Reflexão e Conversão

Os católicos devem ser praticantes

É, sem dúvida, enorme desgraça não possuir a verdadeira Fé, que é a católica. Mas é sobremaneira detestável possuí-la sem com ela conformar a vida, como sucede a tantos católicos que repetem convictamente: “Eu sou católico, mas não pratico.”

Imaginam esses que há duas espécies de catolicismo: a dos que praticam e a dos que não praticam, boas ambas, podendo cada qual escolher a que mais lhe aprouver. E visto ser mais cômodo o não praticar, elege-o a maioria, iludindo destarte a sua própria consciência.

Asseveramos que iludem a própria consciência porque dizer “eu sou católico, mas não pratico” equivale a admitir este absurdo: “Eu sou católico, e não o sou”.

Que assim se exprime, queira ou não, afirma simplesmente o seguinte: “Creio em Deus, em Jesus Cristo e na Igreja; pouco se me dá, porém, das leis e preceitos que me impuseram. Creio que a oração é necessária, mas não rezo; creio no Sacrifício da Missa, mas não vou à Missa; creio na Confissão, mas não me confesso; creio a Comunhão, mas não comungo; creio que fazer penitência é indispensável, mas não o faço; creio no dever que me incumbe de ouvir, ao menos de onde em onde, a explicação da palavra de Deus, as não o cumpro; creio na obrigação que tenho de publicamente professar a Fé, mas não a professo; creio que me é indispensável viver de acordo com o que preceitua a Religião católica, mas não vivo”.

Aí está o que significam esses dizeres comuns: Eu sou católico, mas não pratico.

É absurdo, repetimos, e que só pode provir da ignorância, ou da indiferença, ou da má vida, ou, finalmente, do respeito humano. Qualquer que seja, porém, a causa, o certo é que o tal católico que não pratica, não reza, não vai à Missa, não se confessa, não comunga e não cumpre, enfim, os preceitos de Deus e da Igreja, vive em estado de pecado mortal, e assim morrendo – o que é muito provável – , será merecidamente condenado aos eternos suplícios do inferno. “Vós me renegastes praticamente pelo vosso remisso viver – dirá Nosso Senhor a esses tais católicos, no Juízo Final, – pois eu também vos renego (1) Nescio vos. Apartai-vos de mim, malditos, ide para o fogo eterno.” (2)

Sêde, pois, Filhos caríssimo, católicos não só de nome, mas também de fato; pelo batismo e pela vida. Sêde católicos deveras, católicos práticos, em particular e em público, no recesso do lar, na igreja e na sociedade. Não comeceis nem acabeis o dia sem implorar a Deus as luzes e forças que haveis mister, sem agradecer os favores recebidos nem impetrar o perdão das faltas cometidas; o que tudo se faz pela oração. Não deixeis passar os domingos e dias santificados sem assistir à Missa e ouvir a pregação da palavra de Deus. Santificai o dia do Senhor. Frequentai os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, que vos purificam a alma e vos infundem as indispensáveis energias para um viver correto, digno e santo. Guardai, tanto quanto vos for possível, a lei salutar da abstinência e do jejum, que a Igreja vos impõe. Interessai-vos por tudo o que diz respeito ao culto católico: inscrevei-vos nas associações católicas diocesanas ou paroquiais, e procurai exercer, junto aos que relacionados estão convosco, o apostolado católico da verdade e do bem. Professai, enfim, alta e desassombradamente, a vossa Fé, para que todos vejam que sois católicos às direitas, verdadeiros soldados do Rei imortal dos séculos, Nosso Senhor Jesus Cristo. Firmes então na vossa Fé, qual exército em linha de batalha, nada tereis que recear no combate necessário contra os propagandistas do erro e da heresia, pois a vitória será vossa, na vida e na morte, no tempo e na eternidade.

A Propaganda Protestante e os Deveres dos Católicos, Carta pastoral, Dom Fernando Taddei da Congregação da Missão, 1929.

(1) Qui autem negaverit me coram hominibus, negabo et ego eum coram Palre meo. – Math., 10, 33.
(2) Discedite a me maledicti in ignem aetennum. – Math., 25, 41

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