Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
A church interior with women at the confessional, by Ludwig Passini - 1863

A Confissão geral e seus frutos

Recordarei na vossa presença com amargura de alma todos os anos da minha vida. (Is. XXXVIII, 15)

A confissão geral, aquela em que se repetem todas ou várias das confissões anteriores, é para alguns necessária, para outros prejudicial e para muitos proveitosa.

É necessária, quando o pecador ocultou algum pecado grave nas confissões anteriores, ou quando estas foram nulas por falta de arrependimento.

É prejudicial, para as almas escrupulosas, que andam num contínuo desassossego acerca da validade das suas confissões, pois neste caso apenas serve para aumentar a intranquilidade. O que hão de fazer, é submeter-se humildemente ao parecer do confessor, e seguir as suas indicações.

É proveitosa, e deve-se aconselhar a todos, exceto às almas escrupulosas, em certas ocasiões, por exemplo, quando se toma estado, numa enfermidade grave, em tempo de jubileu e de missão.

Os frutos que ela nos proporciona são vários.

Ajuda a conhecermo-nos melhor. Com efeito, depois de um exame consciencioso dos pecados que cometeste numa série de anos, vens num conhecimento mais perfeito do estado da tua alma. Então, o teu juízo, ao abrigo das paixões, é mais sereno, julgas como se não se tratasse de ti.

E Deus premiará este esforço, outorgando-te dum modo especial o auxílio da sua graça, para veres claramente o que hás de fazer ou omitir para o futuro, afim de assegurares a tua salvação.

A consideração de uma grande parte da vida, suscitará uma contrição maior e mais íntima, à vista do grande número de pecados que se apresentam à alma, a qual sentirá mais vivamente o desejo de se emendar e de satisfazer pelos muitos erros, que a misericórdia de Deus lhe este sofrendo.

Por isso, não é para admirar, que muitos tenham sentido que a confissão geral foi para eles o ponto de partida da sua conversão. Nesse momento começaram uma vida nova, sentiram uma tranquilidade até então desconhecida, cobraram ânimo e romperam por completo com o pecado.

Se quiseres alcançar a consolação plena e os frutos perfeitos, que a confissão proporciona, retira-te alguns dias a sós com Deus, para te consagrares aos exercícios espirituais. Se o não puderes fazer, recolhe-te meia hora por dia na presença de Deus, a orar, ler algum livro piedoso, e examinar a tua consciência.

Distribui por partes o tempo, sobre que há de recair a confissão geral, e examina primeiro os pecados mortais: depressa os descobrirás; e, refletindo sobre o seu número, classifica-os o melhor que puderes. Ainda que os pecados veniais não são matéria necessária da confissão, contudo não deixa de ser muito útil a sua acusação.

Depois desta preparação remota, consagra algum tempo à próxima e imediata. Então, é de toda a conveniência meditar na maldade do pecado, conforme dissemos no capítulo quinto e seguintes, para conceberes um ódio profundo ao mal e uma dor intensa por o teres cometido.

Em seguida aproxima-te humildemente do confessor, e, depois de lhe pedires que te ajude, declara-lhe, em primeiro lugar, os pecados cometidos depois da última confissão. Responde com brevidade e precisão às suas perguntas, e ouve atentamente as suas advertências. Fica certa de que o teu esforço será amplamente recompensado e de que experimentarás nele uma doce consolação durante a vida, e sobretudo à hora da morte.

A Virgem Prudente, Pensamentos e Conselhos acomodados às Jovens Cristãs, por A. De Doss, S.J. versão de A. Cardoso, 1933.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico