Não é necessário, meu filho, saber muito para Me agradar muito; basta que me ames com fervor. Fala-Me, pois, aqui, com simplicidade e candura, como falarias aos mais íntimo dos teus amigos, como falarias à tua mãe, ao teu irmão.
Precisas fazer-Me alguma súplica em favor de alguém? Pede muito, muito, não desanimes em pedir. Deleitam-Me os corações generosos que chegam a esquecer quase de si próprios, para atender às necessidades alheias.
E para ti, não necessitas de alguma graça?… Se queres, faze-Me um como catálogo de tuas necessidades e vem lê-lo ao pé de mim.
Dize-me francamente que sentes em ti a soberba, o amor à sensualidade e ao regalo; que és talvez egoísta, inconstante, negligente… e pede-Me que vá em detença em auxílio dos esforços, poucos ou muitos, que fazes para sacudir de ti essas misérias…
Não te envergonhes, pobre alma!… Há no Céu tantos e tantos justos, tantos e tantos santos de primeira ordem, que tiveram esses mesmos defeitos. Porém oraram com humildade, lutaram com energia e constância e pouco a pouco se viram livres deles.
Menos ainda duvides pedir-Me bens espirituais e temporais: saúde… memória… bom entendimento… êxito feliz nos trabalhos, negócios ou estudos… Tudo isso posso dar-te e o dou, e desejo que Mo peças, contanto que não seja contrário à tua santificação, antes, nela te ajude e aproveite.
Agora mesmo, que necessitas?… Que posso fazer para teu bem?… Se souberas os desejos que tenho de te favorecer!…
Estás contente no Seminário?… O ideal do Sacerdócio está bem vivo em teu coração?… Ou será que às vezes ele quase se extingue?…
Não queres que tome algum interesse por ti?… Meu filho, Eu sou Senhor dos corações e levo-os suavemente, sem prejuízo da liberdade deles, para onde Me apraz…
Sentes acaso tristeza ou mau humor?… Pobre alma desconsolada, conta-Me com todos os pormenores as tuas tristezas… Quem te amargurou?… Quem ofendeu o teu amor próprio?… Quem te desprezou?…
Aproxima-te do meu Coração que tem bálsamo eficaz para todas as feridas do teu. Dá-Me conta de tudo e acabarás em breve por dizer-Me que, à minha imitação, tudo perdoas, tudo esqueces… e terás, em prêmio, a minha benção consoladora.
Temes porventura?… Lança-te nos braços da minha Providência. Estou contigo… Tens-Me aqui, a teu lado: tudo vejo, ouço tudo e nem um momento te desamparo.
E não tens alguma alegria, alguma consolação que Me comuniques?… Por que não Me fazes participante delas, como a bom amigo?
Conta-Me o que desde ontem, desde a tua última visita, te consolou e fez dilatar o teu coração… Tudo é obra minha: tudo isso, Eu dispus em teu favor. Por que não Me hás de manifestar por tudo a tua gratidão e dizer-me sinceramente, como um filho a seu pai: – Graças, meu Pai, graças infinitas!… O agradecimento traz consigo novos benefícios, porque dá gosto ao benfeitor ver-se correspondido.
E por Mim?… Não sentes desejo da minha glória?… Não quererias, por amor de Mim, fazer algum bem a teu próximo… a teus amigos… àqueles que tu estimas e talvez vivam esquecidos de Mim?… Abre generosamente o teu coração…
Não tens alguma promessa que fazer-Me?… Leio, já o sabes, no fundo do teu coração. Os homens podem enganar-se facilmente; Deus não. Fala-Me, pois, com toda a sinceridade. Tens firme resolução de não te expores mais àquela ocasião de pecado?… de privar-te daquele objeto que te exaltou a imaginação?… de não tratar mais com aquela pessoa que te roubou a paz da alma?… E voltarás a ser manso com aquela outra, a quem, por não te servir uma vez, tens olhado até hoje como inimigo?…
Pois bem, meu filho! Volta às tuas ocupações ordinárias… ao convívio dos teus… ao teu estudo… Porém, não esqueças os minutos de grata conversação que tivemos aqui os dois, na solidão do Santuário… Guarda, em tudo que puderes, silêncio, modéstia, recolhimento, resignação na minha vontade e caridade com o próximo. Ama deveras minha Mãe, que também o é tua, a Virgem Santíssima…
E volta de novo amanhã, com um coração mais amoroso ainda e mais dedicado ao meu serviço; no meu, encontrarás cada dia, novo amor, novos benefícios, novas consolações.
Manual do Seminarista Menor, 1955.
Última atualização do artigo em 13 de setembro de 2026 por Arsenal Católico