Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Charles Le Brun, Assunção de Maria, 1670s, Domínio Público, Wikimedia Commons

A Assunção de Maria

A vida de Maria Santíssima está de tal maneira ligada à vida de Jesus Cristo que não podemos falar de Maria sem pensar em Cristo.

Maria foi a Mãe Imaculada de Jesus. Apresentou-o ao templo. Defendeu-o contra Herodes. Levou-o para o Egito. Viveu toda a sua vida em Nazaré para Jesus.

Alegrou-se com os seus triunfos e conseguiu o primeiro dos seus milagres.

Mas é principalmente nos atrozes padecimentos da Paixão e Morte de Cristo que Maria Santíssima está ao seu lado, sofrendo o mais cruel dos martírios.

Não era justo que Cristo não a associasse ao seu triunfo. Cristo é bom Filho e Todo Poderoso. Não é preciso dizer nada mais para se compreender que Maria Santíssima, após cumprida sua missão nesta terra, fosse recebida triunfalmente no céu não só com a sua alma, imaculada e cheia de graça, mas também com o seu corpo santíssimo, onde se formou o corpo sacrossanto de Jesus.

É esta verdade que vamos considerar hoje: a Assunção de Nossa Senhora aos céus.

Jesus tinha partido para o céu, a receber a coroa de glória, que era seu triunfo da vida sobre a morte. Mas achou conveniente deixar ainda na terra, por algum tempo, sua Mãe Santíssima, para ajudar, com seus carinhos maternos, educar e orientar os primeiros cristãos.

Mas a Virgem Santíssima, que sempre tinha vivido com Jesus e para Jesus, tinha desejos ardentes de ver de novo o seu Filho querido. E Jesus, atendendo a um amor tão grande e a tão intensos desejos que eram também os seus, veio chamá-la para junto de si. É assim que Maria, depois de tanta dedicação a Jesus e a nós, morre de amor, para ir viver com Jesus e com Ele interceder por nós.

Convinha que o Nosso Salvador tivesse morrido para, vencedor da morte, ser coroado de glória.

Mas Deus, desde toda a eternidade, escolhera Maria para ser a Mãe de Jesus. Rolava pelo mundo a geração de Eva contaminada pelo pecado, enquanto Maria era lírio formoso, cheio de graça desde seu primeiro instante. Sonhavam as filhas de Israel com a glória da maternidade. Maria, porém, só tinha querido viver para Deus, consagrando-lhe a flor mimosa que dele recebera, a virgindade. Atraindo assim os olhos do Altíssimo, foi feita a Mãe de Deus. Dali por diante viveria só para o seu jesus e com seu Filho amado. Acompanha-o no sacrifício da cruz, oferece-o ao Eterno Pai e oferece-se com jesus por nós.

Deus aceita o sacrifício de Maria, mas completada sua missão na terra, Jesus, Rei Imortal, olhando para a terra dos seus irmãos, vê que chegou o momento de coroar a sua Mãe Santíssima rainha do céu e da terra. Filho devotado que era, não queria viver separado de sua Mãe querida. E sendo Deus, podia fazer nela o que em si mesmo já tinha realizado e concederia aos eleitos no fim do mundo, isto é, podia levá-la para o céu em corpo e alma. Seria o trunfo completo e a coroa de tantos sofrimentos por que passara na terra.

Havia mais, Jesus olhando para os seus irmãos, que ainda estavam no mundo, quis dar-lhes esta imensa alegria. Nossa Senhora pertencia à nossa família humana e seria uma honra muito grande para todos nós ver que ela tinha sido escolhida por deus para ser coroada Mãe de Deus, Mãe nossa e Rainha do céu e da terra.

Vejamos agora o seu triunfo, a sua entrada no céu em corpo e alma, a sua Assunção. Dizemos Assunção e não Ascensão porque Nossa Senhora foi para o céu não pelo seu poder mas pelo poder de Jesus.

Infelizmente não podemos nem imaginar qual tenha sido a triunfal entrada de Maria no paraíso. Ansiosos estão os querubins por contemplar a beleza de sua Rainha. Todo o céu de anjos e santos é um exército às suas ordens reais. Anjos e arcanjos, iluminados pelo espelho das perfeições de Deus em Maria, se oferecem, para as suas embaixadas. Assistem os habitantes do céu, cheios de gozo, a festiva proclamação da Realeza de Maria. E Jesus Cristo, cheio de amor, beija a mão direita de Maria e fala: “A tua beleza me encanta e eu te amei; és minha Mãe. E, minha Mãe, sobe ao trono e reina. todas as forças estão sob o teu comando. Céus e terra obedecem ao teu poder. Treme o inferno ao teu batalhão real. Fazem guarda à tua corte os anjos e os homens”.

Assim falou Jesus. mas naquela entrada triunfante, todos os habitantes do céu exclamam: quem é esta que avança e vai subindo, braços dados ao seu Filho amado? É a lua bela que derrama seu clarão. É o sol que resplandece ao meio-dia. É a Rainha que dirige os combates do céu e da terra. Abrem-se, de par em par, as portas do céu para o Rei que entra conduzindo pela mão sua Mãe querida e enquanto os anjos e santos vão cantando “Rainha do céu, alegrai-vos”, exclama Jesus com imensa alegria: “minha Mãe, eu sou teu Filho”, e lhe põe na cabeça a coroa de Rainha dos anjos e santos, de Rainha do céu e da terra.

E lá do trono em que reina volta para nós os olhos amorosos e pede a Jesus que um dia estejamos com ela no céu, festejando também o seu triunfo e o de seu Divino Filho.

Acompanhemos com alegria o triunfo da Virgem Santíssima. E vivamos na doce esperança de um dia festejarmos no céu a Senhora da Glória.

Procedamos de modo a triunfar com nossa Mãe do céu, ao lado de Jesus, que é o nosso Senhor.

É muito grande a devoção do povo brasileiro a Nossa Senhora da Glória, festejando a 15 de Agosto a Assunção de Nossa Senhora e realizando, nesse dia, em muitas cidades, a procissão de Nossa Senhora da Boa Morte.

Recorramos também nós À Virgem Santíssima, pedindo que ela nos obtenha estas duas graças: uma boa e santa morte e, depois, que nos associemos a ela, nossa querida Mãe celestial, na eterna glória.

Exemplo: Era o Natal de 1910. Carlotinha, filha de um ministro italiano, Garabelle-Orlando, vai fazer, à meia-noite, a primeira comunhão, na capela das Irmãs da Assunção em Roma. O sacerdote sussurra aos ouvidos da pequena: “Agora, Carlotinha, pede a Nosso Senhor pelo Santo Padre e por mim. Pede também que se realize o desejo mais ardente do meu coração, que chegue logo o dia em que a Assunção da Santíssima Virgem seja definida como verdade de fé”. A menina e sua família rezaram desde aquele momento pela intenção daquele Monsenhor tão bom que havia de ser Pio XII e que a 1º de Novembro de 1950 havia de definir o dogma da Assunção para que todos acreditássemos com toda certeza que Nossa Senhora está no céu em corpo e alma.

Oração. – Nossa Senhora da Glória, nós vos damos os parabéns pela vossa gloriosa Assunção. É muito grande a nossa alegria, ao vermos que estais no céu, ao lado de Jesus.

E, agora, Mãe querida, olhai para nós do céu e fazei brotar em nosso coração uma grande esperança de celebrarmos a vossa festa na glória. Amen.

Em união com Nossa Senhora da glória rezemos o “Creio em Deus Pai…”

Resolução: Maria, Nossa Mãe, é a Rainha dos céus. Saudemos, nos grandes momentos de alegria e de tristeza, nossa Senhora rezando a “Salve´Rainha”.

Leituras de Doutrina Cristã, Parte I – Dogma, Padres Jesuítas de Três Poços, Pinheiral, Estado do Rio, 1958.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico