Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico
Santa Maria do Lago primeira comunhão dos anos 1950 - Imagem em Senza Pagare

Método Breve de Preparação para a Santa Comunhão, segundo a “Imitação de Cristo”

Livro IV, cap. 16 – ó dulcíssimo e mui amado Senhor, a quem desejo receber agora com piedade! Bem sabeis minha fraqueza e minhas precisões, quantos males e vícios me oprimem, quantas são as minhas mágoas e tentações, pesares e faltas!

Aqui venho buscar o remédio, implorando-Vos alívio e consolação.

A Vós me dirijo, que tudo sabeis; para Vós não tem segredo meu coração. Vós só me podeis valer e consolar-me perfeitamente.

Vós sabeis de que bens mais fala sinto, e quão pobre sou em virtudes.

Aqui estou diante de Vós, pobre e desvalido, mercê Vos rogo, Vossa misericórdia imploro.

Dai de comer a este esfaimado mendigo Vosso, aquecei-me o frio com o fogo de Vosso amor, iluminai-me as trevas com o clarão da Vossa presença.

Concedei-me amargura em tudo que é terreno, paciência em todas as penas e contrariedades, desprezo e olvido de todas as coisas criadas e caducas.

Erguei-me o coração para Vós no céu; não me deixeis vaguear na terra.

Desde hoje para sempre em Vós só encontre eu doçura; que sois Vós só o meu alimento e bebida, meu amor e deleite, minhas delícias e meu bem, meu tudo.

Oxalá em acenda Vossa presença, me abrase e transforme todo em Vós, para que eu seja um mesmo espírito conVosco, pela graça de íntima união, como derretido pelo intenso amor.

Não me deixeis, Senhor, de Vós apartar-me em jejum e sequioso; antes comigo usai misericórdia, como tantas vezes pasmosamente usastes com Vossos Santos.

Quem estranharia que por Vós abrasado todo me consumisse, se Sois Vós o fogo sempre ardente, nunca esmorecido, o amor que purifica os corações e esclarece o entendimento?

Livro IV, cap. 14 – Que doçura sem conta reservastes, Senhor, para os que Vos temem!

Confesso, envergonhado fico, muitas vezes, Senhor, quando relembro a devoção e afeto soberano com que recebem o Sacramento alguns servos Vossos, ao tempo que eu tão tíbio e seco chego ao Vosso altar santo, à mesa da Sagrada Comunhão.

Tão árido me sinto o coração, e tão indiferente, em vez de abrasar-me todo diante de Vós, Deus meu! E muitos fiéis, com veemência atraídos e comovidos, não podem conter seu pranto pelo excesso de amor e de ternura com que desejam a comunhão.

Seu coração, sua boca até, entranhavelmente aspiram à fonte viva, que Sois Vós, Deus meu, nem há temperar-lhes nem fartar a fome, enquanto não recebem Vosso Corpo, com delícia igual á santa sofreguidão.

2. Ó fé verdadeira e ardente aquela! E que manifesta prova da Vossa real presença!

Estes, com efeito, verdadeiramente conhecem seu Senhor ao partir do pão, que tanto se lhes inflama o coração, porque Jesus com eles anda.

Que longe de mim, muitas vezes, tal devoção e afeto, tão vivo e ardente amor!

Sede-me propício, ó doce, ó clemente, ó bom Jesus! Concedei a este pobre mendigo Vosso que sinta, uma vez ou outra, na Sagrada Comunhão, algum tanto de Vosso eterno e cordial amor, para que se me alente a fé, cresça a minha esperança em Vossa bondade, e minha caridade, uma vez bem acesa com o celeste maná, nunca mais esmoreça.

3. Muita é vossa misericórdia para conceder-me esta desejada graça, o espírito de fervor, com Vossa benigníssima visita, no dia que por bem tiverdes.

Não tenho, é verdade, os ardentes desejos de Vossos privilegiados servos; sinto, porém, por mercê Vossa, o desejo daqueles grandes e abrasados desejos; rogo e almejo ter parte no fervor dos que tanto Vos amam e ser contado em Sua santa companhia.

Ato de Fé

Senhor meu Jesus Cristo, creio firmemente tudo o que a Vossa Santa Igreja Católica nos propõe a crer. Creio especialmente que estais real e verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento do Altar com o Vosso Corpo, Sangue, alma e divindade, porque Vós, a verdade infalível, o dissestes. Nesta fé quero viver e morrer.

Ato de adoração

Eu Vos adoro, meu Jesus, neste augusto Sacramento de Vosso amor e Vos reconheço por meu Criador, Redentor e soberano Senhor, meu único e sumo bem.

Virgem Santíssima, Anjos e Santos, adorai comigo a meu Jesus e supri minha insuficiência e tibieza.

Ato de esperança

Espero, ó meu Jesus, que dando-Vos, hoje, a mim, neste divino banquete, usareis comigo de misericórdia e me concedereis todas as graças necessárias para a minha eterna salvação; porque Vós, meu Deus, que Sois onipotente, misericordioso e fiel, assim o prometestes. Nesta esperança quero viver e morrer.

Ato de caridade

Amo-Vos, ó meu Jesus, de todo o meu coração e sobre todas as coisas, porque Sois meu Pai, meu Redentor, meu Deus, infinitamente bom e digno de todo o amor, e que hoje vai unir-se intimamente comigo. Meu Jesus, por amor de Vós, amo também a meu próximo, como a mim prórpio, e de boa vontade perdoo aos que me têm ofendido. Nesta caridade quero viver e morrer.

Ato de contrição

Pesa-me, ó Jesus, de todo o meu coração, de Vos ter ofendido tantas vezes na minha vida, por serdes Vós como Sois, tão bom, tão Santo e tão amável. Perdoai-me, pela Vossa infinita misericórdia, agora, e não olheis para o número e gravidade dos meus pecados.

Ato de humildade

Senhor, eu não sou digno de que entreis agora em minha casa, mas dizei uma só palavra e minha alma será salva.

Ato de desejo

Desejo ardentemente unir-me conVosco, ó Jesus. Vinde e não tardeis mais. Vinde, único objeto de meus suspiros. Vinde, ficai comigo e não permitais que jamais me separe de Vós pelo pecado.

O Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo conduza a minha alma à vida eterna. Amen.

Maná ou Alimento da Alma Devota – Orações e Exercícios Piedosos compilados por Frei Ambrósio Johanning O.F.M., XXII Edição, 1955.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico