Depositária generosa das graças divinas, esta Mãe de misericórdia derrama com profusão sobre os seus servos os tesouros das suas liberalidades.
Virgem Santa, a mais elevada de todas as criaturas, desta terra de exílio, vos saúdo, ainda que miserável rebelde ao meu Deus, digno de castigos antes que de graça, de severidade antes que de misericórdia. Se falo assim, ó minha Rainha, não é por desconfiar da vossa bondade. Sei que vos glorificais de ser tanto mais benfazeja quanto maior sois; sei que, se vos regozijais das vossas riquezas, é porque podeis comunicá-las a miseráveis como nós. Sei que quanto
mais culpados são os que vos imploram, tanto mais a peito tornais protegê-los e salvá-los. Ó minha Mãe, oferecei a Deus, vos peço, as preciosas lágrimas que outrora derramastes por mim na morte do vosso Filho, e pelo merecimento delas obtende-me uma verdadeira dor dos meus pecados. Quanto vos afligiram então os pecadores, tanto as minhas iniqüidades vos afligem ainda neste momento: ó Maria, fazei que dora em diante vigie muito sobre mim para não vos afligir de novo pela minha ingratidão. De que me serviriam as lágrimas que por mim derramastes, se persistisse em
pecar? de que me serviria a vossa misericórdia, se, reiterando as minhas infidelidades, viesse a me condenar? oh! não, ó minha Rainha, não o permitais. Ó vós, que de Deus alcançais tudo o que pedis, e atendeis a todos que vos pedem, eis aqui duas graças que vos peço, espero, e até ouso exigir de vós: ser fiel a Deus, não O ofendendo mais, e amá-Lo o resto da minha vida tanto quanto o ofendi.
As Mais Belas Orações de Santo Afonso, Coordenadas pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista e vertidas para o vernáculo por D. Joaquim Silvério de Sousa, Editora Vozes, 1961.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico