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São Bartolomeu, Apóstolo [Detalhe], por Rembrandt, 1657, Domínio Público / Wikimedia Commons

São Bartolomeu, Apóstolo

São Bartolomeu, Apóstolo († 1º Séc.)

São Bartolomeu, de origem galiléia, foi por Nosso Senhor escolhido para ser Apóstolo da doutrina cristã. É opinião de muitos que o nome Bartolomeu significa filho de Tholomeu ou Tholmai; que o nome legítimo e primitivo tenha sido Nathanael. Nathanael era mestre da lei e por Filipe foi apresentado a Nosso Senhor, o qual o elogiou por causa da sua sinceridade e inocência. Esta opinião tem razão de ser, porque S. João nunca fala em Bartolomeu como Apóstolo. Os outros Evangelistas, porém, mencionam-no e sempre juntamente com Filipe.

Seja como for, Bartolomeu é Apóstolo escolhido por Nosso Senhor. Como os demais Apóstolos, foi testemunha da vida pública de Jesus Cristo, viu-lhe os milagres, ouviu-lhe os discursos e exortações e como os companheiros, foi convencido da ressurreição do divino Mestre. Como os outros Apóstolos, viu-o subir ao céu; com eles fez a primeira novena, que Jesus ordenara que os discípulos fizessem, em preparação à vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecostes; como eles, recebeu a plenitude da luz de cima, a unção divina para a difícil e árdua missão, para a qual o Salvador os tinha destinado. A esta elevada missão, de levar a luz do Evangelho até os confins da terra, S. Bartolomeu dedicou-se com todas as veras.

Dando crédito ao que dizem Eusébio e muitos outros escritores antigos, consta que S. Bartolomeu percorreu a Arábia e a Pérsia; e não satisfeito com os frutos que lá colheu, convertendo muitos à religião de Cristo, o zelo irreprimível fê-lo transpor os limites da Índia, terra da filosofia e do ocultismo dos brahmanes e dos fakirs. Diz ainda Eusébio que São Panteno, que séculos depois visitou a Índia e lá trabalhou como missionário, encontrou vestígios do cristianismo e uma cópia hebraica do Evangelho de S. Matheus, que pertencera a S. Bartolomeu. Fundada a Igreja na Índia, Bartolomeu voltou para a Ásia Menor, onde encontrou a S. Filipe de Hierápolis, na Frígia. De lá foi para Licônia, onde, segundo o testemunho de S. João Crisóstomo, pregou o Evangelho.

Não se sabe, porém, quais são os povos que de São Bartolomeu receberam a instrução na religião de Cristo.

Da Ásia Menor o zeloso Apóstolo foi para a Armênia, país naquele tempo inteiramente pagão. Foi lá, como afirma S. Gregório de Tours, que lhe acenou a palma do martírio. Historiadores gregos dizem que S. Bartolomeu foi crucificado em Albanópolis, por ordem do Governador daquela cidade. Outros, porém, sustentam que tenha sofrido o martírio do esfolamento, barbaridade esta, cuja aplicação era conhecida e praticada no Egito e na Pérsia.

Foi no ano de 508 que o Imperador Anastácio mandou transportar parte das relíquias do Apóstolo para Duras, na Mesopotâmia, cidade por ele fundada. Por fins do século VI, como diz Gregório de Tours, foram levadas para a ilha de Lipari. De lá, em 809, passaram para Benevento, em 983 para Roma, onde se acham sob o altar da igreja de São Bartolomeu.

REFLEXÕES

“Ide, pregai o Evangelho a toda criatura!” Foi essa a última ordem, que Deus Nosso Senhor deu aos Apóstolos. Estas palavras ouviu-as também S. Bartolomeu, bastante para de corpo e alma se dedicar à obra do divino Mestre, que é realizar o desejo e o programa divino: “Venha a nós o vosso reino”. Outra não é a missão da Santa Igreja, até hoje.

“Ide, pregai o Evangelho” é a ordem de Cristo, dirigida aos cristãos de todos os séculos. Na pessoa dos Apóstolos, recebemos também nós a missão de evangelizar o mundo. Quer isto dizer que devemos abandonar o nosso lar, a nossa terra e tudo que possuímos e oferecer os nossos préstimos a Igreja, ao Papa, para que de nossa pessoa disponha, como achar bem? Tanto de nós não é exigido.

Para o serviço imediato das Missões o Santo Padre tem sua milícia: dos missionários, sacerdotes e leigos, irmãs de caridade, etc. Como em tempo de guerra nem todos vão ao campo de batalha enfrentar o inimigo com as armas na mão, assim para ferir as batalhas de Cristo, na luta tremenda contra as trevas do paganismo e do erro, nem todos recebem a cruz de missionário e a missão especial de trabalhar nos pontos mais expostos e avançados. A maior parte dos cidadãos fica em casa, cooperando cada um patrioticamente na sua esfera, no grande certamen, que a todos interessa e a todos entusiasma. O soldado nas trincheiras nada faz, si atrás dele não estiver a nação inteira, com seu apoio moral e material. Que fará o missionário, se lhe faltam os recursos daqueles irmãos que, por todos os títulos provenientes da fé, deviam auxilia-lo? Ninguém diga que nada tem que ver com as missões. Os metodistas, batistas e tantas outras seitas envergonham os católicos. Milhões de dólares despendem, para que? Para difundir a luz do Evangelho e pregar a doutrina da verdade? Espalham o erro, a heresia e para isto não medem sacrifícios. A conservação e o desenvolvimento das Missões é uma questão vital da Igreja católica e insistentes são os convites dos Papas aos fiéis, para efetivamente coadjuvarem a grande obra. É este, portanto, um dever de consciência, ao qual ninguém se deve subtrair.

Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume II, 1935.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico