Ad Gloriam Dei et Salutem Animarum
Arsenal
CAtólico

Senhor, a vossa misericórdia é maior do que os céus.” (Salm. CVII, 5.)

É verdade de fé que a misericórdia do Senhor, está sempre disposta a perdoar ao pecador arrependido.

Não quero a morte do ímpio, diz o Senhor, mas sim que se converta do seu caminho e viva [1].

Clemente e misericordioso é o Senhor; sofrido e todo cheio de misericórdia [2].

Ainda que os teus pecados fossem como escarlate, tornar-se-iam brancos como a neve; ainda que fossem roxos, como o carmesim, tornar-se-iam mais alvos do que a lã [3].

É fora de dúvida que Deus detesta o pecado, onde quer que ele se encontre; mas todo aquele que se arrepende das suas culpas, aparta-se delas para se converter a Deus, e Deus aproxima-se dele para lhe oferecer o perdão.

Lembra-te do amor com que Jesus tratou o publicano arrependido, a Madalena, Pedro contrito e o bom ladrão na cruz.

Nesta casa entrou hoje a salvação! [4] Muito te será perdoado, porque amaste muito [5]. E Jesus deixou cair um olhar sobre Pedro [6]. Na verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no Paraíso [7].

Quão comovedora é a pintura que o Salvador nos deixou de si mesmo na parábola do filho pródigo, na da dracma perdida, na do bom pastor!

Mas as ações de Jesus dão-nos um testemunho ainda mais completo da superioridade da sua misericórdia sobre todas as suas obras [8].

Com efeito, cada passo do Homem-Deus neste vale de lágrimas, cada suspiro que se desprendeu do seu peito, cada gota de suor e de sangue que derramou, não foi mais do que um testemunho vivo do seu amor imenso, da sua misericórdia sem limites.

Consagrou toda a sua vida e paixão à salvação dos pecadores. Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim, os enfermos; porque eu não vim salvar os judeus, mas os pecadores [9].

Nem foi para outra coisa que ele fundou a sua Igreja, e instituiu nela os sacramentos, sobretudo o do batismo e o da Penitência.

A criação do universo custou ao Onipotente um faça-se. Porque o nada não resiste ao Criador; mas a graça necessária para a conversão do pecador, custou ao Salvador um mar de sofrimentos!

Considera quão grande é o Deus que perdoa em comparação do pecador a quem perdoa. De um lado o Onipotente, do outro o nada. Ele, a infinita santidade; o pecador, vaso de cólera; Ele a suma bondade; nós um abismo de ingratidão e de malícia.

E de que modo perdoa? Parece que está esperando ansiosamente que o pecador dê o primeiro passo para a reconciliação. Aqui estou batendo à porta, diz o Salvador [10]. perdoa, logo que a ele acudimos de coração.

Ainda não terminei de dizer: Quero confessar ao Senhor a minha injustiça, e já vós me perdoastes a impiedade do meu pecado [11].

E perdoa-nos inteiramente. Lançará todos os nossos pecados ao fundo do mar [12].

E inúmeras vezes: setenta vezes sete, [13] isto é, sempre que, arrependidos, lhe pedirmos perdão. Mas a misericórdia do Senhor vai ainda mais longe: além do perdão, concede também a sua graça ao pecador, premia-o com a sua amizade, e com a herança eterna da sua glória.

Como Deus se alegra com a conversão da criatura ingrata. Dai-me os parabéns, diz ele,porque recuperei a ovelha perdida [14].

Bondade incompreensível Dignação admirável! O desventurado que vos desprezar, é um insensato, um monstro de ingratidão!

Ao infeliz que vos repelir, não lhe resta mais do que esperar o inferno; e nem este será bastante profundo para devorar uma criatura tão infame e desprezível.

Por conseguinte, não existe sequer o mais leve motivo de desconfiança. Não. Correrei plenamente confiado a lançar-me nos vossos braços de pai, Senhor, rico em misericórdia. Neles repousarei e dormirei em paz, porque vós me firmares na esperança [15].

A Virgem Prudente, Pensamentos e Conselhos acomodados às Jovens Cristãs, por A. De Doss, S.J. versão de A. Cardoso, 1933.

[1] Ezeq. XXXIII, 11.
[2] Salm. CXLIV, 8.
[3] Is. I, 18.
[4] Luc. XIX, 9.
[5] Luc. VII, 47.
[6] Luc. XXII, 61.
[7] Luc. XXIII, 43.
[8] Psalm. CXLIV, 9.
[9] Marc. II, 17.
[10] Apoc. III, 20.
[11] Salm. XXXI, 3.
[12] Miq. VII, 19.
[13] Mat. XVIII, 22.
[14] Luc. XV, 6.
[15] Salm. IV. 9-10.

Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico