúmeros testemunhos![4] descei, rodeai esta jovem de pouca fé, e fazei-lhe ver e sentir quanto pode o homem com Deus e por Deus. Se os santos tivessem usado da mesma linguagem, o céu estaria deserto, e os seus tronos desocupados.

Se quiseres, podes vencer todos os obstáculos. Não seria assim, se contasses só com as tuas forças: mas o Senhor está ao teu lado, está contigo e dentro de ti.

tudo posso naquele que me conforta[5]. Senhor, a vossa graça é mais poderosa do que a minha fraqueza, e mais forte do que todos os meus inimigos, visíveis e invisíveis. Nela e por ela franquearei todas as muralhas[6].

A Virgem Prudente, Pensamentos e Conselhos acomodados às Jovens Cristãs, por A. De Doss, S.J. versão de A. Cardoso, 1933.

[1] Deut. XXX, 11-14.
[2] Mat. XI, 30.
[3] 1 Joan. V, 3.
[4] Hebr. XLI, 1 (XII, 1).
[5] Filip. IV, 13.
[6] Salm. XVII, 30.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico

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