Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Paixão de Cristo - Crucificação

A Paixão do Senhor: Tenho sede

Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a de vinagre e apresentou-lhe na ponta de uma vara para que bebesse. Os outros diziam: Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo (Mt 27, 48-49).

Apesar de todo sofrimento na cruz e toda zombaria, o Senhor cumpriu tudo o que estava estabelecido na Escritura. Dizendo que tinha sede confirmava o salmo: na minha sede deram-me vinagre para beber ( SI 68, 22).

Estava com uma sede que o atormentava, pois havia perdido muito sangue. Minha garganta está seca qual barro cozido, pega-se no paladar a minha língua (SI 21, 16). Não pediu água, apenas disse que tinha sede. Havia ali um vaso cheio de vinagre (Jo 19, 29), que era uma bebida usada pelos romanos e deram-lhe para beber.

A Virgem Maria gostaria de saciar a sede de seu Filho, mas os soldados não deixaram que se aproximasse, e ela continuou sofrendo ali a mesma sede do Filho.

Mais do que a sede que resseca agarganta, o Senhor tem sede pela nossa salvação.

Senhor, gostaria que minhas lágrimas de arrependimento matassem sua sede, mas eu sou muitas vezes mais cruel que seus inimigos, sou incapaz de trazer alívio.

Porque tinha sede pela nossa salvação, o Senhor desejou padecer muito por nós, por isso não reclamou da tortura da cruz, seu amor era maior e vencia os tormentos. Depois do cálice de amargura que bebeu no horto, aceitando a vontade de Deus, ainda estava com sede. As torrentes não poderiam extinguir o amor nem os rios o poderiam submergir (Ct 8, 7). Foi uma loucura o que o Senhor fez, é como se tivesse bebido toda a água de um rio e ainda tivesse sede. É maravilhosa a sede de sofrer por nosso amor.

A sua sede de amor meu foi tanta que entrou mar adentro e as ondas submergiram, afundou num mar de dor até morrer. No alto mar do sofrimento ainda diz que tem sede?

Os soldados que estavam de guarda tinham que esperar até que os condenados estivessem mortos. Por isso, levavam com eles, para acalmar a sede, uma mistura de água com vinagre chamada de posca. Traziam também para dar aos condenados, porque um dos maiores tormentos na cruz é a sede. Quando o Senhor disse que tinha sede, um dos soldados espetou uma esponja na ponta da lança, molhou-a na posca e deu de beber a Jesus.

Os outros que não tinham piedade, disseram para deixar, pois Elias iria salvá-lo.

Que se poderia fazer por minha vinha, que eu não tenha feito? Por que, quando eu esperava vê-la produzir uvas, só deu agraço? (Is 5, 4). Em vez de vinho, produziu vinagre.

Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado (Jo 19, 30).

A Paixão do Senhor, Luis de La Palma, 1624.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico