Onde achareis outro exemplo de semelhante devotamento? O Pastor morrendo por suas ovelhas, o Criador por suas criaturas.
Oração a Jesus, o Nosso Bom Pastor
Ó meu Jesus, que pastor deu jamais a vida pelas suas ovelhas? Só vós, porque sois um Deus infinitamente amante : vós só pudestes dizer com toda verdade: Eu dou minha vida pelas minhas ovelhas (Jo 10, 15). Vós só haveis podido dar ao mundo o espetáculo dum amor tão excessivo; vós só, Deus e Soberano Senhor nosso, consentistes em morrer por nós. Lembrai-vos, pois, ó Jesus meu, de que sou uma das ovelhas pelas quais destes a vida. Ah! a mim volvei os olhos misericordiosos com aquele amor com que favorecestes a minha alma quando, elevado sobre a cruz, morrestes pela minha salvação; olhai-me, transformai-me, salvai-me. Segundo as vossas próprias palavras, sois aquele terno Pastor que, encontrando a sua ovelha perdida, a toma com alegria, põe sobre os ombros, e convida os seus amigos a folgarem com ele ( Lc 15, 6). Pois bem! eu sou essa ovelha perdida, ó meu Salvador, procurai-me (SI 1 18, 1 76), e achai-me. Se, por minha falta, não me encontrastes ainda, eis-me aqui, tornai-me, prendei-me bem, segurai-me convosco, a fim de que não me desgarre mais. O laço, porém, deve ser o vosso amor; se não me atais com este doce laço, de novo me perdereis. Ah! nada haveis poupado para ligar-me com os nós do santo amor; eu é que sempre fugi de vós; que ingrato que sou! Mas agora, a vós suplico pela infinita misericórdia que vos fez descer à terra na minha procura, ligai-me e seja isto com um duplo laço de amor, para que não me percais dora em diante, nem eu a vós. Amadíssimo Redentor meu, resolvido estou a não separar-me mais de vós. Amo-vos, ó Bom Pastor, morto pela vossa ovelha perdida; sabei, esta ovelha vos ama agora mais que a si mesma, e só tem um desejo, o de amar-vos e se imolar pelo vosso amor. Tende dela compaixão, amai-a, e fazei nunca se aparte mais de vós.
As Mais Belas Orações de Santo Afonso, Coordenadas pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista e vertidas para o vernáculo por D. Joaquim Silvério de Sousa, Editora Vozes, 1961.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico