O meu amado é meu e eu dele (Cânt 2, 16). Sim, meu Deus, pois Vos destes todo a mim, muito ingrato seria se não me desse todo a Vós. Todo para Vós me quereis: aqui estou, Senhor; aceitai o dom que Vos faço de mim mesmo: suplico-Vos pela Vossa misericórdia não o rejeiteis. Fazei que o meu coração, tanto tempo aferrado às criaturas, se entregue agora sem reserva ao amor da Vossa bondade infinita. “Morra este eu desde já, direi com Santa Teresa, e viva Deus em mim! Viva, sim, e me dê a vida! reine, e seja eu o seu escravo! a minha alma não quer outra liberdade”. Amabilíssimo Senhor, o meu coração é mui pequeno para amar um Deus digno de amor infinito! cometeria, pois, injustiça, se quisesse parti-lo entre vós e as criaturas. Amo-Vos, Deus meu, amo-Vos sobre todas as coisas; não amo senão a Vós; dou-me todo a Vós, ó Jesus, meu Salvador, meu amor, meu tudo! Não desejo nesta vida e na outra senão o tesouro do Vosso amor. Vós Sois o Deus do meu coração (SI 72, 25); não quero mais que criatura alguma ache lugar no meu coração; Vós deveis ser seu único dominador, a Vós só é que ele deve pertencer daqui em diante; Vós sereis toda a minha felicidade, Vós, o meu repouso, Vós, o meu desejo, Vós, todo o meu amor. Tudo o que Vos peço e de Vós espero, é o Vosso amor e a Vossa graça; concedei-me este dom, e completos ficam os meus desejos. Ó Santíssima Virgem Maria, fazei que eu seja fiel a Deus, e não revogue jamais esta doação de mim mesmo a este amável Senhor.
As Mais Belas Orações de Santo Afonso, Coordenadas pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista e vertidas para o vernáculo por D. Joaquim Silvério de Sousa, Editora Vozes, 1961.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico