Inflamai, bom Jesus, nesta hora minha alma com o fogo de Vossa caridade; alumiai, amor meu, este coração com Vossa eterna luz; enfreai o distraimento de meus pensamentos, ajuntai todos meus sentidos interiores e exteriores, tirai de meu coração a névoa e cegueira, para que Vos veja, Vos entenda, Vos conheça, Vos ame, Vos receba, e abrace com puro amor. Quão formoso Sois, Esposo de minha alma, quão rico, quão cheio de bens Vos mostrais saindo desse tabernáculo onde residis, e quão abrasado de amor vindes entrar em mim, que sou terra e degredo de misérias! Bendito sejais, meu Salvador, que assim esqueceis minha miséria para só Vos lembrardes de Vossa misericórdia. Vinde pois saúde minha, vinde glória minha, vinde bem-aventurança esperada, e desejada desta alma. Adoro-Vos, Deus escondido, adoro essa alma, adoro essa divindade, adoro esse amor, adoro essas misericórdias, adoro esses divinos bens, e riquezas de que estais cheio. Sem ser buscado nos buscais, Deus meu, sem ser buscado nos buscais, Deus meu, sem ser chamado vindes a nossas miseráveis moradas; que fareis a quem Vos deseja e chama! Chamo-Vos, bom Jesus, vinde a esta alma, entrai nesta morada obscurecida pelo pecado, e conVosco entrará a luz que me alumie, a graça que me santifique e a salvação que me conduza à vida eterna.
Ó Salvador de minha alma, quem tivera os desejos de todos os Santos e Santas, que com mais fervorosos afetos hão desejado receber-Vos; os de Santa Marta par hospedar-Vos, e os de sua irmã para não me apartar um só instante de Vossos pés!
Quem tivera os abrasadíssimos desejos e fervorosíssimos afetos da Santíssima Virgem, para receber-Vos, agradar-Vos, e servir-Vos!
Quem tivera a grandeza dos Céus, a pureza dos Anjos, e o abrasado amor dos Serafins!
Quem possuíra todas as virtudes para convidar-Vos, Senhor, a que viésseis a minha morada!
Oh! que ditoso eu fôra, se em graça recebera o Autor da vida, para tê-Lo em minha alma!
Que rico estivera eu possuindo-Vos em graça e em pureza!
Vinde, Senhor, a mim, pois assim é Vossa vontade; que seu eu pudera, de mim não sairíeis eternamente.
Ó Senhora minha benditíssima, alcançai-me este bem de vosso amado Filho!
Como o servo deseja as fontes das águas, assim minha alma suspira por Vós, Deus meu.
Eu, Senhor, o desejo, o peço, e o quero.
Manual da Missa e da Confissão, por José Ignácio Roquete, Presbítero Secularizado por Breve Apostólica, Excelente de Teologia, e Pregador da Santa Igreja Patriarcal de Lisboa., 1837.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico