Terço de atos de amor

I 

1. Meu Deus, meu soberano bem, quisera ver-vos amado sempre.

2. Meu Deus, detesto o tempo em que não Vos amava.

3. Como pude viver tanto tempo sem o Vosso santo amor?

4. E Vós, meu Deus, como me pudestes suportar?

5. Graças vos dou, meu Deus, por tanta paciência.

6. Mas de presente quero Vos amar sempre.

7. Antes quero morrer do que não amar-Vos.

8. Tirai-me a vida, ó meu Deus, se hei de deixar de Vos amar.

9. A graça que Vos peço é amar-Vos sempre.

10. Com o Vosso amor serei feliz. 

Glória ao Pai… 

II 

1. Desejo, ó meu Deus, ver-Vos amado de todos.

2. Que feliz seria se pudesse dar o meu sangue para que todos Vos amem!

3. Quem não Vos ama é verdadeiro cego.

4. Vós, ó meu Deus, iluminai-o.

5. Verdadeira desgraça é não Vos amar, ó soberano bem.

6. Quanto a mim, ó meu Deus, não quero ser do número dos desgraçados cegos que não Vos amam.

7. Vós sois, ó meu Deus, a minha alegria e todo o meu bem.

8. Quero ser todo vosso para sempre.

9. E quem poderá jamais separar-me do Vosso santo amor!

10. Vinde vós, criaturas todas, amar a meu Deus. 

Glória ao Pai… 

III 

1. Quem me dera mil corações para com todos Vos amar, ó meu Deus!

2. Tomara possuir os corações de todos os homens, para Vos amar…

3. Tomara haver mil mundos, para todos Vos amarem.

4. Ditoso daquele que pudesse Vos amar com os corações de todas as criaturas possíveis!

5. Vós o mereceis, ó meu Deus!

6. O meu coração é muito pobre e muito frio para Vos amar.

7. Ó funesta frieza dos homens no amor para com o soberano bem!

8. Ó deplorável cegueira dos mundanos, que não conhecem o verdadeiro amor!

9. Que felizes sois, habitantes do céu, que o conheceis e amais!

10. Ó feliz necessidade a de amar a Deus! 

Glória ao Pai… 

IV 

1. Quando será, ó Deus meu, que me abrasarei no Vosso amor?

2. Oh! Que preciosa e feliz sorte seria então a minha!

3. Mas como não sei Vos amar, folgo ao menos de que haja tantos outros que certamente Vos amam de todo o coração.

4. Folgo em particular de que sois amado de todos os anjos e bem-aventurados do céu.

5. Uno o meu pobre coração ao deles.

6. Tenho, em particular, a intenção de Vos amar com o amor com que Vos amaram os santos que foram mais fervorosos.

7. Tenho intenção de Vos amar com o amor com que Vos amaram Santa Maria Madalena, Santa Catarina e Santa Teresa;

8. Com o amor com que Vos amaram Santo Agostinho, São Domingos, São Francisco Xavier, São Filipe Néri e São Luís Gonzaga;

9. Com o mesmo amor com que Vos amaram os Santos Apóstolos, especialmente São Pedro, São Paulo, e o discípulo amado;

10. Com o mesmo amor com que Vos amou o grande patriarca São José. 

Glória ao Pai… 

V 

1. Tenho intenção de Vos amar com o amor com que Vos amou a Santíssima Virgem Maria na terra;

2. Com o amor, em particular, com que ela Vos amou quando concebeu no seu seio virginal o Vosso divino Filho, quando o deu à luz, quando o alimentou com o seu leite, quando o viu morrer.

3. Tenho igualmente a intenção de Vos amar com o amor com que ela Vos ama e amará sempre no céu.

4. Mas para Vos amar, ó Deus de bondade infinita, este amor, por maior que seja, não basta.

5. Eis por que Vos quisera amar como o Verbo divino feito homem Vos amou;

6. Como Ele Vos amou quando nasceu;

7. Como Vos amou quando expirou na cruz;

8. Como Vos ama continuamente nos sagrados tabernáculos onde está escondido;

9. Com o mesmo amor com que Vos ama e amará no céu durante toda a eternidade.

10. Enfim tenho a intenção de Vos amar com o amor com que Vós próprio Vos amais; mas já que tal amor é impossível, fazei, ó meu Deus, por piedade, que Vos ame com toda a minha mente, com todas as minhas forças, e tanto quanto quereis. Assim seja. 

Glória ao Pai…

Oremos. Deus, que preparastes bens invisíveis aos que Vos amam, derramai o Vosso amor nos nossos corações, para que, amando-Vos em tudo e acima de tudo, obtenhamos o efeito das Vossas promessas que sobrepujam todo o desejo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim seja.

As Mais Belas Orações de Santo Afonso, Coordenadas pelo Pe. Saint-Omer, Redentorista e vertidas para o vernáculo por D. Joaquim Silvério de Sousa, Editora Vozes, 1961.

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