Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

Esforços para alcançar a santidade

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça (Mat. V, 6).

A primeira condição indispensável para se alcançar a santidade é querer firmemente ser santo.

Como a santidade não é inata em nós, e como Deus não no-la concede senão mediante a nossa cooperação, é necessário trabalharmos e empregarmos os meios necessários para a alcançar.

Esta vontade séria e enérgica funda-se primeiramente na convicção de que a nossa cooperação é absolutamente necessária.

Baseia-se na estima da santidade e na necessidade reconhecida de consagrarmos à nossa alma não o cuidado preciso, mas uma atenção muito grande e aturada.

Além disso este impulso tão nobre, radica-se no temor não infundado de virmos a perder o último e supremo bem, se não nos esforçarmos com todas as veras da alma por o conseguir.

A esta convicção andam unidos o desejo de agradar a Deus e de nos tornarmos semelhantes a Ele na medida do possível, e a prontidão em empregarmos todos os meios que podem contribuir para formar em nós esta semelhança. O meu coração está preparado, Senhor, o meu coração está preparado (1). Que quereis que eu faça? (2). Falai, Senhor, que o Vosso servo escuta (3).

Oh sentimento santo! Oh bela disposição de agradar a Deus sem limites nem reserva! A alma quer ser perfeita, como o é o Pai celestial (4); mas, como Ele o é num grau infinito, ela não descansa, pois sabe que por mais que se esforce, sempre ficará muito aquém do que pretende.

Está escrito que os que sofrem desta fome e sede de justiça (5), serão completamente fartos e saciados na outra vida; mas serão também fartos e saciados ainda neste mundo pela persuasão consoladora de terem cumprido com a vontade de Deus, e pelo gosto antecipado da recompensa eterna que seguramente os espera.

E agora pergunto-te eu: Jovem cristã, que desejo tens tu de alcançar a santidade? È certo que renunciaste ao pecado mortal e geralmente a todo o pecado; mas procuras realmente aspirar à perfeição sentes-te inflamada no desejo de cresceres em santidade, de te ires elevando e aperfeiçoando cada vez mais em todas as virtudes?

Oh desconsoladora suficiência, em que consumimos o melhor das nossas forças! Julgamos que já fazemos muito fugindo do mal, e adquirindo aquele grau de virtude, sem o qual seríamos dignos do castigo de Deus.

Mas estado de tão mesquinha tranquilidade está sujeito ainda neste mundo a censuras gravíssimas. É Deus que nos repreende de falta de generosidade, a consciência que nos acusa de covardia, e o próprio mundo que nos critica duma e doutra. E não é inteiramente falho de fundamento o temor que algumas vezes nos assalta de que a nossa salvação não está tão assegurada como nos parecia. Por outro lado, a mão de Deus não se abre tão amplamente como desejaríamos em ocasiões extraordinárias, que reclamam um auxílio particularmente eficaz.

Ateia pois, no teu coração o desejo íntimo de te tornares cada vez mais semelhante a Deus, e não sejas como essas almas vulgares e veniais que não cessam de perguntar: Estarei eu obrigada a fazer isto? Perderei o céu se fizer tal coisa?

Sabes até onde iria o Senhor contigo, a que elevado grau de santidade te ergueria, se te entregasses a Ele sem reserva? Nem sequer podemos calcular o que Deus faria de nós se nos puséssemos totalmente nas Suas mãos. Guarda-te pois, de lhe fazeres o agravo de por limites à sua obra, ficando aquém do que Ele pretende de ti nos seus santíssimos desígnios.

Além disso no céu há vários graus de glória: e assim como as estrelas diferem umas das outras em esplendor e claridade, assim os justos se diferenciam uns dos outros em felicidade e formosura.

Quando se trata de negócios temporais ninguém pensa em lhes pôr limites; nunca ninguém diz: basta! Basta de riquezas, basta de comodidades, basta de honras: o lema universal é avante.

Avante, pois! Caminha de virtude em virtude, sem trégua nem descanso, e nunca te dês por satisfeita.

Visa muito alto; a flecha desce sempre; o pendor natural inclina-a constantemente para a terra.

A Virgem Prudente, Pensamentos e Conselhos acomodados às Jovens Cristãs, por A. De Doss, S.J. versão de A. Cardoso, 1933.

(1) Salm. CVII, 2.
(2) Act. IX< 6.
(3) Reis. III, 9.
(4) Mat. V, 48.
(5) Mat. V, 6.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico