Durante três domingos seguidos narra-nos o Evangelho quatro dos numerosos milagres operados pelo Salvador.
Tais milagres são o grande argumento a demonstrar a missão divina de Jesus Cristo. Mas, para compreender bem o valor desta prova, é preciso saber aquilo que hoje vamos expor brevemente:
- O QUE É O MILAGRE.
- A POSSIBILIDADE DO MILAGRE.
I. O QUE É O MILAGRE
É um fato que ultrapassa as forças da natureza criada, e somente pode ser produzido por intervenção de Deus.
Mudar água em vinho, purificar um leproso com a palavra, curar um moribundo à distância, por um ato de vontade, acalmar uma tempestade, são uns tantos atos que ultrapassam as forças da nossa natureza e que não podemos atribuir senão a Deus.
Não é necessário que o milagre seja operado imediatamente por Deus; Ele pode delegar este poder às criaturas, como um rico pode mandar qualquer amigo fazer esmolas de seu dinheiro.
Neste caso, é sempre o rico que dá; a pessoa intermediária serve-lhe de instrumento, ou de canal de transmissão.
Só Deus pode fazer milagres; os santos podem ser os intermediários deste milagre, porém, por si mesmos, são impotentes para realizá-lo.
Vê-se logo que o milagre é, pois, como que o carimbo de Deus, a aprovação divina de um fato ou de uma doutrina.
É a razão por que só na Igreja Católica existem milagres; só ela é a obra divina; só ela possui a doutrina divina; só ela possui santos, dos quais Deus se serve para operar milagres.
II. A POSSIBILIDADE DO MILAGRE
O milagre é possível; pois, para não ser possível, devia haver qualquer impedimento, seja da parte de Deus, seja da parte dos homens.
Da parte de Deus não há impedimentos, pois sendo Deus o autor de tudo o que existe e de todas as leis que governam a matéria, pode, naturalmente, ou derrogar ou não aplicar estas leis.
Examinando este fato, com sinceridade, nada de mais claro pode haver.
É possível os médicos fazerem uma cura?
Fazem-na diariamente… Curam, vez ou outra, tuberculosos, leprosos, cardíacos, etc…
Os médicos têm uma ciência e um poder muito limitados.
Se eles podem fazer tais curas, por que Deus não as poderia fazer?
O médico precisa de tempo e de remédios.
Ora, tempo e remédios são criados por Deus.
É Ele quem deu virtude curativa a tal ou tal planta.
O que o médico faz com o tempo e remédios, Deus pode fazê-lo sem tempo e sem remédios.
Eis o milagre. Deus faz num instante o que os homens fazem com tempo e com remédios. Cura repentinamente, e tal cura é um milagre.
Dirão talvez: Deus é imutável?
Perfeitamente, mas o milagre nada muda em Deus; muda apenas o curso de uma lei estabelecida por Ele, e esta mudança fazia parte desta lei geral.
O milagre pode perturbar o mundo – dirão também.
Ele nada perturba, como uma exceção a uma regra de gramática não perturba a lei fundamental.
A exceção confirma a regra.
O milagre confirma a lei, à qual derroga acidentalmente.
III. CONCLUSÃO
Que é que prova o milagre?
Quando é feito em abono de uma doutrina, prova que tal doutrina é verdadeira, pois o milagre é a intervenção de Deus… é Deus quem age.
E Deus só pode aprovar e confirmar a verdade.
Ele é a verdade: Ego sum veritas.
Eis porque nenhuma seita religiosa – nenhuma – pode indicar um milagre em abono de sua doutrina.
Nunca um protestante fez um milagre, nem alcançou de Deus o milagre. E assim com o espíritas, maçons, comunistas e outros revoltosos.
Só a Igreja Católica tem milagres… tem homens que fazem milagres… E Deus faz milagres contínuos em seu favor.
Examinem e verão que a Igreja é um milagre contínuo.
Eis a razão porque os inimigos da religião sustentam contra o milagre uma campanha contínua de calúnia e de ódio.
Eles compreendem que o milagre é o dedo de Deus… e que este dedo só aparece na Igreja Católica.
Têm medo do milagre, porque têm medo de suas consequências.
Comentário Dogmático, Padre Júlio Maria, S.D.N., 1958.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico