Deus é admirável nos Santos, como prova a vida ele Santo Aleixo. Filho de pais riquíssimos, era Aleixo o fruto de muitas orações, pois durante muitos anos a união dos piedosos pais ficara sem descendente. Aleixo recebeu ótima, educação e bem cedo o menino mostrou uma predileção indubitável pelas coisas divinas. Era vontade dos pais que Aleixo se casasse com uma donzela, que eles mesmos lhe tinham escolhido. Aleixo, porém, estava bem longe dessas ideias. Depois de muito rezar, deliberou satisfazer a vontade dos progenitores.
O casamento foi celebrado com a maior pompa. No mesmo dia sentiu Aleixo um impulso fortíssimo de abandonar a jovem esposa, os pais e a casa paterna. Dando ouvido a essa voz interior, procurou a esposa e fez-lhe presente de riquíssimas jóias, pedindo-lhe que as aceitasse e guardasse, em penhor de seu amor para com ela. Sem fazer comunicação a pessoa alguma, abandonou a casa e tomou um navio, que estava pronto a partir. O navio tomou ritmo para Laodiceia e Eclésia, na Síria.
O desaparecimento de Aleixo causou grande consternação na casa paterna. O pai, rico senador, mandou emissários percorrerem a cidade e o país todo, para descobrir o paradeiro do filho. Não descobriram vestígio. Aleixo, entretanto, tinha chegado a Edessa, onde encetou uma vida de pobre eremita, com jejuns e penitências.
Em consequência dessa vida cheia de privações, mudou-se lhe consideravelmente a fisionomia; tanto assim que, empregados do pai, vindos a Edessa, em sua procura, não o conheceram, embora ele os tivesse conhecido muito bem.
A fama das virtudes começou a espalhar-se lhe em toda a redondeza, do que resultou , ver sido Aleixo constantemente procurado por pessoas, que lhe pediam conselhos e orações. Sendo assim constantemente incomodado na solidão, resolveu o Santo sair daquele lugar e voltar à casa paterna.
Assim fez e apresentou-se na casa do pai, como mendigo, pedindo pão e agasalho. Eufemiano, homem de grandes virtudes e bom cristão, embora não sabendo com quem falava, ordenou que ao pobre fosse dado o que pedia. Aleixo, ou, como se denominava: – o “peregrino”, – recebeu para lugar de descanso um cantinho debaixo da escada. Lá ficou até a morte. Nem sempre teve da criadagem o trato de acordo com a caridade cristã. Pobre que era, muitas vezes ele fizera objeto de pilherias, maledicências, maus tratos e perseguições. Aleixo sofreu tudo com a maior resignação, sem jamais abrir a boca para defender-se ou invocar a intervenção do pai. Mais doloroso lhe era, para o coração de filho, vê os pais, a esposa, sem poder manifestar-se lhes. Era um tormento ouvi-los falar com tristeza do filho, que desaparecerá no dia do casamento.
Dezessete anos decorreram, sem que Aleixo tivesse mudado o modo de viver. Só saia da cela para ir à igreja, onde passava longas horas, em profundo recolhimento de espírito. Aprouve a Deus anunciar a Aleixo a hora de seu trânsito. Depois de ter recebido os santos Sacramentos, escreveu num papel o curso da sua vida. Declarou naquele escrito que era Aleixo, filho do senador Eufemiano; que se tinha afastado dos seus, para melhor poder servir a Deus.
Segurando o papel na mão, entregou o espírito a Deus, sem dar o menor sinal de agonia.
Eufemiano achava-se na igreja, assistindo com o Imperador Honório a santa Missa, celebrada pelo Papa Inocêncio I, quando se ouviu uma voz desconhecida, anunciando a morte de um grande Santo na casa de Eufeniano. Este, sendo perguntado pelo Papa e pelo Imperador, que grande servo hospedava em casa, disse: “A não ser o pobre mendigo, que hospedo em minha casa há dezessete anos, não sei de quem se possa tratar”.
Pressurosos foram para a casa do senador e lá acharam morto o pobre mendigo. Eufemiano viu lhe nas mãos o papel. Curioso por saber o que continha, tomou-o das mãos do falecido e começou a ler o que estava escrito. Quem descreve a surpresa, a alegria, a dor e tantos outros sentimentos, que invadiram o coração do próprio pai! Sem poder pronunciar uma palavra, prostou-se aos pés do filho e rompeu em grande pranto. O mesmo fizera a mãe e a esposa de Aleixo.
O acontecimento, logo que se torno conhecido, fez com que numeroso povo afluísse à casa de Eufemiano, para ver e admirar o corpo do Santo, que deixava de existir. Milagres que Deus se dignou fazer por intermédio de seu servo, tornaram ainda mais conhecido o fato extraordinário.
O corpo de Aleixo ficou exposto durante oito dias, na Igreja de S. Pedro. Depois foi sepultado no monte Aventino, onde o acharam em 1226. Hoje os restos mortais de Aleixo descansam na Igreja que traz os nomes de São Bonifácio e Santo Aleixo.
REFLEXÕES
Abandonar a casa paterna, dizer adeus aos prazeres, as honras e riquezas, para levar uma vida pobre e austera, é heroísmo, que todo o mundo admira em Santo Aleixo. Mais admirável é a virtude que este Santo praticou, durante dezessete anos que viveu desconhecido, em casa do pai, exposto a toda sorte de tentações e perseguições. O homem, ajudado pela graça divina, não conhece dificuldades.
De vez em quanto fazes tenção de levar uma vida mais piedosa e virtuosa. Firmes te parecem teus propósitos de trabalhar seriamente na tua santificação. Com a mesma facilidade com que te decides a servir a Deus, abandonas os teus salutares propósitos e o dia do zelo e a véspera da tibieza, do desânimo, do relaxamento. Não é esse o caminho da santidade. Não é bastante começar, tomar boas resoluções – é necessário, é indispensável perseverar até o fim. As tentações, que o mundo te prepara, deves, a exemplo de Santo Aleixo, combater com toda energia. “O bem começado, porém, não terminado, valor nenhum tem. Ganhará o prêmio da corrida aquele que desiste do concurso, antes de ter chegado ao ponto terminal? ” (S. Gregório).
Na Luz Perpétua, Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus para todos dos dias do ano, apresentadas ao povo cristão por João Batista Lehmann, Sacerdote da Congregação do Verbo Divino, Volume II, 1935.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico