D. J. E. Corrêa
Bispo de Caratinga
O ESPIRITISMO
Esclarecimentos oportunos aos católicos e não católicos. Premunir contra os erros é obra de misericórdia e aqui, no caso, eminentemente patriótica.
Quem quiser estudar melhor o problema Espiritismo poderá ler ótimos livros, como: «As Fraudes Espíritas e os Fenômenos Metapsíquicos» do P. Herédia. S. J.; «Material para Instrução sobre o Espiritismo» do Frei Boaventura, O. F. M. (diversos livrinhos fáceis e interessantes); «O que é Espiritismo» do Pe. Negromonte; «Metapsíquica e Espiritismo» do V. Palmés, S. J um livro que satisfaz plenamente a qualquer inteligência. Também se recomenda a leitura de «Segredos do Espiritismo» e «Orientação sobre o Espiritismo».
AVISO IMPORTANTE
Estamos tratando do Espiritismo, para esclarecer e acautelar os católicos sobre os erros tão grosseiros e tão perigosos, e ao mesmo tempo para ajudar sinceramente aos que estão errados de boa fé.
Ensinar a verdade é para nós um direito e um dever. E a verdade não pode prejudicar a ninguém. E com a verdade não estaremos fazendo injúria a ninguém. Se alguém ainda ficar com dúvidas, poderá consultar outros livros, ou dirigir-se a um sacerdote ou ao próprio Bispo Diocesano.
Já que todas as tolices encontram apóstolos audazes, por que não trabalharmos pela verdade que liberta e salva?
1. INTRODUÇÃO E EXPLICAÇÃO
Vamos tratar do Espiritismo, que vai grassando por toda a parte, devido à ignorância de nosso povo, à sede de religião e à deficiência de uma religiosidade autêntica e intensamente vivida.
É preciso esclarecer. A luz não faz mal. Mas, não basta esclarecer: é preciso formar e proporcionar ao nosso povo oportunidade de viver a sua religião, para que empregue suas qualidades religiosas e fique satisfeito.
Combatemos o Espiritismo, porque é um perigo real para a saúde física e mental de nossa gente. Combatemos o Espiritismo, então, porque amamos nossa gente, amamos nossa Pátria, amamos os espíritas, amamos a verdade. Combatemos o erro, amando os que erram. Queremos o seu bem e a sua salvação.
Não vamos maltratar ninguém, nem fazer afirmações gratuitas, mas mostrar a verdade para quem tem olhos de ver. Se um espírita sincero seguir os nossos escritos, no fim estará conosco e dará graças a Deus.
E, depois, se alguém quiser continuar errado, será por conta própria, e não terá desculpas perante Deus. Errar é humano, mas ficar errado é diabólico.
2. O ESPIRITISMO NASCEU DE UMA TRAPAÇA
Sob o título de um grande acontecimento na história do Espiritismo», «La Revue Spirite», uma das principais e mais antigas do Espiritismo, fundada pelo próprio Allan Kardec em 1858, resume uma solenidade de quatro dias em Hydesville, por motivo da inauguração de um monumento comemorativo das primeiras manifestações espíritas, que ali se deram em 1848. A idéia do monumento veio do Congresso Espírita de Paris, realizado em 1925.
Entre as «cerimônias oficiais» realizadas em Hydesville, conta-se uma peregrinação espírita que ali foi colocar uma lápide de granito onde se lê:
«Aqui nasceu o movimento espírita moderno. Neste lugar, Estava, em Hydesville, a casa de habitação das irmãs Fox, cuja comunicação mediúnica com o mundo espírita foi estabelecida a 31 de março de 1848»
A família Fox compunha-se de Dr. João, Margarida sua esposa, e as filhas Margarida e Catarina. Os filhos, David e Ana Lah, moravam fora. A casa dos Fox era tida por mal assombrada.
A mãe começa a ouvir ruídos estranhos, que pareciam vir do quarto das meninas, com a particularidade de só se produzirem, quando elas estavam acordadas. A mãe ia ficando muito alarmada, enquanto que as meninas não se incomodavam.
A 31 de março de 1848, dia célebre para o Espiritismo, a mais moça das meninas teve a idéia de dizer estas palavras: «Ouve tu, pés de cabra, como eu faço». E batia com os dedos da mão. E golpes misteriosos repetiam o que ela fazia. Isto na presença da mãe, enquanto que as meninas estavam na cama, cuja cabeceira e pés eram de tábuas de madeira. Note-se, ainda, que a mãe era supersticiosa e medrosa. E as meninas brincalhonas.
Depois a própria mãe pergunta: «Serás um espírito? Se assim és, dá dois golpes». E os dois golpes se fizeram ouvir. E as experiências se repetiram de diversos modos. E a notícia dos acontecimentos ia-se espalhando.
As irmãs Fox mudaram-se para Rochester e o espírito as acompanha. Veio juntar-se a elas a irmã Lah, espírito prático e interesseiro. Foi ela que se lembrou de atribuir as pancadas aos espíritos do outro mundo.
Depois de quatro meses, mudam-se para Nova Iorque e de lá o incipiente Espiritismo alastrou-se pelo mundo.
Seria mesmo espírito do outro mundo? Nenhuma prova. Ao contrário, os sinais de trapaça são evidentes.
Em fevereiro de 1851, uma comissão de médicos e professores de Buffalo inspeciona tudo, examina as meninas e se pronuncia contra a autenticidade dos fatos.
Em 1888 Margarida revelou ao New York Herald que ela e sua irmã Catarina haviam sido, desde o início, vítimas de Lah. O que faziam eram imitar pancadas com os dedos e responderem elas mesmas para enganar a mãe. Depois, por sugestão de Lah e outras pessoas interessadas, acharam bom o «negócio» e assim mantiveram e alimentaram a mentira. Disse textualmente: «Nossa irmã servia-se de nós nas suas exibições, e nós ganhávamos dinheiro para ela…» (N. Y. Herald, de 24 de dezembro de 1888).
Pouco depois, a 9 de outubro, sua irmã Catarina chegava da Europa e fazia idênticas declarações ao New York Herald.
Não contentes, as irmãs Fox fizeram retratação pública e solene, no grandioso salão da Academia de Música de Nova York, diante de uma multidão de pessoas, entre as quais numerosos espíritas.
Dizem os espíritas que dois meses depois houve uma contra-retratação. Mas, a portas fechadas, perante espíritas, e nenhuma prova. Eles dizem e é só…
Devemos notar que a retratação foi pública, solene e livre, com todas as características da sinceridade. E da contra-retratação nada consta de claro. Catarina morreu em 1893, vítima do excesso de álcool. Margarida fez-se católica (eram antes de família protestante).
Estava desfeita a trapaça. Acontece, porém, que em França, Léon Hippolyte Denizart Rivail (Allan Kardec), havia-se feito codificador e doutrinador do espiritismo.
Foi ele propriamente o fundador do Espiritismo como Religião.
Uma idéia em marcha, por muito absurda e ilusória que seja, não volta mais atrás e encontrará sempre adeptos. É «infinito o número dos estultos…»
3. O ESPIRITISMO É UMA TRAPAÇA
Margarida Fox havia declarado a 21 de outubro de 1888 na Academia de Música de Nova York que o Espiritismo «é pura falsidade, do princípio ao fim, a mais frívola das superstições e a mais perversa blasfêmia que o mundo já conheceu…»
E o próprio Allan Kardec disse no livro dos Médiuns que: «Encheríamos um volume dos mais curiosos, se tivéssemos de repetir todas as mistificações de que temos tido conhecimento (no Espiritismo)». E ainda: «nada se presta melhor ao charlatanismo e à trapaça» (Livro dos Médiuns).
O Espiritismo é uma trapaça nas suas práticas fundamentais, que são as comunicações com espíritos, «A nossa base é o ensino dos Espíritos, daí o nome — Espiritismo» (À Margem do Espiritismo, C. Imbassahy). Essa comunicação com os espíritos é truque e sugestão, como ainda veremos. Vamos, porém, conceder de graça, por ora, que se comunique com os espíritos. Neste caso não há jeito de discernir a mentira da verdade.
Diz Kardec que há «espíritos importunos e enganadores…» que gostam de «induzir em erro, por meio de mistificações e espertezas…» que «metem-se em tudo, e tudo respondem sem se incomodarem com a verdade…»
Por outro lado, diz Kardec que nem se deve pedir ao espírito sua identidade: «Semelhante pedido o magoa, pelo que deve ser evitado», e seria inútil e pueril pedir identificação a um espírito que pode induzir os homens em erro à vontade! A prova apresentada poderia ser um embuste maior!
Logo, nunca se pode discernir a verdade da mentira nessa comunicação com os espíritos. É uma fonte de enganos… E é coisa fundamental no Espiritismo…
O Espiritismo é uma trapaça na sua doutrina, pois se apresenta como cristão, diz que «nada ensina ao contrário do que ensina Cristo» (Kardec), e que «o Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa» (idem)… funda centros com os nomes dos santos… e é uma congérie de heresias, e mesmo de fato é uma negação radical do cristianismo, como veremos. O próprio Kardec disse que o Espiritismo «instituirá a verdadeira religião, a religião natural…» Logo nada de cristianismo que já existe e nada de religião sobrenatural e revelada, como é o cristianismo.
O Espiritismo é uma trapaça nos seus métodos de propaganda e na sua apresentação. Disse Allan Kardec: «Se alguém tem alguma convicção bem firme sobre alguma doutrina… necessário é lhe tiremos essa convicção, mas pouco a pouco. Por isto, é que muitas vezes nos servimos de seus termos e aparentamos abundar nas suas idéias: é para que não fique de súbito ofuscado e não deixe de se instruir conosco». Por isto, colocam nome de santos em seus centros… falam de caridade… dizem que se pode ser católico e espírita… para enganar ou trouxas! «Nada se prestaria melhor ao charlatanismo e à trapaça!» — disse Kardec, com razão.
Há um conselho sensato de Allan Kardec: «Não admitais, portanto, senão o que seja, aos nossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica, e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom senso reprovarem». O espírita sincero que seguir esse conselho de Allan Kardec rejeitará certamente o Espiritismo.
4. QUE PENSAR DOS FENÔMENOS ESPÍRITAS
Ao estudar os fenômenos espíritas, devemos antes de mais nada firmar uma regra sensata: nunca devemos atribuir à ordem sobrenatural ou preternatural o que pode ser explicado pela ordem natural. Nada sem razão de ser. A Igreja só aceita como milagre propriamente um fato extraordinário, que está acima das forças naturais e não pode ser explicado pela ordem natural.
Pois bem, como é que em nossa época, em pleno século vinte, ainda se tenha coragem de explicar levitação, televisão, telepatia, hipnotismo, sugestão, fenômenos de ordem natural, por intervenção de espíritos desencarnados? O que há no Espiritismo é isso: quando não é truque, é mentira. Vejam bem como são as coisas: uma sessão espírita é às escuras ou meia-luz: geralmente com músicas e «passes»; o médium colocado à distância; tudo cercado de mistério… E porque não se pode iluminar a sala, ou averiguar o que se passa com o médium? Tudo próprio para sugestionar, hipnotizar, iludir…
A «Scientific American» oferecia um prêmio de quinze mil dólares a qualquer médium ou personagem do mundo espírita para apresentar um fenômeno espírita que resistisse a uma análise científica, e que, por conseguinte, não envolvesse fraude. E o prêmio não foi ganho.
Semelhantes prêmios já foram oferecidos por Gustavo de Bon, e no Brasil, pelo Dr. Xavier de Oliveira…
Como é possível acreditar em fenômenos que se não provam?
Principalmente quando Allan Kardec diz que ali há fraude, há espíritos enganadores, há médiuns embusteiros e nada se presta melhor à trapaça. É preciso ser crédulo, ingênuo e estar disposto a ser enganado…
Flammarion, fiel companheiro de Kardec, depois de muita experiência disse desalentadoramente: «Posso dizer que nestes quarenta anos quase todos os médiuns célebres passaram pelo meu salão… e a quase todos surpreendi mais ou menos em fraude».
Entre nós, o célebre educador Everardo Backheuser, Professor da Politécnica, e de cuja probidade científica ninguém poderá duvidar, depois de ter estudado bem o Espiritismo e depois de ter assistido a umas cem sessões, chegou à melancólica conclusão de que «se tratava de grosseiras ou de ingênuas mistificações».
5. O DEMÔNIO NO ESPIRITISMO
Será mesmo tudo fraude e jogo de forças naturais no Espiritismo? Não haverá, de fato, intervento preter ou sobrenatural em alguns casos? Normalmente não se deve admitir nada além da natureza do Espiritismo. É possível a intervenção do demônio no Espiritismo. A coisa ali está para o
demônio. E, se forem verdadeiros certos fatos, só podem ser atribuídos ao demônio.
Fatos contados pelos espíritas como estes: um ser vivo que se forma instantaneamente, e que respira e fala, e logo desaparece… espíritos que baixam e se atiram uns contra os outros como cães… torneiras invisíveis que jorram água sobre a cabeça dos presentes… um barulho misterioso debaixo do banco, e uma senhora atirou-lhe água benta, e um ser invisível mordeu-lhe a mão…
Se tais fatos existirem (é preciso que se provem, não podemos conceder de graça), só podem ser explicados por intervenção do demônio.
Não pode ser Deus, nem Anjo bom, nem alma.. As almas dos fiéis defuntos estarão no inferno, no purgatório ou no céu. Estão sob o domínio de Deus, como os Anjos bons. Elas e os Anjos só poderiam aparecer ou intervir com permissão especial ou desígnio de Deus. Ora, Deus não poderá manifestar-se ou permitir que os Anjos bons ou almas se manifestem de algum modo em sessão espírita.
Allan Kardec diz que muitas mensagens recebidas nas sessões espíritas são «ignóbeis, obscenas, insolentes, arrogantes, malévolas e mesmo ímpias». E ali não se pode discernir a verdade da mentira, espíritos bons dos maus, como ensina Kardec.
Se Deus se manifestasse, ou permitisse seus Anjos bons ou almas se imiscuírem nas sessões espíritas, Deus estaria favorecendo a mentira e a trapaça. É indigno de Deus! No meio da trapaça não pode estar Deus; aquilo é mais próprio para o demônio!
São Paulo escreve umas coisas na Bíblia que parecem estar se dando no Espiritismo: «Aparecerá aquele tal na virtude de Satanás, com toda sorte de portentos e prodígios, procurando a todo transe levar à iniqüidade os que se perdem por não abraçarem o amor à verdade, que os poderia salvar. É por isso que Deus lhes manda o poder da sedução, para darem fé à mentira e serem entregues ao juízo todos os que não deram crédito à verdade, mas antes se comprazeram na iniqüidade» (I Tess. 2, 9 ss.).
Poderiam os espíritas dizer: nem tudo é demônio, mas há mensagens boas, de amor e fraternidade… Respondemos: nem tudo pode ser demônio, é sobretudo o médium que se engana e engana os outros. E mesmo o demônio, como diz a Bíblia, «se transforma era anjo de luz» (2 Cor. 11, 14), para melhor enganar.
[Continua…]
O Espiritismo, Esclarecimentos oportunos aos católicos e não católicos., D.J.E. Corrêa – Bispo de Caratinga, 1959.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico
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