Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Detalhe: Peter Paul Rubens, Assunção de Maria, cerca 1616-1618, Domínio Público, Wikimedia Commons

A Assunção gloriosa da Virgem Maria

1º. – A Imaculada Conceição e a Assunção. – São dois mistérios da Santíssima Virgem que têm entre si íntima relação. – A igreja assinala os dois e realça-os sobre todos os outros conservando o dia santo destas festas depois de ter suprimido outros da Santíssima Virgem. – A Imaculada Conceição e a Assunção são o princípio e o termo da vida da Santíssima Virgem na terra… e estes dois extremos estão tão unidos entre si que um vem a ser como que a causa ou
a razão do outro… Se é Imaculada não pode ficar no sepulcro… necessariamente há de subir ao céu. – A Conceição imaculada é um privilégio… uma excepção do pecado com que todos nascemos… A Assunção é outra excepção da regra geral que todos temos de seguir na nossa morte. – Por isso Maria mais do que morrer, o que faz é deixar a sua mortalidade no sepulcro… e assim como foi concebida para a graça foi concebida para a glória através da morte do corpo, mas vencendo a morte. – Nunca foi escrava do pecado nem na sua Conceição; por isso foi Imaculada…; não pôde ser escrava da morte nunca; por isso foi levada ao céu em corpo e alma… Deste modo a Assunção da Santíssima
Virgem é o complemento necessário da sua Conceição Imaculada.

2º. – A verdade da Assunção. – A Igreja já celebrava esta festa como uma das suas grandes solenidades. No dia 1
de Novembro de 1950, Pio XII satisfazendo os anseies de toda a Igreja proclamava finalmente como dogma a Assunção de Nossa Senhora ao céu. – Para o coração cristão não havia possibilidade de dúvida. – A Ascensão de Jesus aos céus tem relação directa com a sua Paixão… Pois bem, se a paixão dolorosa acabou para Jesus na glória da .sua Ascensão…, para Maria, que tão unida esteve a seu Filho no Calvário, havia de acabar no triunfo da Assunção.

Todos havemos de ressuscitar… e esperamos na sua graça que havemos de subir ao céu… Mas não era justo que Maria se adiantasse como Mãe nos preparasse a nossa morada e casa de filhos no céu?… Foi a primeira na graça…, na santidade…, na pureza…, no voto de virgindade…; portanto que coisa mais natural que o fosse também na Ressurreição e Assunção?

Se assim não fosse, poderíamos dizer que Cristo teria procedido injustamente com sua Mãe negando-lhe as honras que concedeu aos corpos mortos dos outros santos… Onde está o corpo de Maria…, onde as suas relíquias…, onde o sepulcro magnífico…, a urna riquíssima em que se guardam os seus restos? – Não existe nada disto…, nem pode existir… Conclui pois com um acto de fé nesta verdade… certa e indubitável da Assunção em corpo e alma ao céu da tua querida Mãe. – Dá por isso graças ao Senhor… parabéns à Virgem Santíssima, visto que pela Assunção ocupa o lugar que lhe corresponde no reino de Deus.

3º. – A glória da Assunção. – Contempla pela última vez aquele sepulcro, donde vai a brotar de repente como uma explosão de luz no meio das trevas, a vida triunfante da morte. – Nos três dias que aquele corpo imaculado esteve no sepulcro, foi guardado e custodiado por anjos enviados por Deus desde o céu, como escolta de honra a que ia ser dentro em pouco coroada como rainha de todos eles. – Ouve aquelas músicas celestiais que, para honrar aquele corpo virginal, entoariam os anjos sem cessar. – Escuta aquelas exclamações com as quais fariam doce violência ao Senhor ao repetir sem cessar as palavras do salmo, que parece escrito para esta ocasião: Levanta-te, Senhor, vem para o lugar do teu descanso. Tu e a Arca da tua santidade… Levanta-te às alturas do teu trono…, senta-te à direita de teu Pai, que é o lugar que te corresponde…, mas leva contigo a Arca Sagrada onde estiveste encerrado…, onde foi depositado o infinito tesouro da tua santidade…; glorifica já essa carne bendita e esse sangue puríssimo que serviram para formar o teu sacratíssimo corpo… e te deram matéria para ofertar a teu Pai a hóstia de reparação e santificação pelos pecados do mundo inteiro.

E com efeito, chegou o momento ditoso em que Deus quis dar execução a estes desejos do céu… e por ordem sua desceu a alma de Maria a unir-se de novo com o seu corpo… e aquele corpo, assim vivificado com a vida da imortalidade, começou a subir ao céu, segundo diz a Igreja, como naturalmente sobe às alturas a nuvem de fumo do
incenso.

Pára a contar o número sem número de anjos que em legiões cerradas descem do céu para acompanhar o triunfo de
Maria…; as suas músicas e os seus hinos de glória fendem os ares com as mais doces e suaves harmonias… O gozo que experimentam é inexplicável. – Deus aumentou hoje a sua glória e felicidade… Que cortejo tão formosíssimo! – Todos brilham com nova luz neste dia e… contudo, no meio deles…, como a lua entre as estrelas, sobressai o brilho…, o esplendor…, a puríssima formosura da Santíssima Virgem, a qual, pela mão de seu Filho ( que quis vir em pessoa a buscá-la e fazer com a sua presença mais solene…, mais grandioso o triunfo de sua Mãe)… vai lentamente deixando a terra… pisando as nuvens… e atravessando as mais altas esferas… chega às mesmas portas do céu, onde novos anjos impacientes saem a esperar aquela magnífica procissão que sob da terra ao céu.

Assim acaba a cena da terra e começa a glória do céu. Reúne na tua imaginação tudo quanto de grande e esplêndido
possas imaginar, porque tudo será nada em comparação com a sublime e grandiosa realidade… – Vê-te com tanta pequenez…, com tanta miséria…, diante da grandeza da tua Mãe… e levanta-te com ela, sobre as coisas da terra… Trata
em especial de imitar a humildade que teve nesta vida, para que depois, com Ela e como ela… seja a tua alma exaltada
e sublimada na outra.

Pontos de Meditação Sobre a Vida e Virtudes de Nossa Senhora, D. Ildefonso Rodriguez Villar, 1954.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico