Santa Joana Francisca de Chantal († 1641)
Filha de pais nobres, nasceu Joana Francisca em Dijon, aos 23 de Janeiro de 1572. Criança ainda, não deixava dúvida de ser destinada a uma vida de extraordinária santidade. Aos cinco anos, foi testemunha de uma disputa do pai com um nobre calvinista, sobre a presença real no Santíssimo Sacramento. Sem rodeios, a pequena declarou ao herege: “Senhor, Jesus Cristo está presente no Santíssimo Sacramento, porque Ele mesmo o disse. Se pretendeis não acreditar no que Ele falou, fazeis dEle um mentiroso”.
Para ser agradável, o calvinista deu-lhe um pequeno objeto de presente. Joanna Francisca meteu-o no fogo, dizendo: “Assim se queimarão no inferno os hereges, que não acreditarem no que Jesus Cristo disse”.
Tendo perdido sua mãe muito cedo, todos os dias se recomendava à proteção de Maria Santíssima, sua divina Mãe.
Uma senhora, que a irmã lhe dera como companheira, desgostosa com as práticas de piedade que Joanna Francisca exercia, procurou infiltrar-lhe no espirita ideias mundanas, não perdendo ocasião de dar-lhe maus conselhos. Maria Santíssima, porém, velava pela filha, cuja alma nenhum dano sofreu. A dama teve de abandonar a casa.
Inimiga de tudo que é do mundo, o único anhelo da donzela era procurar a Deus e servi-Lo do modo mais perfeito.
Com a idade de 20 anos, contraiu núpcias com o senhor de Chantal. Com todo o escrúpulo, cumpriu as obrigações do próprio estado. Dedicada ao esposo, carinhosa para com os filhos, atenciosa e justa para com os empregados, era de todos querida e sumamente amada. Fez o voto de nunca negar esmola a quem lhe pedisse em nome de Jesus Cristo.
Um triste acidente fê-la mudar de vida, no sentido de entregar-se ainda mais ao serviço de Deus. Numa caça, o esposo foi vítima de um desastre e morreu em consequência de grave ferimento, causado pela arma de um dos companheiros e amigos.
Vendo-se livre dos laços do matrimônio, Joanna ofereceu a Deus o voto de castidade. “Rompestes, Senhor, os laços que me ligavam a meu esposo; ofereço-vos o sacrifício de minha vida”.
Profunda era a dor que lhe dilacerava o coração, mas com a graça de Deus, adquiriu a conformidade e a coragem de perdoar ao homem que, involuntariamente, causara a morte do senhor de Chantal, e aceitar o convite de ser madrinha de uma filha do mesmo.
Ocupando-se unicamente com os trabalhos de casa, sempre voltava à oração e afastou de seus cômodos tudo que era de luxo, reservando para si só o necessário. Casamentos vantajosos, que se lhe ofereceram, recusou-os. Para se lembrar sempre do voto de castidade, que fizera, com um ferro em brasa gravou no peito as letras do nome “Jesus Cristo”.
De dia para dia o coração se lhe incendiava mais no fogo do amor de Deus e do próximo. Pobres e doentes achavam abrigo em sua casa. Quanto mais asquerosa era a doença dos protegidos, tanto mais carinho lhes dedicava, e esse heroísmo chegava a ponto de beijar as úlceras dos leprosos e lavar com as próprias mãos as roupas e feridas dos pobres doentes.
Filha espiritual de S. Francisco de Sales, a este santo homem confiou cegamente a direção da alma. A conselho dele abandonou o pai e os filhos, para encerrar num convento, em Annecy, fundado por ela própria. O nome da Ordem era “Visitação de Maria”. O filho tudo fez para retê-la, mas Joanna Francisca permaneceu inflexível. Na sua ânsia e dor, atirou-se, o rapaz sobre a soleira da entrada do convento, para assim impedir a passagem à mãe. Embora extremamente comovida com esse gesto de quase desespero, Joana Francisca não se perturbou e passou por cima do corpo do filho. Como religiosa, foi modelo a todas as irmãs. De todas as virtudes monásticas, acatava mais a da pobreza, sentindo-se feliz quando, de vez em quando, lhe faltava o necessário. No desejo de em tudo agradar a Deus, fez o voto de, em todas as circunstâncias, proceder sempre do modo mais perfeito.
Joana Francisca chegou à idade de 70 anos e morreu, como viveu, santamente, aos 13 de Dezembro de 1641.
O corpo da Santa achou o último descanso no convento de Annecy. Os numerosos milagres, que lhe glorificaram o túmulo, promoveram-lhe a canonização, feita por Clemente XIII, em 1767.
REFLEXÕES
Em santa Joanna Francisca temos a figura da mulher forte, de que Salomão fala nos Provérbios. Em todas as circunstâncias da vida deu prova de grande fortaleza de ânimo e de extraordinário espírito de mortificação. São estas virtudes consideradas indispensáveis aos cristãos, se, aliás, querem honrar este nome. “Quem quer seguir-me, renuncie-se a si próprio, tome a sua cruz e siga-me” – disse Nosso Senhor. Para Santa Joanna Francisca de certo não foi pequeno o sacrifício que fez quando, contra a vontade do pai e do filho, se resolveu a entrar para o convento, para em tudo ficar semelhante ao divino Esposo. Quem se ligar a Jesus pelos laços mais íntimos, com Ele há de subir o monte das Oliveiras; por Ele acompanhado, há de sofrer a coroação de espinhos, a duríssima flagelação e mil outros tormentos e provações. Tudo isso é indispensável a quem, com Cristo, quer entrar na eterna glória.
Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume II, 1935.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico