Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
At Prayer; Edward Longsden Long, 1829-91

Oração na tribulação

Senhor meu Deus, sêde bendito agora e sempre, porque tudo foi feito segundo o quereis, e é bom o que fazeis. Pai justo e sempre digno de louvores, é chegada a hora em que há de ser provado o Vosso servo. Pai amoroso, é de justiça que eu sofra alguma coisa. Pai sempre adorável, o momento que de toda a eternidade prevíeis havia de vir, ei-lo chegado, para que o Vosso servo, por um pouco de tempo, esteja abatido no exterior, afim de viver para sempre em Vós verdadeira e interiormente.

Seja embora eu por um instante abatido, humilhado e reduzido e nada diante dos homens, oprimido de sofrimentos e enfermidades, afim de que ressuscite conVosco na aurora de um novo dia, e entre na posse da glória no paraíso.

Pai Santo, assim o determinastes, deste modo o quisestes, e como mandastes, assim foi feito.

Pois que é uma graça que fazeis àqueles que Vós amais, o padecerem eles dores e tribulações neste mundo. Sem o Vosso desígnio e sem a Vossa providência nada se faz na terra. Para mim é bom, Senhor, que me tenhais humilhado, para que eu aprenda as Vossas justificações, e desterre do meu coração toda a soberba e presunção. É útil para mim ter se coberto o meu rosto de confusão, para que assim aprenda a procurar consolar-me em Vós, antes que aos homens.

Graças Vos dou por não me terdes poupado o sopro da adversidade, antes me terdes castigado severamente, infligindo-me dores, e acabrunhando-me por todos os lados de angústias.

Não há ninguém debaixo do céu capaz de me consolar, senão Vós só, Senhor meu Deus, médico celestial das almas, que feris e sarais, que nos conduzis até as portas da morte, e delas tornais a tirar-nos.

Pai amantíssimo, eis me aqui em Vossas mãos. Inclino-me debaixo da vara que me castiga. Açoita-me, dobrai-me a cerviz, para que as minhas torcidas inclinações se endireitem segundo a retidão da Vossa vontade. Fazei de mim, como bem sabeis fazê-lo, um discípulo humilde e piedoso, sempre pronto a obedecer-Vos ao menor aceno.

Abandono-me com tudo o que me pertence, à Vossa punição, pois é preferível ser castigado nessa vida, a sê-lo na outra. Vós sabeis tudo, e não há nada na consciência humana que Vos seja oculto. Sabeis o que mais convém à minha salvação, e como me é útil a tribulação para limpar a ferrugem dos vícios.

Fazei de mim, como for de Vossa vontade e gosto. não me desprezeis por causa da minha vida pecaminosa, que Vós só, mais que nenhum outro, bem claramente conheceis.

Fazei-me, Senhor, possível pela graça, o que pela natureza parece-me impossível. Bem sabeis, quão pouco posso padecer, e como repentinamente me abato pela menor contrariedade. Permiti, pois, ó meu Jesus, que se me torne aprazível e amável pelo Vosso Nome, qualquer que seja a prova e tribulação, visto como é no experimentar dores e aflições por amor de Vós que minha alma achará sua salvação. Amen.

(Imit. III. 50, 19.)

Adoremus – Manual de Orações e Exercícios Piedosos por D. Frei Eduardo José Herberhold O.F.M, 1929.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico