Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Ludwig Passini, orando em uma Igreja [Detalhe], 1873, domínio público, Wikimedia Commons

O exame de consciência

Se nós nos jugássemos a nós mesmos, não seríamos julgados por Deus. (I. Cor. XI, 31.)

Não é possível uma boa confissão, sem prévio exame de consicência.

Se o não fizesses, expunhas-te ao perigo de omitir na confissão algum pecado grave; e quando isto se desse por negligência culpável, a confissão seria nula.

Por conseguinte deves examinar a consciência com atenção e cuidado, procurando recordar-te ao menos de todos os pecados mortais. Se duvidas da gravidade de alguma falta, acusa-se dela, como a vês na presença de Deus.

Põe de parte inquietações e escrúpulos. Deus não pede impossíveis, e contenta-se com a boa vontade com que procedes.

O maior inimigo que tens a temer é o amor próprio: poder-te-ia levar a deixar de seres sincera contigo e com Deus.

Invoca fervorosamente o Espírito Santo: Vinde e iluminai as trevas do meu coração pecador. Fazei-me conhecer todas as minhas faltas, por pensamentos, palavras, obras, ações e omissões. Defendei-me das armadilhas do amor próprio, e preservai-me dos enganos e dissimulações. Dai-me a conhecer os meus extravios, e a origem de onde procedem: aquela paixão dominante, que é causa de todas as minhas misérias. mas, antes de tudo, enviai ao meu coração um raio de luz, fazei-lhe sentir uma verdadeira dor de todos os pecados e conceber o propósito firme de não os tornar a cometer.

Importa muito proceder com método no exame de consciência, porque deste modo torna-se desnecessário recorrer aos formulários dos livros de devoção e confiar ao papel as faltas cometidas.

Traz à memória os mandamentos da lei de Deus, e os da Igreja, e vê se pecaste e como, contra cada um deles por pensamento, palavra, obras e omissão.

também podes fazer o exame, considerando sobre os deveres para com Deus, para com o próximo e para contigo. Examina como cumpriste com a obrigação de adorar a Deus; como procedeste com os superiores, iguais ou inferiores: examina-te sobre as obrigações do teu estado e vê como praticaste as diversas virtudes que Deus exige de ti, castidade, veracidade, mansidão, paciência e obediência.

Se não há ainda muito tempo que te confessaste, basta que examines cada um dos dias, que decorreram desde a última confissão, considerando os acontecimentos que houve em cada um deles, os lugares em que estiveste, as pessoas com quem trataste, e as ocupações em que empregasse o tempo.

Se tiveste a infelicidade de cair nalgum pecado grave, investiga na medida do possível o seu número, e as circunstâncias que os podem agravar ou fazer mudar de espécie: examina se tiveste alguma parte nos pecados alheios, ou se foste causa de outros pecarem.

Considera se a última confissão que fizeste, foi válida, se cumpriste com fidelidade a penitência, se restituíste ou reparaste o que tinhas obrigação de restituir ou reparar, se suprimiste a ocasião próxima de tal pecado, se empregaste os meios que te aconselharam para não caíres nele.

Examina-te na presença de Deus, três vezes santo, diante de quem estão patentes os mais recônditos pensamentos. Sê de uma consciência delicada, e não te enganes a ti, nem te atrevas a querer enganar a Deus.

A Virgem Prudente, Pensamentos e Conselhos acomodados às Jovens Cristãs, por A. De Doss, S.J. versão de A. Cardoso, 1933.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico