Quem sou eu, ó meu Redentor e meu Deus, quem sou eu, para que me hajais amado tanto, e o continueis com tanta perseverança? Que lei Vos obriga a me ter tanto amor? que haveis recebido de mim, senão desprezos e desgostos, que antes Vos deviam obrigar a me abandonar e expulsar para sempre da Vossa presença. Ah! Senhor, aceito outro castigo qualquer, mas não este. Se me abandonásseis e me privásseis da Vossa graça, não poderia mais Vos amar. Não pretendo escapar à pena que mereci, mas quero Vos amar e amar ardentemente. Quero amar-Vos como é obrigado um desgraçado pecador que, depois de ter recebido de Vós tantos favores especiais, tantos sinais de amor, cometeu tantas vezes a ingratidão de Vos voltar as costas e preferir à Vossa graça e amor miseráveis prazeres, passageiros e venenosos. Quero compensar quanto posso, pelo ardor do meu amor, a ingratidão que Vos mostrei no passado.
Uma alma inocente Vos ama como tal, graças Vos dando pela terdes preservado da morte do pecado; eu devo Vos amar como um pecador, isto é, como um servo rebelde, condenado ao inferno tantas vezes quantas pequei, e em seguida tantas vezes· agraciado pela Vossa misericórdia, posto de novo em estado de me salvar, enriquecido até de luzes, socorros e celestes inspirações para me santificar. Ó Redentor que tantas vezes tendes remido a minha alma, o meu coração cativou-se de amor por Vós. Sim, Vós me tendes amado em excesso: o Vosso amor me venceu pelos seus atrativos irresistíveis: cedo-Vos enfim a vitória, e em Vós absorvo todo o meu amor. Amo-Vos, pois, ó bondade infinita, amo-Vos, ó Deus infinitamente amável; aumentai cada vez mais as Vossas chamas, multiplicai sem cessar os Vossos rasgos de amor para cativar-se o meu coração; consista a Vossa glória em Vos fazer amar muito deste coração que muito Vos ofendeu.
Ó Maria, minha Mãe, esperança e refúgio dos pecadores, ajudai a um miserável que deseja se tornar agradável a Deus; fazei que eu ame o meu Salvador, e o ame com ardor.
As Mais Belas Orações de Santo Afonso, Coordenadas pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista e vertidas para o vernáculo por D. Joaquim Silvério de Sousa, Editora Vozes, 1961.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico