Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

O Senhor trará á juízo tudo quanto fizemos. (Ecl. XII, 14).

Ainda os nossos parentes e amigos estarão ajoelhados em torno do nosso leito, ainda estará ardendo a vela que seguramos nas nossas mãos moribundas, e já a alma se encontra na presença do divino Juiz, para dEle ouvir a sentença que há de ser eternamente imutável.

Todos compareceremos diante do tribunal de Cristo, para ali recebermos a recompensa das boas ou más obras que houvermos feito, enquanto estivemos revestidos do nosso corpo (1).

Oh momento espantoso! A alma a sós com Deus, penetrada da luz divina, sem véu, tal como é… diante de Deus que tudo conhece e que é a suma verdade; a alma coberta com todas as manchas dos seus pecados diante do olhar de Deus três vezes Santo!

Nesse momento desvanecem-se todas as ilusões e enganos, e emudecem todas as desculpas.

Eu te pedirei conta delas para t’as lançar em rosto (2).

E no instante em que as tuas potências forem ilustradas pela luz da justiça divina, todos os teus pensamentos, desejos, palavras, obras e omissões se apresentarão a testemunhar contra ti, não havendo nada que fique oculto por mais recôndito que seja.

Como te doerás então da tua falta de prudência, da tua negligência e preguiça!

Oh Juiz sapientíssimo, Juiz poderoso e incorruptível, cujas mãos não posso evitar, e a cuja sentença não é possível subtrair-me! Aonde me refugiarei do Vosso espírito! Aonde me ocultarei da Vossa presença! (3).

Os juízos do Senhor são o peso e a balança, (4) e tudo por eles há de ser avaliado; tudo o que sucede, o bom e o mau, (5) e até as palavras inúteis, tudo trará Deus a juízo! (6)

Donzela cristã; se neste momento houvesses de comparecer na presença de Deus, que sentença pronunciaria Ele sobre ti? Quais são os extravios que mais te amargurariam? Quais as ilusões voluntárias que mais te pesariam?

Que uso fizeste das criaturas, dos bens e riquezas, do descanso e das diversões? Como empregaste a saúde e as forças corporais? Como o teu corpo e membros? Como os sentidos, a inteligência, o talento, a memória, a imaginação, e a vontade? Como aproveitaste o tempo?

Quantas palavras inúteis ou pecaminosas! Quantos pecados contra a verdade e a caridade! Quanta vaidade, afetação e engano!

Eu te pedirei conta de tudo, para to lançar em rosto (7).

Que resposta poderás dar, como desculpa?

Escusar-te-ás com os teus poucos anos?

Sim, és jovem; mas estás por isso mesmo mais perto da verdade e da fonte da vida!

És jovem; mas também a ti vem falar-te a razão e a fé; também a consciência e a experiência te estão ensinando o verdadeiro valor das criaturas, declarando-te que elas estão no mundo só para te levarem para Deus.

Sê prudente. Porque se a balança se inclina alguma vez com o peso dos pecados, e te encontra falha de boas obras, oh! Então já será tarde! Estás irremediavelmente perdida.

Ainda que derrames torrentes de lágrimas, não conseguirão abrandar o coração do Juiz supremo, que já não poderá deixar de fazer justiça. Evaporar-se-ão ao calor das chamas eternas que já se precipitam à tua procura lá dos abismos do inferno.

A Virgem Prudente, Pensamentos e Conselhos acomodados às Jovens Cristãs, por A. De Doss, S.J. versão de A. Cardoso, 1933.

(1) 2 Cor V, 10.
(2) Salm XLIX, 21.
(3) Salm CXXXVIII, 17.
(4) Prov XVI, 11.
(5) Ecl XII, 14.
(6) Mat XII, 36.
(7) Salm LXIX, 21.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico