Estou batendo à porta (Apoc. III, 20).
Quantas vezes, ó jovem, eu, o teu Salvador, o teu melhor conselheiro, o teu amigo desinteressado, e o teu pai amoroso, venho bater à porta do teu coração, desejoso de entrar? (1)
E porventura acodes tu depressa a abri-la?
Quantas vezes tenho de esperar um tempo esquecido! quantas tenho que me retirar com a amargura no coração, sem me quererem ouvir!
Oh, não calculas o prejuízo irreparável que causas à tua alma com semelhante proceder!
Nunca chegarás a alcançar a santidade, se não ouvires atentamente a minha voz, nem cooperares fielmente com a minha graça.
Eu sou o Senhor dos senhores, e não ensino com palavras humanas nem à custa de muito trabalho. Basta um raio da minha graça para derramar mais luz na alma do que a que lhe podem dar todas as lições da sabedoria humana.
Eu, que sou a luz que alumia todo o homem que vem a este mundo (2), quero ilustrar o teu espírito afim de que saibas como hás de caminhar na minha presença para atingires o cume da santidade.
Eu quero atear no teu coração o fogo que vim trazer à terra (3), para nele o abrasar. Quero acender o amor divino em ti para consumir todas as tuas imperfeições, e te estimular no caminho do bem.
A ti pertence abrir os olhos à luz, abrigar no teu coração os raios da graça e caminhar na claridade.
A ti pertence atiçar o fogo sagrado para que não morra.
Se não abrisses o teu coração às minhas inspirações e se não lhes obedecesses conscienciosamente mostrarias quanto desconheces o teu próprio bem! Eis a razão porque adiantas tão pouco na perfeição moral. Basta uma só inspiração recebida e seguida com fidelidade para te fazer adiantar mais do que largos anos duma vida ordinária.
Considera quão desagradecida e irrespeitosamente procedes, quando deixas de ouvir a minha voz, quando esqueces as palavras que me ouviste, ou quando as desprezas e repeles.
Sim, eu estou chamando às portas do teu coração (4); mas, se não conseguir entrar, passarei de largo e afastar-me-ei com as minhas bênçãos em demanda doutras almas mais prudentes e gratas do que tu.
Escuta pois a minha voz para o futuro com mais atenção e maior docilidade. Foge do ruído do mundo, procura o santo recolhimento, afim de poderes ouvir a minha voz e compreender melhor o sentido das minhas palavras.
Repara naquele que te chama; e quando caíres na conta de que sou eu, abre-me a porta imediatamente, deixa-me entrar e recebe-me na tua companhia.
Se alguém me ama, ouve as minhas palavras e guarda-as no seu coração, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e estabelecermos nele a nossa morada (5).
A Virgem Prudente, Pensamentos e Conselhos acomodados às Jovens Cristãs, por A. De Doss, S.J. versão de A. Cardoso, 1933.
(1) Apoc. III, 20.
(2) Joan. I, 9.
(3) Luc. XII, 49.
(4) Apoc. III, 20.
(5) Joan. XIV, 23.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico