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CAtólico
O Liberalismo é pecado

O Liberalismo é Pecado – 10. O Liberalismo de todo o matiz e caráter tem sido formalmente condenado pela Igreja?

LIBERALISMO É PECADO

D. Félix Sardà y Salvany

10.  O LIBERALISMO DE TODO O MATIZ E CARÁTER TEM SIDO FORMALMENTE CONDENADO PELA IGREJA?

Sim: o Liberalismo em todos os seus graus e aspectos está formalmente condenado pela Igreja. De modo que, além das razões de malícia intrínseca que o tornam mau e criminoso, há para todo o católico a suprema e definitiva declaração da Igreja, que como tal o há julgado e anatematizado.

Não podia permitir-se que erro de tal transcendência deixasse de ser incluído no catálogo dos oficialmente reprovados, e na verdade o tem sido em diferentes ocasiões.

Já ao aparecer em França, por ocasião da sua primeira revolução, a famosa Declaração dos direitos do homem, em que estavam contidos em germe todos os desatinos do moderno Liberalismo, já então foi condenada por Pio VI esta Declaração.

Mais tarde, esta doutrina funesta, ampliada e aceita por quase todos os governos da Europa, mesmo pelos príncipes soberanos, o que é uma das mais horríveis cegueiras que oferece a história das monarquias, tomou, em Espanha, o nome de LIBERALISMO, por que é conhecida hoje em toda a parte.

Deram-se as terríveis contendas entre realistas e constitucionais, que mutuamente se designaram logo pelos epítetos de servis e liberais.

De Espanha se estendeu a toda a Europa esta denominação. Pois bem; na maior força da luta, por ocasião dos primeiros erros de Lamennais, publicou Gregório XVI a sua Encíclica Mirari vos, condenação explícita do Liberalismo, segundo naquela ocasião se entendia, pregada e praticada pelos governos constitucionais.

Correndo os tempos e crescendo com eles a invasora corrente destas ideias funestas, tomando até o sob influxo de extraviados talentos a máscara de catolicismo, deparou Deus à sua Igreja o Pontífice Pio IX que com toda a razão passará à história com o título de açoite do Liberalismo. O erro liberal em todas as suas fases e matizes foi desmascarado por este Papa.

Para que mais autoridades tivessem as suas palavras sobre o assunto, dispôs a Providência que saísse a repetida condenação do Liberalismo dos lábios dum Pontífice, que os liberais se empenham desde o princípio em apresentar como seu.

Depois dele não ficou já a este erro subterfúgio a que acolher-se. Os repetidos Breves e Alocuções de Pio IX o mostraram ao povo cristão tal qual era; e o Syllabus acabou de opor à sua condenação o último selo.

Vejamos o conteúdo principal de alguns destes documentos pontifícios. Citaremos apenas alguns dentre muitos que poderíamos citar.

A 18 de junho de 1871, respondendo a uma Comissão de católicos franceses, falou-lhes assim Pio IX:

“O Ateísmo nas leis, a indiferença em matéria de Religião, e essas máximas perniciosas chamadas católico-liberais, estas sim, que são verdadeiramente a causa da ruína dos Estados, e da perdição da França. Crêde-me; os estragos que vos anuncio são mais terríveis que a Revolução, mais ainda que a Comuna. Tenho condenado sempre o Liberalismo católico, e quarenta vezes voltarei a condená-lo, se tanto for preciso.”

Em Breve de 6 de março de 1873 ao Presidente e sócios do Círculo de S. Ambrósio de Milão, exprimiu-se assim:

“Não faltam alguns que intentam fazer aliança entre luz e as trevas, e pactuação entre a justiça e a iniquidade, a favor das doutrinas chamadas, católico-liberais, que, baseadas em perniciosíssimos princípios, se mostram favoráveis às invasões do poder secular nos negócios espirituais, e inclinam seus sequazes a abraçar ou tolerar leis iníquas, como se não tivera escrito que ninguém pode servir ao mesmo tempo a dois senhores. Os que assim procedem são inteiramente mais perigosos e funestos que os inimigos declarados, não só porque, sem que alguém o note e quiçá sem eles mesmos o advertirem, secundam as tentativas dos maus, mas também porque, circunscrevendo-se a certos limites, se mostram com aparências de probidade e sã doutrina para alucinar os imprudentes amadores de conciliações, e seduzir a gente honrada que haveria combatido o erro manifesto.”

Em Breve de 8 de maio do mesmo ano à Confederação dos Círculos Católicos da Bélgica, disse:

“O que, sobretudo louvamos em vossa religiosíssima empresa é a absoluta aversão que, segundo me consta, professais aos princípios católico-liberais, e o vosso denodado intento de desarraigá-los. Verdadeiramente, ao empenhar-vos em combater esse insidioso erro, tanto mais perigoso que uma inimizade declarada, quanto mais ele se encobre sob um especioso véu de zelo e caridade, e em procurar com afinco apartar dele as pessoas simples, extirpareis uma funesta raiz de discórdias e contribuíres eficazmente para unir e fortalecer os ânimos. Seguramente vós, que com tão plena submissão acatais todos os documentos esta Sé Apostólica, cujas reiteradas reprovações dos princípios liberais vos são conhecidas, não haveis necessidade destas advertências.”

Em Breve à La Croix, periódico de Bruxelas, em 21 de maio de 1884, diz o seguinte:

“Não podemos deixar de elogiar o intento expresso em vossa carta, e ao qual sabemos que satisfaz plenamente o vosso periódico, de publicar, divulgar, comentar e inculcar nos ânimos tudo quanto esta Santa Sé tem ensinado contra as perversas, ou pelo menos falsas, doutrinas professadas em tantas partes, e nomeadamente contra o Liberalismo católico, empenhado em conciliar a luz com as trevas e a verdade com o erro.”

A 9 de junho de 1873 escrevia ao Presidente e Conselho da Associação Católica de Orleãs, e, sem nomeá-lo, retratava o Liberalismo pietista e moderado, nos seguintes termos:

“Ainda que vossa luta haja de travar-se rigorosamente contra a impiedade, contudo talvez por este lado vos não corra perigo tão grande, como por parte desse grupo de amigos imbuídos naquela doutrina ambígua, que, conquanto rejeite as últimas consequências dos erros, retém obstinadamente os seus germens, e não querendo abraçar-se com a verdade onímoda, nem se atrevendo a abandoná-la por inteiro, empenha-se com todo o afã em interpretar as doutrinas e tradições da Igreja, ajustando-as ao molde de suas privadas opiniões.”

Para não nos tornarmos intermináveis e enfadonhos, contentar-nos-emos com aduzir somente as frases de outro Breve, o mais expressivo de todos, e que por isso não podemos omitir em consciência. É o dirigido ao Bispo de Quimper, em 28 de julho de 1873. Referindo-se à Assembleia Geral das Associações Católicas, que se acabava de celebrar naquela diocese, diz o Papa:

“Seguramente tais Associações não se apartarão da obediência devida a Igreja nem pelos escritos, nem pelos atos dos que com injurias e invectivas a perseguem; porém poderão pô-las na resvaladia senda do erro essas opiniões chamadas liberais aceites por muitos católicos; enquanto ao mais, homens de bem e piedosos, que pela mesma influência que lhes dá a sua religião e piedade podem muito facilmente captar os ânimos e induzi-los a professar máximas muito perniciosas. Inculcai portanto, Venerável Irmão, aos membros dessa Católica Assembléia que Nós ao increpar tantas vezes como o temos feito, os sequazes dessas opiniões liberais, não nos temos referido aos declarados inimigos da Igreja, pois, a estes, ocioso seria denunciá-los, mas a esses outros a que já aludimos, que, conservando o vírus oculto dos princípios liberais, que beberam com o leite, como se não estivera impregnado de palpável malignidade e fora tão inofensivo com eles pensam para a Religião o inoculam com a maior facilidade nos ânimos, propagando assim a semente dessas discórdias que há tanto tempo trazem revolto o mundo. Procurem, pois, evitar estas ciladas e esforcem-se por dirigir seu tiros contra este insidioso inimigo; e certamente se tornarão beneméritos da Religião da pátria.”

Claro o vêem nossos amigos e também adversários: é o Papa que fala nesses Breves, particularmente no ultimo, que de modo especial devem amiudar e estudar.

O Liberalismo é Pecado – Pe. Félix Sardá y Salvany, 1949.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico