Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

Pecadores, não vos iludais. Passais a vida no pecado mortal e esperais converter-vos e salvar-vos na hora da morte. É possível, mas extremamente difícil. Só por um milagre da misericórdia de Deus. Em regra geral, o homem morre como vive. Jesus Cristo o disse: “a árvore cai para o lado para o qual pende; o que o homem semeia, é o que colhe”. Quem semeia durante toda a sua vida o pecado mortal, colhe na hora da morte o fruto do pecado mortal, uma morte péssima, diz a Escritura.

Preparemo-nos, pois, para a morte. Como? Vivendo sempre na amizade de Deus, pedindo todos os dias a graça da boa morte, pensando frequentemente nela. Pelo menos uma vez por mês, meditemos sobre a morte, que talvez esteja perto, e depois rezemos com fervor a oração seguinte.

Pio exercício e oração para alcançar uma boa morte

Jesus Cristo, Senhor Nosso, Deus de bondade e Pai de misericórdia, eu me apresento diante de Vós com o coração humilhado, contrito e confuso, implorando a Vossa misericórdia para a minha última hora, e para o que depois dela me espera.

Quando os meus pés imóveis me advertirem que a minha peregrinação neste mundo esta próxima a terminar,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando as minhas mãos trêmulas e entorpecidas não puderem já sustentar Vossa imagem crucificada, e a meu pesar a deixar cair sobre o leito de minhas dores,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando os meus olhos, já vidrados e ofuscados pelo horror da morte iminente, se fixarem em Vós com um olhar lânguido e moribundo,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando os meus lábios frios e trêmulos pronunciarem pela última vez Vosso Nome adorável, e o da Vossa Santíssima Mãe,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando as minhas faces pálidas e lívidas inspirarem aos circunstantes compaixão e terror, e os meus cabelos, banhados do suor da morte, anunciarem estar próximo o meu fim,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando os meus ouvidos, prestes a cerrar-se para sempre aos discursos dos homens, se abrirem para escutar a Vossa voz e a Vossa irrevogável sentença,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando a minha imaginação, agitada por tenebrosos fantasmas, estiver submersa em mortais tristezas, e meu espírito, perturbado pelo temor de Vossa justiça, lutar contra o anjo das trevas, que buscará lançar-me no desespero,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando o meu débil coração, oprimido pelas dores da enfermidade, exausto, estiver tomado dos horrores da morte,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando eu derramar a minha última lágrima, sinal de minha destruição, recebei-a em sacrifício expiatório, e naquele momento,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando os meus parentes e amigos, estando em torno de mim, se enternecerem ao ver meu lastimoso estado e por mim vos intercederem,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando as últimas ânsias do meu coração forçarem a minha alma a sair do meu corpo, aceitai-as como sinais de uma santa impaciência de chegar a Vós, e Vós,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando a minha alma, saindo do meu corpo, o deixar pálido, frio, sem vida e entregue à corrupção, aceitai, Senhor, a destruição do meu ser como homenagem que presto à Vossa suprema Majestade, e então,

Ó misericordioso Jesus, tende piedade de mim!

Quando, finalmente, a minha alma comparecer diante de Vós, não a expulseis de Vossa presença; mas dignai-Vos recebê-la benignamente, para que eu possa cantar eternamente no céu as Vossas misericórdias. Assim seja.

Oração – Meu Deus, que, condenando-nos à morte, nos ocultastes a hora dela, fazei que, vivendo na justiça e santidade todos os dias da nossa vida, mereçamos sair deste mundo no Vosso santo amor; pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, que convosco vive e reina, em unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amen.

Maná ou Alimento da Alma Devota – Orações e Exercícios Piedosos compilados por Frei Ambrósio Johanning O.F.M., XXII Edição, 1955.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico