Reflexão e Conversão

O Sacerdócio é uma benção para a sociedade

1. — Cada novo Sacerdote atrai os olhares benévolos de Jesus sobre a sociedade.

0 Veio Jesus a esta terra para manifestar aos homens a caridade e a misericórdia divinas. Quando morreu na cruz, deu-lhes a maior prova de amor. Quando instituiu a Eucaristia, quis perpetuar através dos séculos a expressão viva da sua
caridade infinita para com as almas. Quando escolheu seus primeiros Sacerdotes, na : pessoa dos Apóstolos, fez deles outros Cristos e legou-os à humanidade para renovarem em toda a parte os mesmos mistérios de bondade e de amor.

O Sacerdócio tornou-se, dessarte, para Jesus, o meio de se comunicar aos homens; e, por causa disso, esse meio vai buscar no amor, que lhe é o princípio, o mesmo caráter de bondade e de benção divinas.

Jesus ama o seu Sacerdote mais que a todos, e no Sacerdote ama as almas. Nele concentra todo o’ poder e toda a eficácia do seu Sacerdócio eterno. Dando um Sacerdote à sociedade, é a si mesmo que se dá, visto como o Sacerdote pode dispor de Jesus a seu talante para o bem das almas.

Por causa dos seus Sacerdotes, Jesus olha com benevolência a s ‘ sociedades e as nações, e sente-se disposto a abençoá-las. Quando do seio da sociedade surge um novo Sacerdote, a sua benevolência redobra, pois ali se acende um foco novo de vida e de virtude divinas.

Multiplicar os Sacerdotes é, pois, para a sociedade um dos meios mais poderosos de tornar propicio o céu. Felizes os países em que o Sacerdócio é assim compreendido e onde todas as classes da sociedade concorrem para .favorecer as vocações sacerdotais!

2. — Cada novo Sacerdote é para a sociedade um penhor de graças e de bênçãos.

As sociedades são formadas de famílias, e as famílias de indivíduos. Portanto, cada membro da família faz parte da base em que repousa a sociedade; mas o que há de mais precioso nele é a alma e não o corpo. Enquanto princípio vital, a alma anima o corpo e lhe é superior. Demais, ela é imortal e destinada à posse eterna de Deus na bem-aventurança. É-lhe preciso um alimento espiritual adaptado às suas necessidades sobrenaturais; só com essa condição influirá ela eficazmente sobre o corpo e tornará o indivíduo útil à sociedade.

Quem, pois, fornecerá à alma os elementos espirituais e indispensáveis que lhe convêm? Quem orientará as vontades pela senda reta da verdade e do dever? O Sacerdote.

Quem relembrará incessantemente as verdades eternas? Quem manterá as almas na virtude e na perfeição? Quem as purificará dos seus pecados e lhes assegurará os socorros da vida eterna? O Sacerdote.

Se não fosse o Sacerdote, a fonte das graças se estancaria, visto como já não haveria ninguém para dispensá-las. Se não fôra o Sacerdote, bem depressa os homens esqueceriam os seus deveres para com seus semelhantes, e as sociedades seriam subvertidas.

A multiplicidade dos Sacerdotes não faz senão multiplicar as fontes da graça. Quem, pois, pensaria em se queixar dela? Muito pelo contrário, quando vemos os progressos do mal, não é sumamente desejável que haja mais Sacerdotes para
fazer contrapeso à indiferença e à corrução que invadem a sociedade, e para aumentar os meios de conversão e de salvação?

Portanto, longe de considerarmos com indiferença o papel benéfico que o Sacerdote desempenha na sociedade, ponderemos e compreendamos o dever que nos incumbe de auxiliá-lo no seu ministério.

3. — Pelo seu Sacerdócio, cada Sacerdote é um para-raios para seu país.

As sociedades não são mais indenes de culpas que os indivíduos. Todo homem é pecador e, por conseguinte, necessita de perdão.

A indiferença ou o ateísmo não muda nada à verdade. Não é porque o ateu não crê em Deus que Deus deixe de existir. Não é porque a maioria vive como se não devesse morrer, que os homens não morrerão. Não é porque o mundano vive no turbilhão dos prazeres e das frivolidades, que deixará de vir uma hora em que ele terá de abandonar tudo. Não é porque viva tranquilamente no seu pecado que o pecador não deverá expiá-lo cruelmente neste mundo e no outro.

Pesa sobre o mundo um fardo enorme de pecados e de crimes. Não serão os culpados, os cegos e os criminosos que hão de se interessar pela sorte dos outros, eles que não podem ou não querem reparar por si mesmos.

Não hão de ser tão pouco, os homens terrenos, tão preocupados com as coisas e com os bens deste mundo, que a custo acham tempo de consagrar alguns instantes aos seus interesses eternos.

Necessário é, pois, que haja uma classe de homens consagrados, para si e para os outros, a interceder em favor dos pecadores, a sustar o braço vingador da justiça divina e a afastar da sociedade os males que ela mereceu: são os Sacerdotes.

Por vocação, o Sacerdote é colocado como um para-raios entre o céu e a terra, para fazer desviar o raio e torná-lo inofensivo. Ele não faz isso por seu próprio poder, mas pelo poder contido no seu Sacerdócio, que, com os Sacramentos, lhe entregou as graças e o sangue de Jesus, de que ele se serve para aspergir o mundo.

Se o Sacerdote tem o poder divino de arrancar a alma ao inferno pela absolvição, e de fazer descer Jesus do céu ao altar pelas palavras de consagração, como não há de exercer sobre o coração de Deus o mesmo poder quando implora perdão e misericórdia para os pecadores e para as sociedades culpadas?

Como nos deveríamos alegrar ao ver mais um Sacerdote, quando pensamos no benefício que ele constitui para a sociedade e na salvação que lhe deverão multidões de almas!

4. — Cada novo Sacerdote é destinado a levantar o nível moral e espiritual dos seus compatrícios.

O Sacerdote não existe para si, mas para os outros. Recebe muito, mas para dar. Tem uma missão, mas essa missão exerce-a junto às almas. Faz parte da sociedade como todos os outros, mas ao mesmo tempo lhe é consagrado. Não pode ser simplesmente passivo; deve ser ativo. A sua felicidade, como o seu dever, é dedicar-se pelos outros e em todos os campos de apostolados possíveis.

Ás massas, porem, necessitam particularmente de um influxo benéfico que as estabeleça na ordem e na verdade, e aí as mantenha. Deixadas a si mesmas, elas ficam sujeitas a todos os erros e a todas as desordens.

Para exercer esse influxo, importa ser qualificado. E’-o o Sacerdote por vocação. Não se lhe pode negar esse direito e esse dever. Se nem sempre é bem sucedido, não o é por insuficiência de missão, mas por encontrar às vezes uma resistência obstinada.

O que o Sacerdote se esforça por fazer sobre as massas, trabalha por fazê-lo sobre os indivíduos. Quantos lhe devem a verdade e a volta a melhores princípios! Quantos, graças ao seu zelo e a sua caridade, escaparam ao perigo das falsas máximas e à ação dos fautores de ódio e de desordem! Quantos souberam manter-se na prática dos deveres cívicos e espirituais, incentivados e sustentados pelos seus conselhos e pela sua dedicação!

Um Sacerdote a mais é um poder para a sociedade. Para conservar nela a harmonia, a paz e a concórdia, ele faz mais, pela sua influência moral, do que todos os discursos dos tribunos e todas as organizações de polícia.

Ponhamos Sacerdotes em toda parte, favoreçamo-lhes a ação, e daremos prova de bom e sábio patriotismo.

5- — Cada novo Sacerdote é um cidadão observante das leis, guarda da ordem e amigo da concórdia.

O que o Sacerdote ensina e recomenda aos outros, primeiro o faz. Andando nas pegadas de seu Mestre, começa por fazer antes de ensinar; por dever pessoal e de edificação; esmera-se em observar todas as leis civis que não lhe ferem a consciência e que não paralisam a sua missão junto às almas.

No exercício do seu ministério, ele é o representante de Deus, e inspira-se em tudo na sua lei, no seu espírito e na sua vontade. Enquanto cidadão, tem a peito ser homem íntegro, pacífico, disciplinado, respeitador da autoridade.

Digno na sua atitude, conservando-se arredio das manifestações ruidosas, alheio aos movimentos turbulentos das massas, cumpre o seu dever sem pretensão como sem fraqueza. As autoridades podem contar com ele, cada vez que se trata de prestar concurso ao bem comum ou por a influência moral do seu caráter a serviço de uma boa causa.

Por estado, o Sacerdote é um homem de bom conselho, pacífico, ordenado, guarda da disciplina e dos bons costumes, consolador dos infelizes, protetor dos fracos, amigo de todos.

Tais cidadãos são tesouros numa sociedade. São uma força de que é sábio saber servir-se, a força tanto mais preciosa quanto mais se faz sentir nos nossos dias a necessidade deles.

Rezemos e trabalhemos para obter santos Sacerdotes, para a Igreja e para a sociedade.

A Vocação sacerdotal, M.E. De La CROIX, Cap. IV, 1942.

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