Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Bartolomé Esteban Murillo, A Adoração dos Pastores, por volta de 1650, Museu do Prado - Public Domain - Wikimedia Commons

Novena de Natal – Sétimo Dia

NOVENA DE NATAL

Com meditações de Santo Afonso de Ligório

Do dia 16 ao dia 24 de dezembro

Convém que se faça a meditação em família e que se reze o Santo Terço em seguida

7° Dia – 22 de Dezembro

In própria venit, et sui eum non receperunt.

“Veio para o que era seu, e os seus o não receberam” (Jo 1,11).

Um dia, durante as festas do Natal, São Francisco de Assis andava chorando e suspirando pelos caminhos e florestas, e parecia inconsolável.

Perguntaram-lhe a causa de sua dor e ele respondeu: “Como quereis que eu não chore, vendo que o amor não é amado? Vejo um Deus amar o homem até a loucura, e o homem ser tão ingrato a esse Deus!” Se a ingratidão dos homens afligia tanto o coração de São Francisco, imaginemos quanto mais afligiu o Coração de Jesus Cristo.

Apenas concebido no seio de Maria, Ele viu a cruel ingratidão que devia receber dos homens. Viera do céu para acender na terra o fogo do amor divino; esse único motivo O levou a deixar-se imergir num abismo de dores e opróbrios: Vim trazer o fogo sobre a terra, e que quero senão que se inflame? (Lc 12,49). E via um abismo de pecados que os homens iriam cometer depois de receberem tantas provas de Seu amor! Eis, diz São Bernadino de Sena, o que Lhe causou uma dor infinita.

Nós mesmos sentimos pena insuportável vendo-nos tratados com ingratidão; é que, segundo a reflexão do bem-aventurado Simão de Cássia, muitas vezes a ingratidão aflige mais a nossa alma do que qualquer outra dor, o corpo. Qual não foi, pois, a dor de Jesus Cristo, nosso Deus, ao ver que corresponderíamos a Seus benefícios e amor com ofensas e injúrias! Ele queixou-se pela boca de Davi: Deram-me males em troca de bens, e ódio em troca do amor que Eu lhes tinha (Sl 108,5); mas também hoje em dia parece que Jesus Cristo se lamenta: Sou como um estranho no meio de meus irmãos (Sl 68,9), por ver um grande número deles viver sem O amar e sem O conhecer, como se os não houvera beneficiado, e como se nada houvera sofrido por amor deles. Ah! Que caso fazem hoje muitos cristãos do amor de Jesus Cristo? Nosso Senhor apareceu um dia ao bem-aventurado Henrique Suso sob a forma dum peregrino a mendigar de porta em porta um abrigo; mas todos O repeliam injuriando-O grosseiramente. Quantos se parecem com aqueles de que falava Jó: Diziam a Deus: Retirai-vos de nós…; e isso depois que enchera suas casas de toda a sorte de bens. (Jo 22,17(18)).

No passado, também nós fomos ingratos; queremos ainda continuar a sê-lo? Oh! Não: esse amável Menino, que do céu veio sofrer e morrer por nós para obter o nosso amor, não merece tal ingratidão.

Afetos e Súplicas

É, pois, verdade, meu Jesus, que descestes do céu para fazer-Vos amado por mim; viestes abraçar uma vida de penas e a morte da Cruz por meu amor, a fim de abrir-Vos entrada dói meu coração; e eu Vos repeli tantas vezes dizendo: Recede a me, Domine: Retirai-Vos de mim, Senhor; não Vos quero! – Ah! Se não fôsseis um Deus de bondade infinita, e se não tivésseis dado a Vossa vida para perdoar-me, não ousaria pedir-Vos perdão. Mas ouço que Vós mesmo me ofereceis a paz: Converteis-vos a mim, dizeis, e Eu me converterei a Vós (Zc 1,3). Pois bem, meu Jesus, Vós, a quem ofendi, Vos fazeis meu intercessor. Não quero, pois, fazer-Vos ainda a injúria de desconfiar da Vossa misericórdia. Arrependo-me de toda a minha alma e Vos haver ofendido e desprezado, o Bem supremo; recebei-me em Vossa graça, conjuro-Vos pelo Sangue que derramastes por mim. Não, meu Redentor e meu Pai, não sou digno de ser chamado Vosso filho (Lc 15,18-19,21) depois de haver tantas vezes renunciado ao Vosso amor; mas Vós, com os Vossos méritos, me tornais digno dele. Agradeço-Vos, meu Pai, agradeço-Vos e amo-Vos. Ah! Já a lembrança da paciência com que me suportastes tantos anos, e das graças que me prodigalizastes após tantos ultrajes da minha parte, deveria fazer-me arder sem cessar de amor por Vós. Vinde, pois, meu Jesus, não quero mais repelir-Vos; vinde habitar em meu pobre coração. Amo-Vos e quero amar-Vos sempre; inflamai-me cada vez mais recordando-me sempre o amor que me tivestes.

Minha Rainha e minha Mãe ajudai-me, pedi a Jesus por mim: fazei que durante o resto da minha vida eu seja grato para com esse Deus que tanto me tem amado mesmo depois de haver recebido de mim tantas ofensas.

† Reza-se o Terço

Do Livro: Devotionarium Catholicum – Compêndio de Orações e Exercícios de Piedade, Instituto Bom Pastor – Capela Nossa Senhora das Dores.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico