Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
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Décimo Quarto Domingo depois de Pentecostes – Pe. Júlio Maria S.D.N.

Décimo quarto Domingo depois de Pentecostes (Mat. 6, 24-34)

  1. Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: ninguém pode servir a dois senhores: porque ou odiará um e amará o outro: ou há de afeiçoar-se a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.
  2. Portanto, vos digo: não andeis (demasiadamente) inquietos nem com o que (vos é preciso) para vestir o vosso corpo. Porventura não vale mais a vida que o alimento, e o corpo mais que o vestido?
  3. Olhai para as aves do céu, que não semeiam nem ceifam, nem fazem provisão nos celeiros; e contudo vosso Pai celeste as sustenta. Porventura não sois vós muito mais do que elas?
  4. E qual de vós, por muito que pense, pode acrescentar um côvado à sua estatura?
  5. E por que vos inquietais com o vestido? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam.
  6. E digo-vos, todavia, que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu jamais como um destes.
  7. Se, pois, Deus veste assim uma erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno: quanto mais a vós, homens de pouca fé?
  8. Não vos aflijais, pois, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos?
  9. Porque os gentios é que buscam (com excessivo cuidado) todas estas coisas. Vosso Pai sabe que tendes necessidade de todas elas.
  10. Buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça: e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.
  11. Não queirais, pois, andar (demasiadamente) inquietos pelo dia de amanhã. Porque o dia de amanhã cuidará de si: cada dia basta o seu cuidado.

A CONFIANÇA EM DEUS

O Evangelho de hoje pode-se chamar: O código da confiança em Deus.

Esta confiança é baseada sobre a paternal Providência que faz tudo bem feito, como vimos no Evangelho, há apenas três semanas.

Como são suaves e reconfortantes as palavras de Nosso Senhor, para nos excitar a confiança.

Vosso Pai celeste sabe… diz Ele.
Olhai para as aves do céu…
Considerai como crescem os lírios…
Não vos inquieteis.

Há homens que se queixam de Deus… que acham tudo mal feito neste mundo, porque não sabem reconhecer o dedo de Deus nos acontecimentos. Examinemos um instante a injustiça destas queixas, vendo:

1. O QUE MERECEMOS.
2. O QUE FIZERAM OS SANTOS.

I. O QUE MERECEMOS

Que fiz eu a Deus, para que Ele me trate deste modo? – assim dizem os homens de pouca fé.

Ah! Se Deus quisesse responder-lhes, não seria difícil reduzi-los ao silêncio, desenrolando diante de seus olhos a longa e vergonhosa lista de seus pecados, que a sua indiferença religiosa lhes esconde.

Estes pecados, tão numerosos quão grandes, lhes mereceram o inferno com seus castigos eternos, e têm eles a coragem de comparar uma leve tribulação passageira com estes castigos eternos que mereceram?

Deus podia mostrar-lhes as tremendas chamas do purgatório!

Que são as penas mitigadas deste mundo em comparação com as expiações da outra vida?

Não é, pois, proveitoso, para nós, podermos sofrer um pouco neste mundo, para poupar-nos os suplícios horríveis da outra vida?

Deus podia ainda mostrar-nos: o seu presépio e a sua cruz e, enfim o céu.

Jesus Cristo, o primeiro, nos deu o exemplo da paciência, para que o imitássemos e aceitássemos com resignação as penas que Deus permite ou nos manda.

O céu, eis o que nunca se deve perder de vista, sobretudo na hora da provação.

A pobreza com suas provações.
A moléstia com suas agonias.
A calúnia com suas amarguras.
A provação com suas agruras.

Tudo isto muda de aspecto, visto á claridade do gozo eterno.

Vinde a mim, vós todos que sofreis, diz o Salvador, e eu vos consolarei.

II. O QUE FAZEM OS SANTOS

Como os santos compreenderam admiravelmente estas lições de Deus!

O exemplo do Santo Jó é conhecido.

Após cada calamidade que lhe anunciarem, ele se contentou em responder: Deus mo deu, Deus mo retirou… Seja bendito o seu santo nome!

Santa Ludvina durante 40 anos ficou como que pregada sobre um leito de dores, sem que nunca nem um gesto de impaciência, nem uma palavra de murmuração lhes escapasse, conservando uma tal serenidade que parecia não sofrer nada.

Santa Isabel de Hungria, duquesa de Turíngia, expulsa de seus estados, com seus quatro filhinhos, abandonada por todos, reduzida à mendicidade, foi0se a um convento de franciscanos, pedir que cantassem um solene “Te-Deum” em ação de graças pelo benefício que acabava de receber, de poder sofrer qualquer coisa por amor de Deus.

São Luiz, Rei da França, dizia, falando de seu cativeiro no Egito, onde muito sofrera da parte dos sarracenos: “Alegro-me e dou mais graças a Deus, pela paciência que me deu durante o cativeiro, do que se houvesse conquistado toda a terra”.

Os santos olhavam para Deus, enxergavam a sua mão em toda parte, e beijavam essa mão, através do sofrimento como através das alegrias.

É Deus que se esconde como através de um véu, e Deus é sempre igualmente bom, é sempre Pai, e o pai sempre quer o bem de seus filhos.

Ele permite, às vezes, o mal físico para tirar um bem deste mal que é apenas aparente. Permite até o mal moral ou pecado, que é o único mal verdadeiro, por não poder violentar a liberdade do homem, mas um simples animal; até do mal moral, porém, Deus sabe tirar um bem.

III. CONCLUSÃO

Excitemos em nós esta confiança ilimitada na Providência divina, que no Evangelho de hoje Jesus nos manifesta tão claramente.

Deus é nosso Pai, e conhece as nossas necessidades.

Ele dirige, governa e dispõe tudo, com peso e medida, para o bem dos eleitos.

Devemos tomar as nossas precauções; estas são exigidas pela prudência e pela vontade divina; mas, depois de termos feito o que depende de nós, confiemos em Deus… Como disse admiravelmente Santo Inácio: Façamos como se tudo dependesse dos nossos esforços, e confiemos em Deus, como se tudo dependesse dEle.

Comentário Dogmático, Padre Júlio Maria, S.D.N., 1958.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico