Dos pecados contrários ao amor de Deus

Faltamos ao amor de Deus por tudo quanto é oposto à submissão e ao devotamento devido ao Criador; geralmente, portanto, por qualquer pecado. Opõem-se-lhe especialmente: o apego excessivo ás criaturas, pelo qual preferem-se estas ao Criador, e consideram-se como nosso sumo bem, a indiferença, a frieza para com Deus, e as coisas divinas; a preguiça ao cumprimento nos deveres religiosos; a insubordinação às disposições da Providência; o ódio e o desprezo de Deus.

[…]

Deus não exige uma perfeição igual de todos. Os sacerdotes e religiosos estão obrigados a uma perfeição maior que as pessoas seculares. Os celibatários obrigam-se a uma castidade mais perfeita do que os casados. Quem recebeu mais graças de Deus deve-Lhe também mais. Entretanto, à todos foi dito: “Declina a malo et fac bonum.” – “Evitai o mal e praticai o bem!” Fugi de todo o pecado voluntário, ao menos de todo o pecado mortal, e sêde assíduo na oração; é assim que cumprireis o mandamento de amar a Deus.

Fazei frequentemente e duma maneira explicita, os atos das três virtudes teologais, da fé, esperança e caridade. É verdade que não estamos obrigados a fazê-los cada dia. Todas as vezes que rezamos piedosamente, fazemos devotamente o sinal da cruz, ou assistimos aos ofícios divinos, ou recebemos dignamente os sacramentos, fazemos atos implícitos de fé, esperança e caridade, porque agimos então sob influência dessas virtudes. Todavia, os mestres da vida espiritual nos aconselham que recitemos amiúdo os atos delas em termos expressos.

Pedi com instância, nas vossas orações, uma fé viva, uma esperança firme, uma caridade ardente. Quanto mais estiverdes penetrado em todas as vossas ações do espírito da fé, quanto mais animado de esperança cristã, e inflamado do amor divino, tanto mais vivamente arrepender-vos-eis das vossas faltas, tanto mais facilmente vos preservareis do pecado mortal, tanto mais facilmente aproximar-vos-eis, mesmo nesta vida, do vosso fim supremo, de Deus, o bem soberano e imperecedouro.

A fé, diz bem Santo Agostinho, põe os alicerces do edifício espiritual, a esperança levanta-o, e a caridade remata-o.

Do livro: O Cristão Prático de R. P. Fructuoso Hockenmaier O. F. M.

Este texto foi útil para você? Compartilhe!

Deixe um comentário