Eu durmo, e o meu coração vela (Cânt 5, 2). Enquanto o corpo de Jesus repousava, a sua alma velava. Jesus pensava então em todas as penas que havia de sofrer, e as oferecia a seu Pai para nos alcançar o perdão dos pecados e a salvação.
Terno e Santo Menino, Vós dormis, ah! quanto me atrai o Vosso sono! Nos outros o sono é a imagem da morte; mas em Vós é sinal de vida eterna, porque esta mereceis para mim com o Vosso repouso. Vós dormis, mas o Vosso coração não dorme; pensa em sofrer e morrer por mim. Dormindo orais por mim e obtendes do Vosso Pai celeste o repouso eterno do paraíso. Mas, antes que me introduzais no céu como espero, para lá repousar convosco, quero que repouseis sempre em minha alma. Ó meu Deus, para longe de mim Vos expulsei outrora; mas, tanto batestes à porta do meu coração, já por temores, já por luzes, já por chamamentos cheios de ternura, que Vos creio agora entrado. Em verdade, assim o creio, porque sinto grande confiança de ter recebido de Vós o perdão; sinto profundo horror e sincero arrependimento das minhas ofensas contra Vós; e se este arrependimento me causa grande dor, é dor sem turbação, dor que me consola e dá segurança de ter alcançado perdão da Vossa bondade. Graças Vos dou, ó meu Jesus, e Vos peço não Vos ausenteis da minha alma. Certo estou que não saireis a não ser que eu Vos expulse; mas esta é exatamente a graça que Vos imploro, e peço-Vos me ajudeis a intercedê-la sempre: não permitais me suceda banir-Vos ainda do meu coração; esqueça-me eu de tudo o mais, e só pense em Vós, que sempre pensastes em mim e na minha felicidade; não cesse jamais de Vos amar nesta vida, até que minha alma, sempre convosco unida, voe para os Vossos braços a fim de repousar eternamente neles, sem temer Vos perder jamais. Ó Maria, assisti-me durante a minha vida e na hora da minha morte, para que Jesus repouse sempre em mim, e eu sempre nEle.
As Mais Belas Orações de Santo Afonso, Coordenadas pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista e vertidas para o vernáculo por D. Joaquim Silvério de Sousa, Editora Vozes, 1961.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico