Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Filosofismo
Filósofos modernos: Pintura de Charles Gabriel Lemonnier. salão de Madame Geoffrin , 1812, óleo sobre tela, 129,5 x 196 cm, Castelo de Malmaison . Encomendada pela Imperatriz Josefina de Beauharnais , entre os presentes e na presença de um busto de Voltaire , então exilado, estão representados Montesquieu , Rousseau , os Enciclopedistas e vários outros pensadores iluministas.

A Intolerância da Igreja: Parte 3 – A Intolerância dos outros inimigos (filosofismo)

Quase se não mostrou menos descaroável e intolerante o filosofismo no século XVIII, do que o protestantismo. O próprio Rousseau, que fortemente se insurgiu contra a intolerância dogmática e que não reconhecia verdade alguma nas religiões existentes, ousa afirmar que o Estado pode prescrever uma religião civil, e, por conseguinte, positiva, e até, sendo necessário, sob pena de morte! E, diz ele no Contrato social, “pertence ao soberano o fixar-lhe os artigos”. Acrescenta depois outras palavras que revelam uma crueldade comparável coma desvergonha que encerram: “Não pode o soberano obrigar ninguém a crer os artigos de fé da religião nacional, mas pode banir do país a quem não crer, não como ímpio, senão como insociável… E, se alguém, depois de ter publicamente reconhecido esses dogmas, se portasse como se os não cresse, seja punido de morte; cometeu o maior dos crimes; mentiu perante as leis”. E, contudo, afirma este cavalheiro, ninguém pode ser constrangido a crer.

A intolerância do sofista de Genebra foi ainda sobrepujada pela dos jacobinos da Convenção. Andam forçosamente a par as intolerâncias do sectário, do jacobino e de quantos ainda hoje manifestam o seu pesar por ter falhado a audaz empresa de 1793; e ainda esperam a oportunidade para, dizem, esmagarem pela força bruta o catolicismo e tornarem o seu exercício absolutamente impossível. Veja-se o que se tem passado em França apesar de tantos protestos.

Nota. – Houve, sim, príncipes católicos que, por um excesso de zelo pouco prudente, se valeram da violência para converter os infiéis e os sectários; mas nisto deixaram-se levar dos seus próprios sentimentos e não pelas normas da Igreja. Esta não aprova este gênero de apostolado pela força; e assim ninguém pode incriminá-la pelo que ela mesma condena. Muito outro é o procedimento dos protestantes e dos ímpios; pois que os fundadores do protestantismo e os cabeças do filosofismo são os que ensinam e os que dão o exemplo da mais cruel intolerância. E, contudo, o que é digno de notar-se, quase se não ouve um protesto dos inimigos da Igreja contra semelhantes atrocidades; e o que se vê, pelo contrário, é que as nações, em que ainda hoje em dia os católicos vivem oprimidos, recebe deles elogios e estímulo, e nesses procedimentos injustos veem exemplos dignos de imitação.

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Curso de Apologética Cristã, Exposição Raciocinada dos Fundamentos da Fé, Pe. W. Devivier, S. J., versão portuguesa pelo Pe. Manoel Martins S. J., 1924.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico