Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

O Coração de Jesus, nosso modelo

Sagrado Coração de Jesus, ensinai-me a modelar os movimentos do meu coração segundo os do Vosso.

1 – A alma consagrada ao Sagrado Coração, a alma reparadora, deve sentir a necessidade de modelar a sua vida pela de Jesus. Como podes dizer-te verdadeiramente consagrado ao Sagrado Coração e como podes chamar-te sua vítima reparadora, se tu mesmo conservas no teu coração sentimentos, apetites e gostos contrários aos Seus?

É claro que, para modelar o teu coração pelo Coração de Cristo, não podes restringir-te a eliminar este ou aquele defeito e a adquirir esta ou aquela virtude, mas deves tender à reforma de toda a tua vida. Contudo, o Mestre divino, quando quis apresentar-nos o Seu Coração como modelo, falou de duas virtudes particulares: a mansidão e a humildade. “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt. 11, 23). E não sem motivo; com efeito, quando tiveres eliminado do teu coração todos os movimentos e ressentimentos do amor próprio e o orgulho, terás com isso eliminado todos os outros defeitos; e quando tiveres adquirido uma humildade profunda terás adquirido ao mesmo tempo todas as outras virtudes. Considera, portanto, esta grande lição do Coração de Jesus.

Primeiramente, Jesus fala-te de mansidão. A mansidão é a virtude que torna o homem capaz de dominar aqui que, de um modo genérico, se pode chamar ira, cólera. Esta verdade confere-te o poder de refrear e dominar todos esses movimentos um pouco apaixonados que às vezes te fazem sair dos justos limites, ou te fazem perder um pouco… a bússola. E como a bússola duma alma que se quer dar ao serviço de Deus é o próprio Deus, é o Coração de Jesus, se mesmo só por um instante, perderes de vista o Senhor e te afastares dEle, acabarás por seguir o teu amor próprio, as tuas paixões; a mansidão, pelo contrário, torna-te senhor de ti mesmo, capaz de dominar todo o gênero de irritação. Se te examinares bem, reconhecerás que esta irritação provém quase sempre do amor próprio um pouco ferido, do apetite irascível posto em movimento por alguma coisa que feriu o teu eu. Repara, pois, como a mansidão é uma virtude intimamente ligada à humildade.

2 – Nosso Senhor une à lição sobre a mansidão, a da humildade porque o fundamento imediato da mansidão é precisamente a humildade.

Basta que haja em ti um pouco de orgulho, de amor próprio, de apego ao teu modo de ver ou de agir, para que já não saibas ser contrariado, e então, em face dos inevitáveis choques provenientes da convivência, perderás, mais ou menos, a calma, a paz interior e exterior. Perdendo a calma, perdes também a serenidade de juízo e, por conseguinte, não podes ver já com clareza a Luz divina que te mostra o caminho a seguir e aquilo que o Senhor quer de ti. Então, a tua vontade vacila, perde o vigor e deixa-se arrastar um pouco pela paixão. Enquanto houver em ti restos de orgulho e de amor próprio, surgirão sempre ocasiões em que perderás um pouco o controle e o domínio de ti mesmo e em que, por consequência, faltarás á mansidão. Para tirares proveito da lição do Coração de Jesus, para modelares o teu coração segundo o Seu, deves trabalhar assiduamente para extirpares em ti todos os gérmens do orgulho e do amor próprio. É um trabalho em que te deves empenhar dia após dia, recomeçando sempre sem desanimares pelo constante renascer dos sentimentos e ressentimentos do teu eu. Só vencerás esta batalha não cessando nunca de combater.

Para te encorajares nesta luta, pensa que ela aproveitará não só ao bem da tua alma, mas também ao de outras almas porque – como ensina Pio XI – “quanto mais imolarmos o amor próprio e as nossas paixões… tanto mais copiosos frutos de propiciação e de expiação recolheremos para nós e para os outros” (Miserent. Red.). Portanto, a luta contra o amor próprio e o exercício da humildade entram, em cheio, no programa duma alma consagrada ao Sagrado Coração e que se ofereceu a Ele como vítima reparadora.

Colóquio – “Ó Coração santíssimo de Jesus que tanto gostais de cumular de benefícios os miseráveis e de instruir a quem quer aproveitar na escola do Vosso amor, Vós convidais-me continuamente a ser como Vós, doce e humilde de coração. Por isso persuadida de que, para conquistar a Vossa amizade e chegar a ser Vossa verdadeira discípula, nada de melhor poderei fazer do que ser deveras doce e humilde. Concedei-me, pois, uma humildade sincera que me mantenha sujeita a todos, que me fala suportar em silêncio as pequenas humilhações e que mas faça ainda aceitar de bom grado, com serenidade, sem desculpas, sem lamentações, considerando que mereço mais e maiores.

“Ó Jesus, permiti-me entrar no Vosso Coração como numa escola. Nesta escola ensinai-me a ciência dos santos, nesta escola ouvirei com atenção as Vossas doces palavras: ‘Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e achareis descanso para as vossas almas’. Compreendo-o, as tempestades que posso temer nascem apenas do amor próprio, da vaidade, do apego à minha vontade. Defendei-me, Senhor, protegei Vós a paz da minha alma!… O Vosso Coração é um abismo de amor onde devo submergir qualquer outro amor, especialmente o amor próprio com todos os seus frutos de respeito humano, de vã complacência, de egoísmo. Afogando estas inclinações no abismo do Vosso amor, acharei nele todas as riquezas necessárias à minha alma. Ó Jesus, se em mim sinto um abismo de orgulho e vanglória, quero afogá-lo imediatamente nas humilhações profundas do Vosso Coração que é o abismo da humildade. Se em mim descubro um abismo de agitação, de impaciência, de cólera, recorrerei ao Vosso Coração que é um abismo de doçura. Em todas as circunstâncias, em todas as ocasiões, quero abandonar-me ao Vosso Coração, oceano de amor e de caridade, e não sair dele enquanto não estiver toda penetrada pelo seu fogo divino” (cfr. Sta Margarida Maria Alacoque).

Intimidade Divina, Meditações Sobre a Vida Interior Para Todos os Dias do Ano, P. Gabriel de Sta M. Madalena O.C.D. 1952.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico