Ó Maria, como Jesus quis vir a nós por meio de vós, fazei que por vós eu possa ir a Ele.
1 – A Igreja ensina-nos a invocar Maria como “Medianeira de todas as graças”. Este título é como que a síntese do que Nossa Senhora é para nós nas relações com o seu Filho bem-amado: Medianeira da graça, da misericórdia, tesoureira de todas as graças que Jesus nos mereceu. “Mediante a comunhão de dores e de vontade entre Cristo e Maria – ensina S. Pio X – esta mereceu tornar-se a dispenseira de todos os benefícios que Jesus nos adquiriu com o Seu Sangue” (Enc. Ad diem illum). Associada do modo mais íntimo e mais profundo à vida, obra e Paixão do seu Filho, Maria cooperou com Ele na nossa redenção, de maneira que a graça que só Cristo nos podia merecer de direito, foi também, ainda que de modo secundário e de pura conveniência, merecida por Maria.
Maria obteve assim um verdadeiro poder sobre todos os tesouros sobrenaturais adquiridos pelo seu Filho e como os acumulou juntamente com Ele, assim, juntamente com Ele, os distribui. “Pode afirmar-se – diz Leão XIII – que, segundo a vontade de Deus, nada nos é dado que não passe pelas mãos de Maria, de modo que, como ninguém pode aproximar-se do pai onipotente senão através do Filho, também ninguém, por assim dizer, pode aproximar-se de Cristo senão através de Sua Mãe” (Enc. Octobri mense). Ao lado e depois de Jesus, único Mediador, Maria é, portanto a Medianeira e como Jesus, no céu, intercede incessantemente junto do Pai em nosso favor, assim Maria intercede por nós, juntamente com Ele, obtendo-nos e dispensando-nos todas as graças de que temos necessidade. muito oportunamente o Intróito da Missa de Maria Medianeira aplica à Virgem o que S. Paulo diz a propósito do recurso confiante a Cristo: “Aproximemo-nos confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno”. Sim, depois de Jesus, Maria é verdadeiramente “trono da graça” e tudo que obter-nos do seu Filho, Ela que é a Omnipotentia suplex, onipotente na sua prece de Mãe.
2 – Maria é Medianeira entre nós e seu Filho por um duplo motivo: porque nos dá Jesus, e porque nos leva a Jesus. O Evangelho várias vezes no-la mostra na atitude de portadora de Jesus aos homens, atitude tipicamente maternal: Maria apresenta o Menino à adoração dos pastores e dos magos, Maria leva Jesus ao templo e apresenta-O a Simeão; Maria, em Caná, pela sua intercessão, obtém o primeiro milagre do Filho; Maria, no Calvário, recebe nos braços o corpo exangue e ferido do Filho amado, e oferece-o à humanidade com prelo do seu resgate; Maria no Cenáculo, invoca a plenitude do Espírito Santo sobre os Apóstolos e até ao dia do seu feliz trânsito, sustenta com a sua oração e com os eu encorajamento materno a Igreja nascente. Onde está Maria, está Jesus; toda a razão da existência de Maria, toda a sua missão, é esta: levar, dar Jesus ao mundo e às almas, e, com Jesus, dar também a sua graça e os seus favores. Maria, como diz S. Bernardo, é verdadeiramente o aqueduto que leva à humanidade a água viva da graça; ou melhor, que lhe leva Jesus, fonte da graça.
Além disso, Maria leva os homens a Jesus: Ela ensina-nos o caminho para ir ao seu Filho, dispõe as nossas almas para que Lhe sejam agradáveis. Somos sempre pobres crianças, incapazes de oferecer a Deus dons apresentáveis, e Maria é sempre a Mãe que, com delicadeza maternal, arranja e embeleza os nossos dons, as nossas ações, as nossas orações e dádivas e que, com as suas próprias mãos, as oferece ao seu divino Filho. Mas Maria olha sobretudo para os nosso corações e, como nossa verdadeira Mãe, quer formar em cada um de nós um coração puro, cheio de amor e de bondade, que possa palpitar em uníssono com o de seu Filho. Coloquemos, pois, o nosso coração nas mãos de Maria para que Ela o encha “de graça e de verdade, de vida e de virtude” (MB.).
Colóquio – “Ó Senhora minha, santa Mãe de Deus, cheia de graça, oceano inesgotável de divinas liberalidades e dons; depois da Santíssima Trindade, Senhora de todos; depois do Paráclito, nova consoladora; depois do Mediador, a Medianeiro de todo o mundo; olhai para a minha fé e para o desejo que me foi inspirado pelo céu. Não me desprezeis por ser indigno e que a fealdade das minhas ações não suspenda a vossa imensa misericórdia, ó Mãe de Deus, ó nome que supera todo o meu desejo” (Sto Efrém Sírio).
“Ó Maria, Deus pôs em vós a plenitude de todos os Seus bens para nos fazer compreender que toda a esperança, toda a graça, toda a salvação nos vêm da vossa superabundância. Fazei, pois, ó Maria, que por vosso intermédio possamos chegar ao Filho, ó bendita que encontrastes graça, que nos destes a vida, ó Mãe de salvação! Fazei que por vós nos acolha Aquele que vós nos destes. Que a vossa pureza sem mancha desculpe aos Seus olhos as culpas da nossa malícia, que a vossa humildade, tão agradável a Deus, obtenha perdão para o nosso orgulho! Que a vossa imensa caridade cubra a multidão dos nosso pecados e que a vossa gloriosa fecundidade torne fecundas as nossas boas obras.
“Ó Senhora, Medianeira, Advogada nossa, reconciliai-nos com o vosso Filho, apresentai-nos ao vosso Filho. Ó bendita, pela graça que alcançastes, pelos privilégios que merecestes, pela misericórdia que trouxestes ao mundo, obtende-nos de Jesus, que por meio de vós Se dignou participar da nossa enfermidade e da nossa miséria, que nos faça participar, ainda por meio de vós, na Sua glória e na Sua bem-aventurança” (S. Bernardo).
Intimidade Divina, Meditações Sobre a Vida Interior Para Todos os Dias do Ano, P. Gabriel de Sta M. Madalena O.C.D. 1952.
Última atualização do artigo em 12 de setembro de 2026 por Arsenal Católico